Muita gente, pouca casa
Déficit habitacional em Itajaí é de 15 mil unidades
Instituto Mais Itajaí propõe programa municipal de habitação de interesse social
Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]
Levantamento de mercado promovido pelo Instituto Mais Itajaí apontou um grave problema social no município: a cidade tem muita gente e pouca casa. Trabalho técnico contratado em 2025 e apresentado pelo presidente do instituto, Fábio Inthurn, indica que o déficit de moradias em Itajaí supera 15 mil unidades e registra ainda o pequeno avanço do programa Minha Casa, Minha Vida (MCMV) em âmbito local nos últimos 10 anos.
De acordo com Fábio, esse déficit significativo de moradias atinge quem mais precisa — ou seja, a falta de unidades habitacionais pesa mais sobre as populações de renda média e média-baixa. “Entre 2015 e 2025, foram lançadas cerca de duas mil unidades enquadradas no MCMV, enquanto surgiram aproximadamente 17 mil novos domicílios nas faixas de renda compatíveis com esse tipo de habitação”, detalhou Fábio Inthurn ao DIARINHO.
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Para enfrentar esse quadro, o instituto defende políticas públicas por parte da administração local e propõe a criação de um programa municipal de habitação de interesse social, com incentivos urbanísticos, instrumentos legais específicos e parcerias com o setor privado para ampliar a produção de moradias acessíveis.
“Nossa proposta prevê a flexibilização de parâmetros urbanísticos para empreendimentos destinados à habitação social em Itajaí, como potencial construtivo, recuos e vagas de estacionamento”, detalha Fábio. Na visão do instituto, o incentivo do poder público resultaria em maior impacto positivo da chamada habitação de interesse social. “Atualmente, essa participação é praticamente inexistente. O levantamento mostra que não houve lançamentos vinculados ao MCMV em Itajaí desde 2021”, alerta.
O estudo técnico contratado pelo Instituto Mais Itajaí valeu-se de dados do IBGE, informações de renda domiciliar, registros de habitações precárias, bases do mercado imobiliário e histórico de lançamentos do Minha Casa, Minha Vida em âmbito local para chegar aos resultados finais. “Uma política estruturada reduz custos de produção e facilita o acesso à casa própria”, pontua Fábio Inthurn.
Reversão do quadro será marco legal da habitação
Na visão dos empresários ligados ao Mais Itajaí, a mudança desse quadro também passaria pela criação de um marco legal municipal específico para a habitação de interesse social, com regras próprias e processos de aprovação mais ágeis, incluindo incentivos urbanísticos e fiscais.
“Nossa proposta prevê ainda parcerias entre o município e o setor privado para viabilizar projetos habitacionais em terrenos já pertencentes ao poder público”, acrescenta Fábio, como forma de reduzir custos e viabilizar empreendimentos voltados à população itajaiense de menor renda.
A proposta busca justamente reativar o Minha Casa Minha Vida em Itajaí. “Além dos incentivos urbanísticos, propõem-se incentivos fiscais: isenção de IPTU e ITBI e subsídios do município à parcela de entrada”, sugere o presidente. Fábio fala sobre cidades que já têm modelos exitosos de políticas públicas para a habitação, nas quais Itajaí pode se espelhar.
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Bate-bola com Fábio Inthurn
Quais cidades serviram de referência em habitação para o Mais Itajaí?
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Fábio Inthurn – Foram analisados exemplos de cidades como São Paulo, Curitiba, Florianópolis e Goiânia, tanto em termos de participação da habitação social no mercado quanto em políticas urbanísticas e habitacionais.
Quais políticas públicas foram consideradas exitosas?
Fábio – O estudo analisou programas estaduais como Casa Paulista (SP), Casa Fácil Paraná (PR), Morar Bem (PE) e Cheque Mais Moradia (GO), que combinam subsídiozs, incentivos urbanísticos e parcerias com o setor privado.
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Itajaí teria um comparativo com outras cidades brasileiras onde o MCMV impacta o mercado imobiliário?
Fábio – Sim: São Paulo e Chapecó. A capital paulista tem mais da metade dos lançamentos vinculados ao Minha Casa, Minha Vida (55%), e Chapecó tem 15%. Itajaí registrou 0% no período analisado.
O que é o Instituto Mais Itajaí?
O Instituto Mais Itajaí, formado em 2025, é uma iniciativa do setor empresarial local voltada a projetos com impacto no futuro da cidade, potencializando a contribuição privada no desenvolvimento urbano do município e transformando ideias em projetos técnicos que são entregues ao município sem custo para os cofres públicos. Entre eles estão o masterplan do terminal de cruzeiros, a ligação da BR 101 à Praia Brava e o eixo viário que conectará o bairro da Murta à Via Expressa Portuária e à Antônio Heil, obras consideradas estruturantes para a mobilidade da região.
Redação DIARINHO
Reportagens produzidas de forma colaborativa pela equipe de jornalistas do DIARINHO, com apuração interna e acompanhamento editorial da redação do jornal.
