Direito na mão
Por Renata Brandão Canella - renata@brandaocanella.adv.br
Renata Brandão Canella é advogada previdenciarista , graduada em Direito pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), Mestre e Especialista pela UEL, Especialista em Direito do Trabalho pela AMATRA, palestrante, expert em planejamento e cálculos previdenciário e Presidente da Associação Brasileira dos Advogados Previdenciários (ABAP)
Perícia médica do INSS: o que não fazer
A perícia médica do INSS é um dos momentos mais importantes para quem busca benefícios ligados à saúde. Auxílio por incapacidade temporária, aposentadoria por incapacidade permanente, auxílio-acidente e até algumas modalidades de aposentadoria passam por essa avaliação.
Mesmo assim, muitas pessoas chegam à perícia sem saber exatamente o que vai acontecer. Entram na sala nervosas, respondem apenas o que o perito pergunta e saem com a sensação de que não conseguiram explicar tudo o que realmente vivem no dia a dia.
O primeiro ponto importante é entender que a perícia não analisa apenas o nome de uma doença. O que o perito precisa avaliar é como aquela condição afeta a capacidade de trabalho do segurado.
Por isso, um erro muito comum é a pessoa tentar parecer mais forte do que realmente está. Muitas vezes o trabalhador diz que consegue fazer determinadas atividades, quando na prática elas já se tornaram difíceis ou dolorosas.
Se existe dificuldade para carregar peso, ficar muito tempo em pé, permanecer sentado por longos períodos, dirigir, subir escadas ou realizar movimentos repetitivos, essas limitações precisam ser explicadas com clareza.
Outro erro frequente é não levar documentação médica suficiente. Laudos, exames, receitas, relatórios médicos e qualquer documento que comprove a evolução da doença ajudam o perito a entender melhor a situação.
Também é importante saber que o perito não observa apenas os exames apresentados. Durante toda a avaliação ele analisa os movimentos, a postura e a coerência entre o que o segurado relata e o que demonstra fisicamente. A forma de caminhar, sentar, levantar, subir ou descer da maca e até o modo como a pessoa movimenta os braços e a coluna dentro da sala de perícia podem ser observados. Por isso é importante agir com naturalidade e cuidado, evitando, por exemplo, carregar bolsas pesadas ou fazer movimentos que contradigam as limitações relatadas.
Outro ponto importante é que nem toda perícia é longa. Existem casos em que o médico faz poucas perguntas e a avaliação acontece rapidamente. Mesmo assim, o segurado deve aproveitar cada pergunta para explicar suas dificuldades e limitações.
Se o perito não examinar o paciente, não fizer perguntas ou não registrar corretamente as informações apresentadas, é possível buscar orientação e registrar reclamação, pois a avaliação médica deve seguir critérios técnicos e administrativos do próprio INSS.
A perícia médica não é apenas uma consulta rápida. Ela é a etapa que define se o trabalhador terá ou não acesso a um benefício previdenciário.
Por isso, chegar preparado e explicar claramente como a doença impacta o trabalho faz toda a diferença.
