NAVEGANTES
Defesa de gerente de estaleiro pede investigação sobre morte de veterinária
Homem foi indiciado por violência psicológica
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
A defesa do gerente de manutenção de um estaleiro estrangeiro de Navegantes, de 38 anos, indiciado por auxílio ao suicídio qualificado, violência psicológica e posse ilegal de arma de fogo na morte da esposa, a médica-veterinária Laura da Silva Ney, de 30 anos, protocolou na semana passada um pedido de investigação complementar junto ao Ministério Público.
O inquérito da Polícia Civil concluiu que a morte da veterinária foi por suicídio, hipótese que sempre foi defendida pela defesa. No entanto, os advogados contestam pontos do relatório final enviado ao Ministério Público que indicam possível indução do marido à morte da esposa.
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Segundo o advogado Fabiano Oldoni, o pedido aponta falhas na condução do inquérito e questiona o indiciamento do cliente. “O pedido considera os equívocos cometidos pela autoridade policial na conclusão anterior, que resultou em uma prisão injustificada e ilegal por quase 30 dias. Agora, mais uma vez, o relatório final, de forma precipitada, apresenta um indiciamento sem provas, tornando o cliente vítima de acusações injustas”, afirmou. O acusado ficou preso entre outubro e novembro do ano passado.
Oldoni explicou ainda que o cliente foi ouvido apenas uma vez durante o curso das investigações e não foi novamente interrogado após a mudança na linha investigativa da polícia. A defesa pede que ele seja reinterrogado e que testemunhas indicadas, ainda não ouvidas, sejam incluídas nas diligências.
O advogado reforçou que o cliente permanece à disposição da Justiça e que confia que o aprofundamento das investigações permitirá esclarecer o caso e comprovar a inocência dele.
Laura foi encontrada morta dentro de casa por volta das 23h de um sábado, no dia 27 de setembro do ano passado. Vizinhos relataram à PM que ouviram dois disparos. O marido contou que encontrou a mulher caída no chão, com ferimentos a bala na altura do peito e a arma ao lado do corpo. O Corpo de Bombeiros Militar e o Samu foram chamados e tentaram reanimar a vítima, mas ela já estava morta.
Inicialmente, o caso foi registrado como suicídio. Durante a investigação, porém, surgiram indícios de que os disparos poderiam ter atingido o dorso da vítima. A partir da análise das provas, a polícia passou a investigar a possível influência de violência psicológica no desfecho do caso.
Após meses de investigação, com depoimentos de 10 pessoas, análise de imagens, documentos apreendidos e 16 laudos periciais, incluindo reprodução simulada dos fatos, a Polícia Civil concluiu o inquérito e o encaminhou à Justiça na quarta-feira passada.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
