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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Itajaí: Município “sem razão e utilidade pública”


Fora dessa maneira que a Câmara de Vereadores de Porto Belo, em informação prestada ao Presidente da Província de Santa Catarina a 16 de abril de 1855, buscou fulminar o requerimento feito por moradores das freguesias de Itajaí e Penha para a criação de um novo município com sede em Itajaí.

A freguesia do Santíssimo Sacramento de Itajaí pertencia ao grande município de Porto Belo, razão pela qual era preciso que sua Câmara Municipal se manifestasse a respeito. Os edis portobelenses descreveram a realidade da freguesia  de então. Ela carecia de homens habilitados para o exercício das funções públicas. Nela não existia nenhum edifício público para se celebrar atos de governo; nem a Igreja Matriz estava pronta. O lugar era insalubre, desabastecido de boa água. Os mortos eram sepultados no lodo e no pântano, por falta de terreno apropriado para cemitério.

E tentaram transferir a sede do novo município para Armação de Itapocorói, fora dos limites de Porto Belo, sob a alegação de ser lugar mais vistoso, alegre e acolhedor. Lugar, com boa Igreja, praça espaçosa, bom ancoradouro.

Na verdade, aqueles vereadores temiam o aniquilamento do município de Porto Belo, com a perda do promissor Vale do Itajaí. Mas as objeções levantadas contra a emancipação de Itajaí não ...

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A freguesia do Santíssimo Sacramento de Itajaí pertencia ao grande município de Porto Belo, razão pela qual era preciso que sua Câmara Municipal se manifestasse a respeito. Os edis portobelenses descreveram a realidade da freguesia  de então. Ela carecia de homens habilitados para o exercício das funções públicas. Nela não existia nenhum edifício público para se celebrar atos de governo; nem a Igreja Matriz estava pronta. O lugar era insalubre, desabastecido de boa água. Os mortos eram sepultados no lodo e no pântano, por falta de terreno apropriado para cemitério.

E tentaram transferir a sede do novo município para Armação de Itapocorói, fora dos limites de Porto Belo, sob a alegação de ser lugar mais vistoso, alegre e acolhedor. Lugar, com boa Igreja, praça espaçosa, bom ancoradouro.

Na verdade, aqueles vereadores temiam o aniquilamento do município de Porto Belo, com a perda do promissor Vale do Itajaí. Mas as objeções levantadas contra a emancipação de Itajaí não foram levadas em conta pela Assembleia Provincial, porque havia melhor visão de futuro no requerimento daqueles moradores de Itajaí que pediam o novo município. E a Resolução nº 464, de 4 de abril de 1859, acabou por criar o novo município com sede na Vila do Santíssimo Sacramento de Itajaí, cuja solene instalação se daria a 15 de junho de 1860.

Era certo que Armação de Itapocorói tinha localidade mais aprazível. Todavia, Itajaí tinha o porto para comercializar as riquezas do Vale, cujas atividades só faziam crescer. Com isso, juntavam-se mais gente e riquezas, a habilitar e qualificar pessoas e o lugar da sede do município.

Ao longo desses 161 anos de emancipação político-administrativa, que se vão completar no próximo dia 15 de junho – DIA DO MUNICÍPIO – Itajaí tem sabido muito bem aproveitar de sua estratégica posição geográfica (à beira-mar, na foz do rio, porta do Vale, meio caminho entre São Paulo e Rio Grande do Sul) e da infraestrutura viária (à margem da BR-101 e próximo à BR-470), de bens e serviços de que dispõe (porto, aeroporto, universidade), do povo operoso,  transformando-se na “Capital Logística” do sul do Brasil.

Certos, portanto, estiveram os moradores que subscreveram o requerimento de 1855, mesmo sabedores das necessidades de então da pequenina freguesia. Confiantes, todavia, no potencial estratégico do lugar,  das gentes que aqui labutavam e da crescente prosperidade econômica que a região vinha experimentando.

É essa visão de futuro  que fez nascer e fará sempre mais crescer Itajaí. 


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