ITAJAÍ
Abrigo infantil tocado por igreja é investigado por maus-tratos aos pequenos
Há relatos de fugas, torturas e superlotação em local mantido por igreja
João Batista [editores@diarinho.com.br]
Após denúncias de maus-tratos de crianças e falta de condições de acolhimento no abrigo infantil Lar da Criança Feliz, no bairro Dom Bosco, em Itajaí, a prefeitura informou na terça-feira que adotou medidas preventivas e mobilizou a fiscalização. O local é terceirizado pelo município e mantido pela igreja Reviver, por meio de convênio.
Segundo a Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Itajaí, também foi feito contato com o Ministério Público, o poder judiciário e o Conselho Tutelar para acompanhar e apurar as denúncias. Houve relato de que uma criança de 10 anos teria fugido do abrigo no domingo passado e foi encontrada sozinha no Bambuzal.
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A denúncia foi feita por uma funcionária da instituição à Band FM Itajaí, que levou o caso também ao Conselho Tutelar após a criança relatar supostos maus-tratos e torturas dentro do abrigo, com crianças amarradas pelas mãos e pés. O local ainda estaria superlotado, com 26 menores, diante da capacidade pra 20 crianças, motivando pedidos de interdição e de transferência dos menores.
A prefeitura afirma que soube do caso pela imprensa. Em meio às denúncias, o município anunciou que está em fase de implantação de um novo serviço de acolhimento institucional infantil. A instituição vencedora da licitação tem prazo de 60 dias para iniciar as atividades. Itajaí também projeta outras ações, como o programa Família Acolhedora.
“Outros dois chamamentos públicos estão em fase de encaminhamento para publicação, com o objetivo de ampliar a rede de acolhimento institucional. A previsão é que novos serviços sejam implantados nos próximos meses, para fortalecer a proteção e o atendimento às crianças no município”, explica.
O abrigo no bairro Dom Bosco atende crianças até 11 anos em situação de vulnerabilidade. Em 2025, a superlotação do lar fez Itajaí transferir crianças para acolhimento em outras cidades. Na ocasião, o Ministério Público recomendou ações urgentes do município. A prefeitura prometeu resolver a situação, com a ampliação de vagas e novos programas de acolhimento.
Diante do histórico de denúncias cada vez mais graves, a vereadora Hilda Deola (PDT) cobrou explicações da prefeitura sobre como o município fiscaliza os serviços e quer garantia de segurança para as crianças acolhidas. “Criança não pode esperar. Criança não pode ser negligenciada. E nenhuma instituição, seja ela qual for, pode estar acima da fiscalização e da responsabilidade”, comentou.
João Batista
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.
