Além do grupo que se juntou no pátio do posto, trabalhadores também teriam parado em casa e em pátios de estacionamento e postos na região. Empresas teriam orientado seus motoristas a não carregarem até uma definição da greve. A mobilização pode ganhar alcance nacional, conforme assembleia de sindicatos de caminhoneiros autônomos do Porto de Santos (SP), que discute a possibilidade de greve nesta quinta-feira.
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De acordo com o presidente do Sindicato dos Transportadores Autônomos de Cargas e Contêineres em Geral de Navegantes e Região (Sinditac), Vanderlei de Oliveira, a paralisação em Itajaí não depende de Santos. Ele destacou que a mobilização em Santa Catarina começou primeiro e depois iniciaram movimentações pra discutir as iniciativas em cada região.
“Como Santa Catarina já tinha alguns pontos locais para serem tratados, a gente deu o pontapé inicial. Depois, a questão da [pauta] nacional, o diesel, a questão da tabela mínima do frete e alguma coisa que a gente englobou junto com a nacional”, comentou, destacando que a expectativa agora é que o movimento venha a crescer e haja adesão da categoria inteira.
Conforme Vanderlei, as empresas estão respeitando o movimento, com muitas delas decidindo que não vão carregar, em apoio ao movimento. “Elas também estão sendo prejudicadas com esse aumento abusivo [do diesel]”, disse. As lideranças também estão na expectativa de que o governo federal publique a medida provisória com as ações para atender aos caminhoneiros.
Apoio à carga geral no porto gerou discórdia
A paralisação em Itajaí teve discussão entre as lideranças e trabalhadores sobre a inclusão de pautas locais que não têm a ver com os principais pedidos da categoria nacionalmente. O ato começou com cartazes pedindo apoio à movimentação de carga geral no Porto de Itajaí e contra a JBS Terminais, que depois foram retirados.
“Não podem usar a gente como escudo”, criticou um motorista, defendendo que o foco seja na tabela do frete e no preço do diesel. Os cartazes teriam partido da Associação Nacional do Transporte de Cargas (ANTC), mas o presidente da entidade, Joel Valmir Schubert, negou ter acontecido alguma orientação, embora considere a pauta local também importante.
O diretor do Sinditac de Navegantes, Dennis de Fassio Filho, explica que o impasse no porto é que a área da carga geral está sendo destinada pra navios de cruzeiro, o que prejudicaria portuários e transportadores autônomos. “Os embarcadores, os empresários da área de carga geral vão pra outros portos pra canalizar o transporte deles, onde o nosso pessoal do transporte aqui perde com isso”, detalha.
Dennis comenta que a reivindicação em prol da carga geral se junta a outros pontos que o sindicato está discutindo regionalmente pra resolver, como áreas de parada e espera, dando melhores condições aos caminhoneiros. “Alguns tópicos de movimento nacional estão casando com reivindicações regionais”, afirma. Ele ressalta, porém, que o foco nacional tem sido a tabela do frete e a alta do diesel.
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Para o presidente da ANTC, Joel Valmir Schubert, uma das lideranças que convocam a paralisação, a luta pela carga geral também é justa, porque afeta cerca de 90 caminhoneiros que trabalham no porto. “A pauta nacional é uma coisa. Isso aqui é uma briga interna. Simplesmente eu acho que, na minha opinião, aproveitaram a ocasião pra sair na mídia”, disse.
Ele considerou que a colocação dos cartazes foi “desnecessária”, mas não prejudica as outras reivindicações. “Porque uma coisa não tem nada a ver com a outra. A gente está brigando a nível nacional, que é tabela de preço mínimo de frete”, completou. Ainda pela manhã, o ato da paralisação reuniu caminhoneiros e portuários em frente à superintendência do Porto de Itajaí.