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Por que somos tão agressivos?


Andamos pelas vias da vida meio sem destino, sem objetivos de longo prazo, sem conseguir produzir cenários futuros comuns, a nos procurar. Tateamos o personalismo profundo, particularidades infinitas, conquistas individuais privativas. Andamos com impulsos de problemas de ontem a serem resolvidos hoje, de instintos de competição no trabalho, nos relacionamentos. Como borboletas, pousamos postagens nas redes sociais, embora nosso interior seja ainda de lagarta. Por eliminação dos fatos objetivos, nos tornamos juízes das pessoas, dos ambientes, do planeta. Temos sempre uma opinião desnutrida de argumentos para afugentar nossa própria ignorância.

Vivendo em ambientes de pós-verdade, alimentamos um mundo interior de instabilidades. Tudo está resumido no individual, unidade motora da sociedade e elemento de força social. A família, outrora célula da sociedade, parece se desmanchar no ar. Por ser o indivíduo o “centro do mundo”, o sistema de pós-verdade ganha os contornos necessários para legitimar a opinião pessoal sobre qualquer assunto em qualquer momento. A pós-verdade é aquela situação segundo a qual os fatos objetivos perdem o poder de informar o indivíduo. Esses fatos objetivos sofrem distorções de acordo com a supremacia de apelos emocionais, crenças particulares, preferências autoprotetivas de cada um.

Na pós-verdade, a verdade não nasce dos fatos, da realidade que se mostra a nós, generalizável, cuja legitimidade se estabiliza pelas análises dos fenômenos [aquilo que se nos apresenta] e pela contração das preferências individuais. Os fatos informavam; os indivíduos interpretavam. Na pós-verdade, tudo se dá pelos desejos, por conveniências pessoais, pelas costuras do tecido social com linha limitada do costureiro. Nunca os psicólogos foram tão importantes!

Todo o processo de relações sociais, ao assumir o indivíduo como unidade de existência elementar, cria todas as condições necessárias para o negacionismo e a proliferação de desinformação ...

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Vivendo em ambientes de pós-verdade, alimentamos um mundo interior de instabilidades. Tudo está resumido no individual, unidade motora da sociedade e elemento de força social. A família, outrora célula da sociedade, parece se desmanchar no ar. Por ser o indivíduo o “centro do mundo”, o sistema de pós-verdade ganha os contornos necessários para legitimar a opinião pessoal sobre qualquer assunto em qualquer momento. A pós-verdade é aquela situação segundo a qual os fatos objetivos perdem o poder de informar o indivíduo. Esses fatos objetivos sofrem distorções de acordo com a supremacia de apelos emocionais, crenças particulares, preferências autoprotetivas de cada um.

Na pós-verdade, a verdade não nasce dos fatos, da realidade que se mostra a nós, generalizável, cuja legitimidade se estabiliza pelas análises dos fenômenos [aquilo que se nos apresenta] e pela contração das preferências individuais. Os fatos informavam; os indivíduos interpretavam. Na pós-verdade, tudo se dá pelos desejos, por conveniências pessoais, pelas costuras do tecido social com linha limitada do costureiro. Nunca os psicólogos foram tão importantes!

Todo o processo de relações sociais, ao assumir o indivíduo como unidade de existência elementar, cria todas as condições necessárias para o negacionismo e a proliferação de desinformação [conjunto de opiniões sem acervo científico ou sem a necessidade de verificação dos fatos – basta a opinião pessoal], para a cultura do “influencer” [síntese da opinião pessoal e da dependência de símbolos personalistas, do espetáculo e da estética como espelho da manipulação – basta a opinião repetitiva do “influencer”, uma espécie de algoritmo humano].

Na pós-verdade, a realidade é uma construção subjetiva, emocional [com todos os traços de transtornos psicológicos possíveis], individual que subordina os fatos às preferências individuais. Agora, cada um pode ter a opinião que quiser, simplesmente porque lhe é conferido o direito a opinião pessoal. “Minha opinião é que...” nasce da diminuição da realidade ao gosto individual. Fatos, realidade já não existem: valem as “versões” formadas pelos desejos.

Estamos prontos para o negacionismo, para a violência sempre que a frustração alucina as preferências e os desejos, para a controvérsia com os desatinos da agressividade, para o discurso populista, para o espiritualismo egoísta das recompensas personalistas e do “Deus vingativo”. Violência entre adolescentes e jovens, contra a mulher, e as pauladas nos animais têm a mesma origem ontológica.

A política e a vida social foram engolidas pela pós-verdade e todos os seus efeitos aos indivíduos. A imposição do individual, do pessoal, do personalíssimo, do emocional sobre fatos objetivos, da solidão de cada um em si mesmo a caminhar entre multidões nas calçadas, desfez primeiro a família como instituição-celular da sociedade. Era na família, na estrutura familiar que se traduzia a formação humana, onde os valores sociais e princípios morais eram construídos. Hoje, cada um com a sua escuridão do quarto e tela de relacionamentos pós-verdade, coloca à beira do penhasco as condições de sociabilidade segura. Nossa possibilidade de união se trama pela rivalidade, pelo combate: fontes de agressividade e violência. Amor? Talvez amor-próprio contra alguém.

 

Mestre em Sociologia Política


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