Moradores dizem que a situação passou do limite. “Tem fezes espalhadas, resto de comida e um cheiro insuportável”, contou um vizinho ao DIARINHO. Parte da comida seria jogada para gatos na rua, mas acaba apodrecendo e atraindo insetos e outros animais.
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Segundo vizinhos, o problema já não é só pelos bichos e virou questão de saúde. No prédio vivem 10 famílias, com idosos, pessoas com dificuldade de locomoção, crianças com necessidades especiais e uma paciente com câncer.
De acordo com o protetor de animais Eduardo Capella, o caso tem sinais de dois quadros conhecidos: a síndrome de Diógenes, ligada ao acúmulo de lixo, e a síndrome de Noé, quando a pessoa junta muitos animais. Não há, porém, diagnóstico médico confirmado.
Prefeitura acompanha desde 2025
A prefeitura informou que acompanha o caso desde outubro de 2025, com atuação do Departamento de Proteção Animal (Depa), Bem-Estar Animal e Vigilância Sanitária. Na primeira vistoria, foram encontrados muitos gatos e acúmulo de objetos no apartamento.
Segundo o município, o morador contou que levou para casa os gatos e móveis após a morte de uma tia. Ainda em 2025, 18 gatos foram retirados e levados para a ONG Viva Bicho. Depois, oito gatos idosos foram castrados, com acordo para manter apenas animais castrados e mais velhos no local.
Em março deste ano, as ações foram retomadas. No dia 6, mais 20 gatos foram retirados e levados para a ONG. Outros quatro passaram por castração.
No dia 16 de março, a Vigilância Sanitária voltou ao imóvel e informou que o local estava limpo naquele momento, classificando a situação como regular. O órgão passou a fazer visitas semanais.
Mais animais foram retirados
Nesta semana, equipes voltaram ao local. Na segunda-feira, quatro gatos foram retirados. Na terça-feira, outros quatro saíram, chegando a 45 animais recolhidos.
Para quinta-feira, ficou combinado retirar mais dois gatos da família, enquanto a equipe tentava capturar outros três que vivem na área externa.
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Na visita mais recente, a Vigilância Sanitária encontrou novamente acúmulo de fezes e autuou os moradores, com prazo até quinta-feira para limpeza.
A diretora do Depa, Patrícia Ferreira, informou que a operação está na fase final e o número de animais pode chegar a 49 ou 50. Apenas os gatos mais velhos, já castrados e com apego aos moradores, devem permanecer no imóvel.
ONG acolhe os animais
A ONG Viva Bicho informou que já recebeu mais de 45 gatos do caso. Os animais passam por avaliação, testes, vacinação, castração e depois seguem para adoção.
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A entidade abriga mais de 160 gatos disponíveis e diz que esse tipo de recolhimento é gradual, principalmente com animais que vivem soltos.
Moradores cobram solução
Para moradores e protetores, não basta retirar os animais. A avaliação é que o caso precisa de ação conjunta entre saúde, assistência social e proteção animal para evitar que a situação se repita.
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Segundo Eduardo Capella, sem acompanhamento adequado, há risco de novos acúmulos. “Não adianta somente retirar os animais”, disse.
Caso virou confusão
As reclamações começaram antes da nova ação. O caso virou discussão entre moradores, ONG e autoridades.
Vizinhos criticam demora e a forma de atuação, com questionamentos sobre medidas adotadas. Há também divergências sobre falas de representantes do Depa e suspeitas envolvendo o trabalho de captura. Por outro lado, a ONG afirma que enfrentou dificuldades, como retirada de armadilhas usadas para capturar os gatos, e diz que o caso ganhou tom de perseguição.
No meio do conflito, moradores cobram solução definitiva, enquanto equipes afirmam que o problema exige tempo e acompanhamento contínuo.