Dados apresentados durante o debate mostram que o contato com telas já faz parte da rotina desde os primeiros anos de vida. Segundo as informações divulgadas no evento, 78% das crianças de zero a três anos usam dispositivos digitais todos os dias. Entre quatro e seis anos, o índice chega a 94%.
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A discussão foi promovida pela Comissão de Economia, Ciência, Tecnologia e Inovação da Alesc, em parceria com o movimento Mulheres que fazem Floripa. A secretária-geral da Assembleia, Marlene Fengler, autora da lei que instituiu a Semana de Conscientização sobre a Dependência Tecnológica em Santa Catarina, afirmou que o tema ganhou mais espaço nos últimos anos, mas ainda exige acompanhamento constante. “Quando apresentei o projeto, em 2019, o tema ainda era pouco discutido. Hoje, vemos avanços importantes, como novas legislações e maior conscientização, mas a responsabilidade continua sendo de todos nós”, disse.
Menos foco e mais dificuldade de concentração
Entre os pontos levantados no debate, especialistas citaram possíveis impactos do consumo contínuo de vídeos curtos, jogos rápidos e estímulos imediatos. Segundo os participantes, esse padrão pode interferir na atenção e no interesse por atividades que exigem mais tempo e concentração.
A psicopedagoga Márcia Fiates afirmou que “atividades que exigem mais foco acabam se tornando desinteressantes para crianças acostumadas com recompensas imediatas”. Segundo ela, já há evidências de prejuízos na atenção e na capacidade de raciocínio.
Também foram citados efeitos na convivência e na construção de vínculos sociais, já que o tempo diante das telas pode reduzir momentos de interação presencial, brincadeiras e outras experiências fora do ambiente digital.
Riscos no ambiente digital
Outro tema do debate foi a exposição de crianças e adolescentes a conteúdos inadequados e situações de risco na internet. Entre os problemas citados estão cyberbullying, aliciamento e outras formas de violência em plataformas digitais.
O policial civil Elias Edenis, especialista em crimes cibernéticos, disse que o ambiente digital exige acompanhamento de pais e responsáveis. “Hoje, os riscos não estão apenas na rua, estão dentro de casa, acessíveis por um clique”, afirmou. Ele defendeu que as famílias acompanhem as plataformas usadas pelos filhos e recorram a ferramentas de controle parental.
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A presidente do movimento Mulheres que fazem Floripa, Andréa Vergani, destacou que a discussão envolve famílias, escolas e o poder público. “Informação e orientação são fundamentais para que possamos proteger as novas gerações e promover um uso mais equilibrado da tecnologia”, disse.
Uso do celular na rotina
A psicanalista Denise Porto também falou sobre o uso do celular para entreter ou acalmar crianças. Segundo ela, esse hábito pode trazer impactos no desenvolvimento emocional. “O celular tem sido usado como uma espécie de babá eletrônica. Isso pode causar ansiedade, isolamento social e prejudicar o desenvolvimento emocional”, afirmou.
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Além das discussões, o encontro também abordou o Eca Digital, que entrou em vigor em março e estabelece regras para proteger menores de 18 anos no ambiente on line. Entre as medidas estão verificação de idade, restrições à publicidade predatória e exigência de controle parental em redes sociais, jogos e plataformas digitais.