Diz aí, Zavatini!

"Numa cooperativa eu sou dono do negócio; num banco sou apenas um cliente"

Fernando Zavatini | gerente Regional da Viacredi

"O recurso, quando a gente precisa rápido, sai caro" (foto: Fran Marcon)
"O recurso, quando a gente precisa rápido, sai caro" (foto: Fran Marcon)
miniatura galeria
miniatura galeria
miniatura galeria

O gerente Regional da Viacredi, Fernando Zavatini, foi entrevistado pela jornalista Fran Marcon, com a participação de Karen Valter, analista técnica do Sebrae. Ele falou sobre cooperativismo, deu dicas de economia, citou mudanças com os avanços das tecnologias e deu detalhes sobre a Viacredi.

 

Já tem cadastro? Clique aqui

Quer ler notícias de graça no DIARINHO?
Faça seu cadastro e tenha
10 acessos mensais

Ou assine o DIARINHO agora
e tenha acesso ilimitado!

 

Continua depois da publicidade

Em que uma cooperativa de crédito difere de um banco?

Zavatini: Num banco normal, você é um cliente. Na cooperativa, você é um sócio, o dono da instituição. O nosso cooperado participa da construção da cooperativa e dos resultados também. Inclusive a gente está no período assemblear, que vai até 23 de abril, e nas assembleias a gente demonstra com os cooperados o resultado do ano passado, onde a gente teve um resultado recorde. A cooperativa está completando 75 anos. Em todos os anos a gente teve um resultado positivo e o ano passado a gente teve um resultado recorde de R$ 627 milhões. Esse resultado é devolvido ao cooperado. Num banco esse recurso normalmente vai para uma pessoa, ou para os acionistas, e, muitas vezes, até para grandes capitais ou fora do Brasil. Numa cooperativa esse recurso fica aqui dentro. A principal diferença numa cooperativa é que eu sou dono do negócio; num banco eu sou apenas um cliente.

A Viacredi apresentou crescimento expressivo nos últimos anos. O que explica esse avanço e em quais produtos o crescimento foi maior?

Zavatini: A cooperativa vem investindo bastante em inovação, principalmente de produtos. Hoje produtos e serviços uma cooperativa tem igual a qualquer banco. Nós temos financiamento, investimento, cartão, seguro... A cooperativa vem cada vez mais inovando. Por exemplo, nos últimos anos a gente cresceu muito no crédito imobiliário. Hoje a gente trabalha com SFI, SFH, trabalha com Minha Casa Minha Vida. [Os ativos chegaram a R$ 16,4 bilhões e o crédito a R$ 9,3 bilhões. Quais setores mais demandaram crédito em 2025?] O financiamento imobiliário, ele demanda muito. Os empreendedores, pessoa jurídica ou pessoa física, também demandam muito. Financiamento de veículo, motos, linha de repasse do BNDES, que também está tendo uma demanda muito forte. [A linha de crédito da cooperativa é diferente de um banco, os juros são menores?] Um banco visa preferencialmente o lucro. Não é que a cooperativa não vise lucro. A gente visa o resultado, mas estamos emprestando o recurso para os nossos sócios, para o dono da instituição. Com esse princípio, a gente tem taxa de juros menor do que a dos bancos.

 

"O recurso, quando a gente precisa rápido, sai caro"

 

A chamada economia da cooperação gerou mais de R$ 2 bilhões em benefícios aos cooperados. O que isso significa?

Continua depois da publicidade

Zavatini: Toda movimentação feita na cooperativa, se tivesse sido feita no banco, teria uma despesa maior. É um recurso que fica dentro da comunidade. Esse recurso gira dentro da cidade, incentiva o consumo, incentiva a poupança. Isso é muito importante até para uma visão do empreendedor. É recurso girando, gerando riqueza e gerando IDH. A gente destina sempre 10% do nosso resultado para o Fates, que é o Fundo de Assistência Técnica Educacional e Social. Esse recurso é investido muito forte na parte de educação financeira e empreendedora. A gente tem diversas ações onde esse recurso vai para a comunidade. [Como a Viacredi avalia o papel do cooperativismo no desenvolvimento econômico regional?] É importantíssimo e não só no cooperativismo de crédito, porque a gente tem sete ramos. Uma comunidade onde tem uma cooperativa, ela tem um poder de barganha. Como nasceu o cooperativismo? Em 1844, na cidade de Rochdale, no interior da Inglaterra. Estava tendo a Revolução Industrial. Cargas de trabalho excessivas, até 18 horas, não tinha nenhuma legislação específica, trabalho infantil, não tinha sábado, nem domingo, e os salários muito baixos. Com isso, 22 operários se juntaram e fundaram um armazém. Só que esse armazém era no modelo cooperativista. Esse armazém vendia os produtos a um preço justo aos próprios cooperados. Hoje tem mais de um bilhão de pessoas no mundo fazendo parte de algum sistema cooperativista, representando três milhões de cooperativas em atividade, gerando renda para mais de 280 milhões de pessoas. No Brasil, hoje, são quase 26 milhões de pessoas que estão no modelo cooperativista, com mais de quatro mil cooperativas ativas. 

 

"Tem mais de um bilhão de pessoas no mundo fazendo parte de algum sistema cooperativista"

 

Continua depois da publicidade

Como funciona a parceria das cooperativas com o governo, seja ele municipal, estadual ou federal?

Zavatini: A gente faz algumas ações, principalmente na região, com escolas municipais. Algumas escolas a gente atua com questão de bullying, gestão financeira, rede social. A gente costuma fazer esse acompanhamento e treinamento, não só com os alunos, mas com a equipe docente também. Temos uma parceria com o Sebrae. No nosso Coopera Empreendedor, a gente identifica empreendedores com dificuldade financeira, faz acompanhamento. Temos o programa Valor Social, que nós estamos na terceira edição. Toda entidade cooperada, quem não for cooperada aproveita porque a inscrição está aberta até o dia 23 de abril. Toda entidade sem fins lucrativos, pode ir lá no site da Bússola Social ou procurar nossa cooperativa, cadastrar o projeto. Esse projeto vai para análise da cooperativa e se faz o investimento nesse projeto. [Precisa ser cooperado?] Precisa ser cooperado, mas nada impede também de se tornar cooperado. Não tem nenhuma carência. Já foi investido mais de um milhão de reais, com mais de 200 entidades e impacto de mais de 100 mil pessoas.

O modelo cooperativo pode ser uma alternativa mais segura em momentos de instabilidade econômica? Há risco de uma cooperativa quebrar?

Continua depois da publicidade

Zavatini: É importantíssimo conhecer a cooperativa. Eu vejo que a cooperativa trabalha com transparência e isso a gente demonstra nas nossas assembleias. Eu faço até o convite a todos os cooperados nossos, as assembleias vão até dia 8 de abril, e a assembleia geral vai ser dia 23 de abril. É uma questão de transparência e solidez. A cooperativa está há 75 anos no mercado, nós estamos com um resultado recorde de R$ 627 milhões. Nós temos um fundo de reserva que é a poupança da cooperativa: destina 40% sempre do nosso resultado para esse fundo. Hoje esse fundo tem quase R$ 1 bilhão. Tem uma análise de risco rating, a nossa análise é AA menos. Apesar do sinal menos, é uma classificação de investimento de segurança. As cooperativas tendem a trabalhar com uma taxa de juros mais baixa que o mercado, um retorno de aplicação maior, uma tarifação de produtos menor.

 

"A inadimplência no mercado subiu bastante depois da pandemia"

 

O Sebrae tem sido parceiro dos microempreendedores, tanto na manutenção dos negócios quanto na capacitação. Como o senhor avalia o serviço do Sebrae no crescimento do cooperativismo?

Zavatini: Excelente! O Coopera Empreendedor está na 31ª edição. A gente identifica empreendedores que estão com alguma dificuldade. Porque no primeiro sinal de dificuldade, o que a pessoa acha que é a solução? O crédito! Nossos colaboradores estão treinados para identificar se realmente a solução é crédito ou se é educação. Identificando que a solução não é só um crédito, a gente faz a inscrição junto ao Coopera Empreendedor.

Houve mudanças no perfil dos cooperados nos últimos anos, com o avanço da tecnologia?

Zavatini: Não só no cooperado, como toda a humanidade. A gente está buscando muito mais o autoatendimento, o autosserviço e a cooperativa vem buscando também essas alternativas, mas está buscando sem perder a nossa essência, que também é o presencial. Enquanto tem um movimento de alguns bancos fechando várias agências, a cooperativa vem buscando expandir essa rede de atendimento. [E na atuação dos cooperados, há também um avanço para startups, websites, as profissões dos cooperados também mudaram?] Tem mudado bastante esse perfil e o fundo de inovação é destinado para entender novos cenários, ofertar novos produtos e serviços para esse público. Alguns anos atrás a gente pegava nossa pastinha e ia visitar o cooperado, naquele ponto físico. Hoje muitos cooperados já não têm ponto físico. O contato tá por WhatsApp, por Teams, por outro meio e já não tem aquele ponto físico como tinha antigamente.

 

" No Brasil, hoje, são quase 26 milhões de pessoas que estão no modelo cooperativista, com mais de quatro mil cooperativas ativas"

 

As feiras do Negócio Local reúnem milhares de visitantes e expositores. Qual é o objetivo?

Zavatini: A cooperativa organiza de três a quatro feiras de negócio por ano. Esse ano nós vamos ter: Curitiba, dias 15 e 16 de agosto, Pomerode, dias 26 e 27 de setembro, e Jaraguá, dias 23 e 24 de maio. Se entrar no nosso site, também está divulgado. É um evento para divulgar o produtor local dentro da comunidade.

Quais são os principais erros financeiros que as pessoas ainda cometem? Que orientações práticas o senhor daria para quem está endividado?

Zavatini: O ponto importante é aquela organização futura. É a reserva que a gente fala, não só a reserva de emergência, mas se programar para o futuro. Hoje o que a gente vê muito comum é aquele recebimento do salário e as pessoas já saem gastando. No final do mês, se sobrar alguma coisa, eu guardo. Essa visão deveria ser diferente: eu recebo meu salário, eu faço a minha reserva e o que sobrou dessa reserva eu faço minhas compras, eu passo o mês. Até tem uma teoria que diz que nós deveríamos guardar 20% do que a gente recebe. Essa organização: a gente ter detalhado o gasto mensal, de recebimento mensal e reserva uma parte para investimento, para uma emergência e para um projeto futuro. O recurso, quando a gente precisa rápido, sai caro. [Extrapolei o meu orçamento e não tenho dinheiro pra pagar todas as contas. Quais as contas que eu não devo deixar de pagar?] Emergências acontecem. Cada um tem que enxergar a sua necessidade. Normalmente, conta de consumo. Eu não tenho como deixar de pagar porque depois de um determinado período corta. Eu não consigo ficar sem uma água, luz, energia, impostos importantes, alimentação... Primeira coisa que a gente tem que cortar é lazer. Nós temos várias opções de linha de crédito na cooperativa, com prazos de uma, duas vezes, até 120 vezes, pra diversas finalidades. [Pagar o mínimo de um cartão de crédito é uma escolha ruim?] É uma escolha ruim porque hoje é um dos maiores juros. Vou pagar o mínimo do meu cartão, eu posso passar na cooperativa, ver uma nova linha que ele liquida o cartão e assume uma prestação menor. O cartão a gente acha que é o vilão, mas ele não é o vilão. O cartão utilizado de uma forma correta te dá uma organização muito boa. Você consegue visualizar todos os seus gastos mensais e identificar para onde está indo o teu recurso. O problema é controlar o limite. [Tem muita gente que usa o limite do cartão como se fosse um salário extra...] Não só o cartão, mas o cheque especial. O cheque especial é uma linha para utilizar na emergência. [Não consigo pagar o cartão, vou parcelar minha fatura. Tem opções que vêm justamente com a fatura do cartão de crédito. É uma boa escolha parcelar?] Temos linhas mais baratas também. O importante é sempre optar, no caso de uma emergência, pelos menores juros e pela situação mais importante também. [Nesse universo de R$ 9,3 bilhões em crédito, de empréstimos no último ano, qual o percentual de inadimplência?] Vou falar que a gente teve um evento que ninguém esperava em 2019/2020 que foi a covid. A inadimplência subiu no período e até hoje a gente não conseguiu baixar no mercado. A gente tá carregando um pouquinho ainda dessa inadimplência. Teve muita gente que perdeu emprego, condição de saúde diminuiu, demanda da empresa, algumas dificuldades que a inadimplência acabou impactando. A inadimplência no mercado subiu bastante depois da pandemia.

 

"Todo o resultado da cooperativa retorna ao cooperado, gerando essa economia da cooperação que a gente comentou antes, acaba virando um ciclo"

 



WhatsAPP DIARINHO


Comentários:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Clique aqui para fazer o seu cadastro.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.


Conteúdo Patrocinado




Envie seu recado

Através deste formuário, você pode entrar em contato com a redação do DIARINHO.

×






216.73.216.152


TV DIARINHO


🚧🛣️ AVENIDA NOVA! Após oito meses de obras, a avenida do Estado Dalmo Vieira será entregue neste sábado ...



Especiais

Epstein e a pedofilia como mercadoria de luxo da elite global

VIOLÊNCIA SEXUAL

Epstein e a pedofilia como mercadoria de luxo da elite global

Laboratório da polilaminina vendeu cloroquina e fez fortuna sob Bolsonaro

CRISTÁLIA

Laboratório da polilaminina vendeu cloroquina e fez fortuna sob Bolsonaro

Brasil gasta R$ 20 bi para pagar salários que a Constituição proíbe

CUSTO DO PRIVILÉGIO

Brasil gasta R$ 20 bi para pagar salários que a Constituição proíbe

Guerra no Irã: alerta estridente de que combustíveis fósseis não têm nada de seguros

ALERTA

Guerra no Irã: alerta estridente de que combustíveis fósseis não têm nada de seguros

Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país

GUERRA

Programa atômico do Irã foi criado pelos EUA que hoje lança “Fúria Épica” sobre o país



Blogs

Anna Carolina bate asas e se filia ao Republicanos

Blog do JC

Anna Carolina bate asas e se filia ao Republicanos

Búzios Sailing Week 2026 abre regatas na Páscoa e mantém patrocínio da Energisa

A bordo do esporte

Búzios Sailing Week 2026 abre regatas na Páscoa e mantém patrocínio da Energisa

Memória que cai das árvores

VersoLuz

Memória que cai das árvores

Bom dia, empresários!

Blog da Jackie

Bom dia, empresários!



Diz aí

"Numa cooperativa eu sou dono do negócio; num banco sou apenas um cliente"

Diz aí, Zavatini!

"Numa cooperativa eu sou dono do negócio; num banco sou apenas um cliente"

"A galinha dos ovos de ouro é a natureza"

Diz aí, Maurício!

"A galinha dos ovos de ouro é a natureza"

"Ninguém perde um filho à toa"

Diz aí, Bel Cavanha!

"Ninguém perde um filho à toa"

"Estamos batendo 6 mil alunos no programa Universidade Gratuita"

Diz aí, reitor!

"Estamos batendo 6 mil alunos no programa Universidade Gratuita"

"Eu sempre digo que o carro mina a cidade"

Diz aí, Deise!

"Eu sempre digo que o carro mina a cidade"



Hoje nas bancas

Capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯






Jornal Diarinho ©2026 - Todos os direitos reservados.