Carlos começou a ser Papai Noel por brincadeira há 20 anos (Foto: Cristina Cheng)
Carlos Rogério Schuch, de 69 anos, Papai Noel considerado um dos mais simpáticos e acolhedores da região, morreu vítima de infarto na quarta-feira. Ele passou mal no banheiro de seu apartamento, na rua 2600, no edifício Doutor Blumenau, onde morava com sua mãe de 93 anos. A cuidadora da casa, que é enfermeira, tentou reanimá-lo, mas não conseguiu.
A cerimônia de despedida foi no crematório, nesta quinta-feira. A pedido da mãe de Carlos, o filho foi velado com a roupa de Papai Noel e com a barba do bom velhinho, personagem que marcou ...
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A cerimônia de despedida foi no crematório, nesta quinta-feira. A pedido da mãe de Carlos, o filho foi velado com a roupa de Papai Noel e com a barba do bom velhinho, personagem que marcou as duas últimas décadas da vida dele.
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O porteiro Adriano de Lima, de 43 anos, que nos últimos 10 anos trabalhou como motorista particular do Noel, contou que Carlos iniciou a vida profissional como Papai Noel por brincadeira. “Um amigo comprou uma máquina de fotografar mais chique e esse cara tinha um Papai Noel que fotografava com ele. No dia de começar a fotografar, o Papai Noel quebrou a perna ou o braço – não lembro. O cara ficou sem Papai Noel, olhou para ele e disse: “você daria um Papai Noel”. Ele se interessou e foi, mas foi mais para zoar. Levou tudo na esportiva, fez um ano, fez dois e o restante não preciso nem contar”, relembra Adriano. Ele conta que Carlos fez de tudo para não gostarem dele como Papai Noel, mas não deu certo.
Carlos e Adriano se conheceram quando Carlos começou a trabalhar em um shopping, onde a rena era segurança
Natural de Porto Alegre, Carlos morava há 50 anos em BC. Antes de ser Papai Noel, vendia cartões postais na cidade. “Ele vendia cartões postais nas lojas, papelarias, não tinha câmera digital na época. Eles sobreviviam desses postais, o pai dele que começou e ele continuou”, contou.
Carlos e Adriano se conheceram quando o Noel começou a trabalhar em um shopping, onde Adriano era segurança. “Eu comecei a trabalhar com ele, o levando para as sessões de fotos. A gente começava a fotografar em setembro e ia até janeiro. Primeiro fotografava e depois ia para as agendas nos shoppings”, conta, explicando que ganhou o apelido de “Rena”, por ser ele o responsável por transportar o Noel. “O resto do ano, ele só comia e dormia”, brinca, falando que há cerca de dois anos Carlos se aposentou.
“Tchau, Adriano”
Adriano viu o Papai Noel pela última vez na segunda-feira. “Eu ficava com a tag e o controle do portão; ele pediu para eu levar, para ele poder colocar o carro para dentro e tirar as compras. Deixei a chave e o controle e a gente ficou conversando. Eu estava saindo e conversamos mais uns 10 minutos. Nos despedimos de novo e ele falou: ‘Credo, cara, se despedindo de mim de novo’. Quando fui fechar a porta, ele disse: ‘Tchau, Adriano’. Nunca me chamava pelo nome. Nesses 10 anos posso contar nos dedos quando ele me chamou pelo nome. Parece que estava se despedindo. Não está sendo fácil...”, desabafou o amigo.
Adriano diz que, com a morte do Papai Noel, não quer mais trabalhar no Natal. “Não consigo mais, nem se tivesse outro Papai Noel. Não vou. Eu acho que, em respeito a ele, foram 10 anos. Ele não era fácil de aguentar, era chato e tudo, mas a gente ria, brincava e brigava, mas estava sempre unido”, contou.
Além da mãe, de 93 anos, Carlos deixou dois filhos e uma enteada. Ele era separado. Carlos sofria de diabetes e labirintite. Há cerca de dois meses, chegou a ter uma queda em casa e machucou o braço. Após o acidente, ficou cerca de 40 dias internado no hospital Marieta e estava se recuperando em casa.
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
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