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Por Edison d'Ávila -

Itajaí (também) precisava da BR-59


Os mais novos nem são desse tempo. Mas quem já viveu muitas primaveras,  talvez se lembre da campanha “SC Precisa da BR-59”,  lançada em fevereiro de 1964 pelo jornal “A Nação”, edições de Itajaí e Blumenau, em favor da conclusão das obras da rodovia federal. A BR-59, em dezembro desse mesmo ano de 1964, seria renomeada para BR-101. Os maledicentes, por pilhéria,  passaram a propagar que na nova numeração os algarismos representavam os três estados dos sul e que Santa Catarina, sempre postergada em nível federal, era o zero do meio...

A campanha nascera motivada pela assinatura de contrato para a construção da ponte sobre o rio Tijucas, que fizera crescer a expectativa de que  as obras da rodovia engrenassem de vez e se concluíssem. Afinal, elas haviam começado em 1950!

Um dos principais eixos rodoviários brasileiros, com 4650 quilômetros de extensão, ela se inicia no Rio Grande do Norte e se finaliza em São José do Norte, no Rio Grande do Sul.

Para algumas cidades litorâneas catarinenses, Itajaí dentre elas, a construção da BR-101 retirou da malha urbana do centro  todo o tráfego interestadual, que por aqui passava. Até os anos de 1960, todos os veículos que vinham do norte em demanda do sul, ou no sentido contrário, transitavam pelas ruas centrais da cidade. Por exemplo, se vinham de Curitiba ou Joinville, em demanda de Florianópolis ou Porto Alegre,  ônibus, caminhões ou automóveis atravessavam com a balsa da Barra do Rio, o Itajaí-açu, depois, pela rua Blumenau, chegavam à Praça da Matriz ou pela avenida coronel Eugênio Müller, do porto, iam até a avenida Sete de Setembro e tomavam a direção de Balneário Camboriú. Hoje, nem se pode imaginar como tal poderia ser.

A travessia com a balsa da Barra do Rio deixou de ser feita após estar construída a ponte sobre o rio Itajaí-açu, em 1960, com 472 metros, que recebeu o nome de “Lauro Müller”, construção feita pela  Cobrazil, empresa instalada em Itajaí há 28 anos.  Até então, ser arrendatário da travessia do rio era ter  rentável fonte de ganhos, disputada sempre entre correligionários do governo do Estado.

As obras dessa “Federal”, como então se costumava chamar a rodovia, eram feitas por etapas, de modo que trechos ficavam prontos,  permitindo o trânsito e outros, não. Assim, no percurso Itajaí/Florianópolis, por exemplo, por muito tempo, ficou-se com a ponte do rio Tijucas e as obras do Morro do Boi a impedir o livre trânsito pela rodovia. As obras no Morro do Boi foram tão demoradas e custosas, que o ministro dos Transportes, Mário David Andreazza, ao inaugurá-las, exclamou desafogado: “ - matamos o boi!...”

Pois, neste ano de 2021, vai se completar o cinquentenário  da entrega ao tráfego de veículos da BR-101 em toda a sua extensão, desde a divisa com o Rio Grande do Sul até a cidade de Curitiba.

No “Anuário de Itajaí:  Cem Anos de Município”, de 1960,  já se afirmava que a rodovia “para Itajaí, reveste-se de capital importância”. Afirmativa que o tempo e a relevância da BR-101,  para que Itajaí se tornasse a “capital logística do sul”  só fizeram comprovar a sua inteira veracidade e visão de futuro. 


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