ITAJAÍ
Mãe denuncia maus tratos sofridos pelos filhos em abrigo infantil
Situação no Lar da Criança Feliz é investigada pelo município após denúncias
João Batista [editores@diarinho.com.br]
“Lá não é lugar pra ninguém”. A frase é de uma leitora do DIARINHO, que contou que seus filhos já chegaram a ficar no abrigo infantil Lar da Criança Feliz, no bairro Dom Bosco, em Itajaí. O relato foi feito após a prefeitura anunciar a apuração de denúncias de maus tratos aos pequenos no local, na semana passada.
No período em que as crianças ficaram na instituição, a mãe delas narra que presenciou muitos problemas no abrigo nos dias em que fazia visitas e outras situações soube pelo que os filhos diziam. “As crianças comendo carne com nervo. Elas não podiam dar um gole d´água pra ajudar a descer a comida. Só poderia tomar depois que comessem”, afirma.
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Numa época em que apenas um dos filhos dela ainda estava no local, ela conta que, quando ia visitá-lo, o encontrava todo “cagado” e “sujo”. “Porque elas [tutoras], não auxiliam nenhuma criança no banheiro e meu filho só tinha quatro anos”, lembra. Conforme a denúncia, os pequenos eram tratados aos gritos e empurrões.
A mulher ainda relata que o filho tava sempre machucado nas pernas e nos braços. Numa das ocasiões, a criança foi vista com uma marca no pescoço. “Alegaram que foi um fio da cortina, alguma coisa assim, que tinha caído nele. Mas isso eu não engoli, porque eu via que ele estava escondendo alguma coisa”, comenta.
O menino também costumava ter várias marcas de picadas de mosquito. “Era eu quem levava pomada”, conta a mãe. Segundo ela, as crianças ainda eram obrigadas a limpar o abrigo e varrer as folhas no pátio. A alimentação seria de má qualidade e bem controlada. “O café da manhã era um pedacinho de bolo ou um pão seco”, ressaltou.
A moradora explica que gostaria de ter feito a denúncia antes, mas tinha medo de que isso a prejudicasse de pegar os filhos de volta. Além de relatos do próprio filho, ela afirma que também presenciou casos de maus tratos às crianças no local. “Já era pra ter parado esse abrigo há tempo. Porque as pessoas que trabalham lá não são aptas pra tá cuidando de umas crianças que não tem culpa”, completa.
Apuração das denúncias
As denúncias de maus tratos a crianças e falta de condições de acolhimento no abrigo vieram à tona após uma criança ter fugido do local, no dia 29 de março. Depois que ela foi encontrada, ela falou de maus-tratos e até torturas dentro do abrigo, com crianças amarradas pelas mãos e pés. Outro problema seria a superlotação na casa, com seis crianças a mais que a capacidade pra 20 menores.
O local é terceirizado pelo município e mantido pela igreja Reviver, por meio de convênio. Segundo a Secretaria de Assistência Social e Cidadania de Itajaí, a fiscalização foi mobilizada pra verificar a situação do abrigo. O Ministério Público, o poder judiciário e o Conselho Tutelar também foram contatados pra acompanhar e apurar as denúncias.
Ao DIARINHO, a promotoria de justiça de Itajaí, com atuação na área da infância e juventude, confirmou que está acompanhando o caso. O órgão informou que já foi ajuizada a denúncia para verificar os fatos, com prioridade de tramitação.
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“As denúncias recentes também foram juntadas à documentação da representação. Os fatos criminais já foram encaminhados à 1ª PJ de Itajaí, com atribuição criminal com vítimas crianças e adolescentes, e será avaliado”, explicou.
João Batista
João Batista; jornalista no DIARINHO, formado pela Faculdade Ielusc (Joinville), com atuação em midia impressa e jornalismo digital, focado em notícias locais e matérias especiais.
