PÓS-GREVE
MP do frete ainda causa dúvidas em SC
Medida não reduz preço do diesel, mas prevê maior controle
Redação DIARINHO [editores@diarinho.com.br]
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A medida provisória 1343 de 2026, editada após a paralisação dos caminhoneiros, começa a reorganizar o transporte de cargas em Santa Catarina. Com a retomada da circulação nas rodovias, a dúvida agora é o que muda na prática para trabalhadores do setor e consumidores.
A principal mudança, segundo representantes da categoria, é a fiscalização da tabela mínima de frete, que não vinha sendo aplicada de forma efetiva desde 2018. O diretor da Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANTC), Sérgio Pereira, diz que a medida representa um avanço. “Pra nós, o que ficou acordado é fundamental. A tabela não era atualizada nem fiscalizada, e agora vai ser automático. Não tem mais essa de um pagar bem e outro pagar mal”. Segundo ele, empresas que descumprirem os valores mínimos podem ser penalizadas com multas altas, o que deve mudar a dinâmica do setor. “As transportadoras vão ter que pagar as tabelas mínimas. Se não, vai ter multa. A atualização já foi feita”, explica.
Uma das principais dúvidas da população é sobre o preço do diesel. A medida não reduz diretamente o valor, mas prevê maior controle sobre possíveis abusos. “Os postos têm autonomia, mas não pode ter abuso. Em duas semanas, teve aumento de quase três reais”, disse Sérgio. Mesmo assim, não há garantia de queda imediata nas bombas.
Na prática, o impacto mais direto é no frete. O caminhoneiro Manassés Emanuel Sá de Oliveira avalia que a medida traz mais equilíbrio. “Foi muito bom, não esperávamos uma resposta tão rápida. Vai regular e é excelente pra gente”. Ele explica que, antes, muitos profissionais aceitavam qualquer valor para não voltar no prejuízo. “O motorista vinha de São Paulo pra Santa Catarina e pegava qualquer carga por qualquer valor. Agora não pode mais fazer isso”.
Com o fim da paralisação, o transporte voltou a rodar e o abastecimento começa a se normalizar nas cidades da região. Nos últimos dias, motoristas enfrentaram filas e falta de combustível, cenário que tende a se estabilizar com a retomada das entregas.
Apesar da trégua, o clima ainda é de cautela entre os caminhoneiros. “Estamos satisfeitos por enquanto, mas a medida ainda vai passar pela Câmara”, afirmou Sérgio. Ele alerta que mudanças no texto podem reacender o movimento. “Se mudarem o que foi acordado, a categoria pode parar de novo”, avisa.
A expectativa é que a regularização do frete ajude a reduzir distorções no transporte, mas o impacto no preço final ainda depende de fatores como combustível e logística. Por enquanto, o cenário é de estabilidade após dias de incerteza no abastecimento.
Redação DIARINHO
Reportagens produzidas de forma colaborativa pela equipe de jornalistas do DIARINHO, com apuração interna e acompanhamento editorial da redação do jornal.
