Diz aí, Amin!

"Jair Bolsonaro é um fenômeno, é uma liderança que quanto mais apanha, mais cresce"

Esperidião Amin | Senador da República por Santa Catarina

"Não posso pedir voto hoje, mas eu peço que o eleitor reflita sobre Santa Catarina; é mais importante do que nós todos"
(foto: Fran Marcon)
"Não posso pedir voto hoje, mas eu peço que o eleitor reflita sobre Santa Catarina; é mais importante do que nós todos" (foto: Fran Marcon)

O senador Esperidião Amin Helou Filho (PP), de 78 anos, que desde a década de 60 é uma liderança da direita no Brasil, participou do programa Diz Aí! Na entrevista à jornalista Fran Marcon e ao colunista JC, Amin falou sobre eleições, coligações e polarização, entre outros assuntos. A entrevista completa você assiste no canal do Youtube TV DIARINHO.

 

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O senhor foi traído pelo presidente Jair Bolsonaro e pelo PL?

Amin: Não, sinceramente não. Acho que havia uma expectativa, mas quem tem um pouco de experiência sabe que existem fatores inesperados ou supervenientes que você tem que estar com o couro preparado. Eu compreendo, acho que é uma questão partidária, não me cabe colocar reparos sobre decisão de outro partido e de alguma maneira estamos achando um caminho alternativo. [Nesses seus anos de política podemos dizer que pegou o senhor de surpresa?] Não, porque a gente vai tomando conhecimento da situação aos poucos, pelos sinais. Eu acho que sempre houve uma tendência de parte do PL a uma, digamos, apropriação, que não me cabe discutir, de cadeiras para o PL no Senado Federal. De forma que esse tipo de decisão tem consequências, gera consequências, mas ninguém pode dizer que não são legítimas as decisões. Há quem diga que o governador tomou essas decisões invertendo uma lógica. A lógica é que a oposição se organize antes. 

 

"Jair Bolsonaro é um fenômeno, é uma liderança que quanto mais apanha, mais cresce"

 

O senhor tem usado suas redes sociais para pedir o impeachment de três ministros do STF e diz que eles ficam se revezando em quem é o primeiro da fila....

Amin: Tem gente furando a fila. Eu não quero nem cassar. Eu acho que nós temos, porque há motivos, que abrir um processo de impeachment de um ministro. E acho que o primeiro da fila é o ministro Dias Toffoli. Por quê? Por causa dos negócios. Não fui eu quem descobri os negócios. Mas que tentaram abafar. Foi criado um grupo de trabalho na CAE, na Comissão de Assuntos Econômicos, que ajudou a dizer o quê? Deixa a Polícia Federal trabalhar. Não tem nada que esconder prova no gabinete do presidente do Senado. Tem que voltar para a Polícia Federal.

 

"Eu quero votar no João Rodrigues"

 

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Pouco se vê de atuação de Jair Renan Bolsonaro como vereador de Balneário Camboriú. Agora, Carlos Bolsonaro quer ser senador por SC. É legítimo que filhos do ex-presidente ocupem esses espaços mesmo sem histórico na política catarinense?

Amin: O sobrenome Bolsonaro tem um significado muito grande para o Brasil. Eu acho que quanto mais se percebe que o inquérito do 8 de janeiro foi uma farsa, foi uma narrativa imposta, e isso eu já denunciei, tanto é que sou autor do requerimento de CPI da Vaza Toga, e está lá o Tagliaferro para demonstrar o que foi a certificação de porque “A” pode ser solto e “B” não pode ser solto. Eu acho que quanto mais o Jair Messias Bolsonaro, que eu conheço há 35 anos, for alvo de uma perseguição sistemática, mais o sobrenome vai ser realçado. É uma reação. Eu não sou sociólogo, mas os sociólogos diriam: o Jair Bolsonaro é um fenômeno, é uma liderança que quanto mais apanha, mais cresce. [Esse fenômeno acontece só em Santa Catarina?] Eu acho que é mais em Santa Catarina por excelência. O sobrenome Bolsonaro tem em Santa Catarina um apelo muito forte. [Quais foram as grandes entregas que o governo Bolsonaro fez para Santa Catarina?] Eu não sou líder do governo. [Mas como o senhor avalia, quais obras foram feitas que justifiquem esse apreço tão grande do catarinense?] Só o sociólogo pode explicar isso. Eu não sou sociólogo, eu constato, não tenho o dom de explicar.

 

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" Eu voto no Flávio Bolsonaro e declarei meu voto em dezembro"

 

O senhor destacou que contribuiu pra devolução de R$ 460 milhões de recursos federais ao estado. Os recursos foram usados nas BRs por falta de repasse pras obras na época do governo Bolsonaro?

Amin: Sob a vigência da lei do teto de gastos, que na verdade é uma PEC, os limites de investimento da União ficaram gravemente comprometidos. O governador Moisés negociou e, negociou corretamente, autorizado pela Assembleia Legislativa, uma forma de não deixar essas obras pararem. Aprovamos quatro leis e nenhuma delas funcionou. Até que num último momento, em agosto de 2024, eu me lembrei, tem agora o programa de acerto das dívidas estaduais... [Um refis do Estado com a União...] Vamos fazer uma emenda. Eu consegui o apoio técnico da Procuradoria Fiscal da Fazenda Nacional. Isso me orgulha muito. Eles redigiram o artigo 16, que permite apenas para esse período, 2021 a 2024, para não contaminar outros créditos. Foi aprovado o projeto com esse direito de ressarcimento. No começo de 2025, Lula vetou. Não desistimos, continuamos. Em novembro do ano passado derrubamos o veto. [Só para complementar a questão do Moisés, ele está se filiando no seu partido?] Eu tenho certeza de que estará afiliado à federação. Vai ser candidato a deputado federal.

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"Essa polarização calcificada é uma deformação do ser humano, porque nós nascemos para aprender na divergência"

 

Quem o senhor acredita que o ex-presidente Jair Bolsonaro e o pré-candidato Flávio Bolsonaro vão apoiar em Santa Catarina: o governador Jorginho Mello ou o prefeito de Chapecó, João Rodrigues?

Amin: Eu voto no Flávio Bolsonaro e declarei meu voto em dezembro. Tenho sete anos de boa convivência com o senador Flávio Bolsonaro.

 

 

O seu colega do Senado, Jorge Seif, disse, neste espaço, que o Bolsonaro gostava mais do João Rodrigues, mas por uma questão partidária, provavelmente, apoiaria o governador...

Amin: Eu não posso estabelecer aqui uma expectativa sobre o que vai fazer, seja o Flávio, seja o Jair Bolsonaro. Agora, que o presidente Jair Messias Bolsonaro gosta do João Rodrigues, eu não tenho dúvida nenhuma. [Mas gosta do Jorginho também?] Gosta mais ou menos, eu não sei. Posso te garantir que quem apresentou eles todos pro Jair Bolsonaro foi o deputado Peninha.

 

" Eu acho que é provável que haja segundo turno"

 

Por que o senhor encontrou o governador Jorginho Mello e disse pra ele mudar o disco?

Amin: Sim, agora conversa é outra, né, patrão? Porque o governador fez as escolhas e não quer dizer que foi ele que fez. Ele escolheu o vice. Eu até enalteci a sua escolha do vice. Agora, se ele tinha compromisso com o MDB, eu não sei. Dizem que tinha. Eu não estava na reunião do MDB em que teria havido esse compromisso. [Palavra, na política, é importante?] Olha, pelo menos para você escutar de novo. [O senhor sempre cumpriu com as palavras dadas?] Olha, tenho feito força. Mas eu não atiro a primeira pedra em quem, por circunstâncias, teve que tomar um caminho diferente daquele que desejaria. [No final foi bom pra vocês?] Quanto ao Novo, precisa perguntar pro MDB. O MDB, na minha opinião, junto com o meu partido, disputando, rivais, construiu o estado nos últimos 30 anos. Se eu acho que o meu partido deu uma contribuição efetiva, eu não posso negar que o MDB também deu. Historicamente, foi o UDN e PSD lá atrás e, de 60 para cá, o MDB e a Arena, o PMDB e o PDS. Se esses partidos, que hoje não estão participando de uma chapa majoritária ao governo, se encontram na oposição, eles têm uma coisa muito boa para oferecer, que é o saldo do que eles aprenderam batendo cabeça, disputando. [Luiz Henrique fez isso de juntar os grandes quando se elegeu...] Sim, ele fez do jeito dele e o fato é que construiu um governo que você tem que reconhecer que melhorou Santa Catarina. 

 

"O MDB, na minha opinião, junto com o meu partido, disputando, rivais, construiu o estado nos últimos 30 anos"

 

Apesar de ter sido empossado como político biônico na época da ditadura, o senhor foi eleito diversas vezes pelas urnas eletrônicas. O senhor é contra as urnas eletrônicas?

Amin: Não, não sou. Eu sou um, modéstia à parte, doutor no Programa de Engenharia e Gestão do Conhecimento da UFSC. Eu já fui analista de sistemas e conheço um pouquinho de processamento de dados. Eu sou a favor do aperfeiçoamento, da auditabilidade do voto. O voto auditável na urna eletrônica, nem que seja por amostragem. [O senhor quer voltar ao voto impresso?] Não. Eu não sou dinossauro. Sou a favor do aperfeiçoamento. 

O senhor já votou no governador Jorginho Mello?

Amin: Sim. [Ele continua dizendo que não, fez declaração neste sentido...] Ele fez essa declaração e eu já exigi que ele retifique. Eu votei nele em 2022. [Uma vez?] Sim, mas eu votei. [Como o senhor avalia o fato de o governador Jorginho não dialogar, não ter uma conversa institucional com o presidente da República?] Acho errado com base em fundamentação filosófica e sociológica. Chama-se a ética da responsabilidade. Eu não posso colocar a minha pessoa acima da minha missão. Só isso. Eu acho que não é certo. Uma coisa é o Lula, outra coisa é o presidente da República. 

 

"Não posso pedir voto hoje, mas eu peço que o eleitor reflita sobre Santa Catarina; é mais importante do que nós todos"

 

Como o senhor vê o fato de que, na semana passada, 44 prefeitos estiveram em um encontro devotando um certo apoio ao Jorginho Melo?

Amin: Eu acho que isso é uma onda. [Como assim?] Passa. Eu acho que o tempo é o senhor da razão. O tempo é a convenção. Até lá teremos tomado decisões. [Por isso o senhor foi colocado como presidente do PP?] Não, eu fui colocado na presidência porque houve uma divergência legal. Eu resolvi contactando com a presidência nacional do partido, e assumi. É uma contingência. Nós vamos tomar decisões respeitando essa posição: seja de 44, seja de quatro, na forma da convenção, entre junho e julho. Até lá todo mundo pode dar a sua opinião. Eu quero votar no João Rodrigues. A minha declaração de voto é essa. 

Pela coletiva da semana passada, da Federação Progressista, o senhor será o único candidato ao Senado pela Federação, correto?

Amin: Isso foi dito. Nós estamos organizando, veja bem, o governador já formou o seu time. Nós estamos lançando o embrião de um time. Todos nós vamos ficar constantemente avaliando. Nós não temos ainda nenhum nome do vice, que se sabe será apontado pelo MDB. Eu não tenho nenhum nome de suplente ainda definido.

 

"Se esses partidos, que hoje não estão participando de uma chapa majoritária ao governo, se encontram na oposição, eles têm uma coisa muito boa para oferecer"

 

Senador, historicamente Santa Catarina elege um candidato ao Senado mais ligado à direita e o outro mais ligado à esquerda...

Amin: Sou eu. [Na segunda vaga...] Um dos dois sou eu. [O senhor teme ser preterido pelo eleitor entre Carolina de Toni e Carlos Bolsonaro?] Se quiserem me chamar disso ou daquilo, não posso pedir voto hoje, mas eu peço que o eleitor reflita sobre Santa Catarina; é mais importante do que nós todos. [Candidatos ou pré-candidatos da Federação ou do PP aqui na nossa região, vai ter?] Ah, não tenho dúvida. [Haverá respeito pelos acertos locais e municipais?] Eu acho que tem que haver, porque nós somos um estado das autonomias. 

Como o senhor lida atualmente com divergência na política; onde tu pensas diferente és comunista ou extrema-direita?

Amin: Isso está acontecendo no mundo inteiro. Ou seja, em vez de você ter bambus, que respeitam o vento, nós estamos calcificando as opiniões, desnecessariamente. Mas isso não é um fenômeno brasileiro. Isso é uma coisa que está se impregnando num mundo em que eu quero desqualificar quem pensa diferente de mim. Essa polarização calcificada é uma deformação do ser humano, porque nós nascemos para aprender na divergência.

O senhor acredita que vai ter segundo turno na eleição deste ano no estado? E se tiver, quem o senhor acha que vai estar nesse período eleitoral?

Amin: Eu acho que é provável que haja segundo turno. [Quais são os sinais de que haverá segundo turno?] Os sinais são a capacidade eleitoral dos dois lados e talvez dos três lados. Mas é muito cedo para demonstrar isso, até porque nós não tivemos nenhuma pesquisa com dois candidatos a governador desta área de centro-direita. Será muito provável nós termos a eleição em dois turnos. [Na última eleição, SC teve dois turnos, com o atual governador e o PT na disputa. Para dois partidos que vão disputar a mesma fatia de preferência da direita, acende um alerta de que só a chapa estará no segundo turno?] Não, eu acho que pode acontecer de ser dois do mesmo lado. Pode. Não que vai acontecer, acho que é muito cedo para fazer uma previsão.



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Publicado 01/04/2026 19:56



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