Professor Besnard
Navio oceanográfico que marcou época em Itajaí afunda no porto de Santos
Embarcação ícone da pesquisa científica em oceanografia e pesca estava atracada no porto santista, quando acabou submergindo parcialmente
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
Um dos navios de maior importância para a história dos estudos da oceanografia no Brasil nos anos 80 afundou na noite desta sexta-feira, dia 13 de março, na região do parque Valongo, no porto de Santos, litoral paulista.
É o navio Professor Wladimir Besnard, embarcação histórica que acabou se tornando um triste símbolo de como o país não cuida de suas estruturas de ensino.
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O navio estava atracado no porto santista, quando acabou submergindo parcialmente, segundo informou a jornalista Luna Almeida, do Diário do Litoral de Santos. O navio estava há anos parado na área portuária e apresentava sinais avançados de deterioração, com o casco afetado pela ferrugem e pela falta de manutenção.
Conhecido como Professor Besnard, ele foi o primeiro destinado aos estudos oceanográficos da Universidade de São Paulo, a USP, e um ícone da ciência brasileira. Construído na Noruega e entregue ao Brasil em 1967, foi utilizado por cerca de quatro décadas em pesquisas do Instituto Oceanográfico da USP. Fez mais de 150 expedições e recebeu o nome do cientista Wladimir Besnard, criador do então Instituto Paulista de Oceanografia.
Embora seu porto principal fosse Santos, a embarcação teve atuação intensa no litoral catarinense, especialmente entre as décadas de 70 a 90, quando, durante os primeiros 23 anos de operação (de 1967 até o início dos anos 90), o Besnard navegou praticamente sem interrupções.
Em Santa Catarina, integrou o projeto Ecosar, que possibilitou estudos da plataforma continental sul do Brasil, com coletas sistemáticas de plâncton, sedimentos e dados físicos da água. Aportava tanto em São Francisco do Sul quanto em Itajaí. Santa Catarina era um ponto estratégico de apoio devido à dinâmica das correntes na região.
O Professor Besnard ainda deu apoio à Proantar, de 1982 a 1988, se tornando o protagonista da primeira expedição brasileira à Antártida. Os portos catarinenses serviam como escala técnica ou abrigo em caso de frentes frias severas no Atlântico Sul. Há registros de sua presença em Santa Catarina até meados de 1997/1998, antes de sofrer problemas mecânicos graves que limitaram suas viagens longas.
Itajaí era referência
Em Itajaí, o porto local sempre foi um centro de referência para o navio devido à ligação da cidade com a pesca e a oceanografia (especialmente com a implantação do curso oceanográfico na Univali em décadas posteriores).
Luna Almeida informou que a embarcação, desativada desde 2008, permaneceu por anos sem definição sobre seu destino, mesmo após diferentes propostas envolvendo restauração, doação ou reaproveitamento. Uma das propostas era transformá-lo em museu no parque Valongo, preservando sua história de mais de 150 viagens científicas.
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Não há informações sobre vítimas e nem detalhamento ser o navio será consertado no próprio local.
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
