PENHA
Denúncia de rachadinha termina em tumulto na câmara de vereadores
Sessão foi encerrada após vereadores tentarem afastar presidente suspeito de receber parte de R$ 120 mil em diárias
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
A permanência do vereador Luciano de Jesus (PP) na presidência da Câmara de Vereadores de Penha está ameaçada. Ainda não há confirmação se ele vai comandar a próxima sessão, marcada para 30 de março.
A situação veio à tona após denúncia de um suposto esquema de rachadinha envolvendo pelo menos R$ 120 mil em diárias pagas a cargos de confiança do Legislativo. O caso provocou tumulto e levou ao encerramento da sessão de segunda-feira.
Continua depois da publicidade
Durante a reunião, vereadores tentaram aprovar o afastamento de Luciano, apontado como responsável pelo suposto esquema ao lado do chefe de gabinete, Fabrício de Liz. Os parlamentares defendem que ele tenha direito à ampla defesa, mas fora do comando da câmara.
A sessão terminou sob protestos de moradores, que pediam justiça e transparência. Também houve críticas à interrupção da transmissão pela TV Câmara no YouTube. Luciano e Fabrício negam as acusações, mas ainda não se manifestaram oficialmente. A câmara divulgou nota confirmando o encerramento da sessão por causa do tumulto no plenário.
O pedido de destituição da mesa diretora será analisado juridicamente e depois encaminhado à Comissão de Ética Parlamentar.
A denúncia também repercutiu na prefeitura. Em nota, o prefeito Luizinho Américo (PL) afirmou que o caso deve ser tratado com cuidado, responsabilidade e transparência. Ele destacou que não há relação com a administração municipal e que não haverá interferência no Legislativo.
Segundo informações enviadas ao Ministério Público, há indícios de divisão de valores dentro do suposto esquema. A suspeita surgiu após a divulgação de altos valores em diárias pagas a cargos de confiança, revelados pelo repórter Alex Rech, do portal Penha On Line, e repercutidos pelo DIARINHO.
Diárias pagas passam de R$ 120 mil
Em dezembro, servidoras de confiança do presidente receberam diárias para participar de um curso em Foz do Iguaçu. Porém, elas teriam faltado a pelo menos um dia para fazer compras em Ciudad del Este, no Paraguai.
A apuração indica que parte dos valores das diárias era devolvida após o pagamento. O total, segundo o jornalista, passa de R$ 120 mil em dinheiro público.
Continua depois da publicidade
Dados do Portal da Transparência reforçam os indícios. O chefe de gabinete apontado como operador recebeu R$ 64,1 mil em diárias entre 2025 e março de 2026. Outras servidoras acumularam R$ 35 mil, R$ 34,8 mil e R$ 29,7 mil no mesmo período.
O repasse seria de cerca de R$ 1 mil por diária, destinado a um operador interno — supostamente Fabrício — que faria a redistribuição a pedido de Luciano. Há relatos de valores menores, como R$ 700, que teriam sido recusados.
O material reunido inclui mensagens e registros que indicariam o funcionamento do esquema. O conteúdo foi entregue à Polícia Civil e encaminhado à 2ª Promotoria de Justiça da comarca. O promotor René José Anderle confirmou que já ouviu depoimentos. Um inquérito civil foi instaurado e corre sob sigilo.
Continua depois da publicidade
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
