A pesquisa teve origem em um trabalho de conclusão do curso de oceanografia da Univali, de autoria de Júlia Abrão Teixeira, responsável pelas análises. Também assinam o trabalho, como coautores, os professores Mauro Michelena Andrade e Jurandir Pereira Filho, além de Ricardo Utzig Nardi.
Continua depois da publicidade
O artigo analisou os fatores hidrodinâmicos que influenciam o transporte de nutrientes e a qualidade da água do estuário do rio Camboriú ao longo do tempo. A região da foz tem uma condição em que a água doce do rio se mistura com a água salgada do mar, com efeitos no movimento de nutrientes e na qualidade da água na baía da praia central.
Para o estudo, foram coletadas amostras de água da superfície e do fundo, para medir concentrações de nutrientes, materiais orgânicos e coliformes. As análises também consideraram variáveis como vazão do rio Camboriú, nível do mar, salinidade, temperatura, turbidez e oxigênio dissolvido.
A pesquisa comparou amostras coletadas em 1999 e 2020, feitas por cientistas da própria Univali, incluindo o professor Jurandir, com amostras de 2022. Todas as coletas foram nas marés de sizígia, período em que a diferença entre marés altas e baixas é mais acentuada e os fluxos de água são mais intensos. A condição é considerada a mais adequada pro monitoramento.
Resultados indicam despejo de esgoto e degradação ambiental
Os dados mais recentes, de 2022, indicaram altas concentrações de nutrientes, matéria orgânica e coliformes, principalmente na maré baixa. Segundo os pesquisadores, esse resultado pode estar associado ao lançamento de esgoto não tratados ou parcialmente tratados no sistema do rio Camboriú.
Também foram registrados episódios severos de baixa concentração de oxigênio na água. A condição que pode indicar processos de eutrofização e degradação da qualidade ambiental, segundo os especialistas.
A eutrofização é o excesso de substâncias como nitrogênio e fósforo na água, causando floração de algas e morte de peixes pela baixa oxigenação. O processo pode ser acelerado por esgoto irregular, dejetos de animais e resíduos como fertilizantes, que podem ser levados pro estuário por meio das chuvas.
“Esse processo pode provocar impactos significativos, como a morte de espécies nativas e a proliferação de algas e cianobactérias, algumas delas capazes de produzir substâncias prejudiciais à saúde”, explica Júlia Abrão Teixeira, responsável pelas análises.
Continua depois da publicidade
A comparação entre os dados coletados ao longo do período analisado indicou aumento nas concentrações de nutrientes e piora na qualidade da água entre 1999 e 2022, evidenciando um processo de degradação ambiental no rio Camboriú e na baía junto à foz, de acordo com a pesquisa.
Amostras em período crítico do tratamento de esgoto
A Secretaria de Meio Ambiente de Balneário Camboriú ressaltou que é preciso considerar que, entre 2020 e 2024, o tratamento de esgoto de BC passou por momentos críticos, afetando o rio Camboriú. Em novembro de 2022, ano da última coleta que embasou o estudo, o município chegou a registrar eficiência de apenas 15% na Estação de Tratamento de Esgoto (ETE).
Continua depois da publicidade
A situação não melhorou nos meses seguintes, com o relatório da Emasa apontando eficiência de 1% em janeiro de 2024. O cenário só teria mudado na nova gestão municipal, a partir de 2025. “A autarquia tem atuado incansavelmente na recuperação da estação de tratamento, chegando a atingir 94% de eficiência em julho de 2025”, informou a pasta.
“As próprias análises de balneabilidade da Praia Central da última temporada, que melhoraram muito, são provas inequívocas que a qualidade da água do Rio melhorou no último ano”, completou. Além da recuperação da eficiência no tratamento, a prefeitura, por meio da Emasa, destaca novos investimentos pra melhorar o saneamento da cidade.
Um deles é o Projeto Praia 100% Limpa, com obras iniciadas em outubro de 2025. Serão investidos quase R$ 3 milhões num novo coletor troncal, nova rede auxiliar e novos poços de visita. O plano prevê também a recuperação do principal emissário de esgoto da avenida Brasil e novas linhas auxiliares em pontos críticos
Continua depois da publicidade
Outra frente do projeto vai identificar e corrigir ligações clandestinas. A licitação pra contratação da empresa responsável deve ser lançada ainda em março. “A meta é reduzir o volume excedente tratado pelo sistema, que hoje chega a ser até 60% maior do que o esperado em função das infiltrações e das ligações incorretas”, afirma a prefeitura.
Além de obras, o município ressalta ações em educação ambiental, que ganhou uma gerência própria na Emasa. Entre as atividades, BC e Camboriú tem tocado iniciativas em conjunto, como a campanha “Todos pelo Rio Camboriú”, com a 2ª edição marcada para o próximo dia 22 de março.
Melhorias na ETE e nova estação
A Emasa segue com melhorias na ETE. No momento está em reforma um dos decantadores, num investimento de R$ 1,4 milhão para mais uma etapa do processo de modernização da estação. Também avança a obra do novo sistema preliminar de tratamento, com previsão de entrar em operação em julho deste ano.
“Com investimento superior a R$ 33 milhões, a obra é considerada uma das mais importantes intervenções de saneamento da cidade nos últimos anos, garantindo mais eficiência ao sistema e contribuindo diretamente para a preservação ambiental e a qualidade das águas de Balneário Camboriú”, segundo a autarquia.
O município receberá recursos do Novo PAC para nova ETE. O investimento é de cerca de R$ 95,2 milhões, sendo R$ 90,4 milhões em recursos do governo federal e R$ 4,7 milhões de contrapartida municipal. A estação terá capacidade de tratar 300 litros por segundo, garantindo maior eficiência na remoção de poluentes e proteção dos rios e do mar.
Link da íntegra da pesquisa aqui.