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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Natal, no ciclo das festas populares


Hoje, já não se tem mais o costume, nem mesmo muitos guardam lembrança, das tradições e festas, que a cultura popular do litoral catarinense secularmente ligava à grande festividade do Natal de Jesus. Mudaram as pessoas e mudaram os Natais. 

Antes, o ciclo de festas populares natalinas tinha início em 6 de dezembro,  Dia de São Nicolau.  O santo amigo das crianças e provedor de presentes, de quem, dizem, originou-se a figura do Papai Noel, tinha seu dia festejado com a criançada a fazer  “ninhos”  ornados com ervas e flores, nos quais  contava ganhar balas e outras guloseimas. Esse mesmo costume era repetido no Dia de Santa Luzia, 13 de dezembro, quando também se faziam iguais “ninhos” e se ganhavam os mesmos  bombons e doces. Antes de surgirem  balas, doces e chocolates, ganhavam os pequenos ovos de galinha cozidos e coloridos; daí porque se faziam “ninhos”.  Associar São Nicolau a presentes é costume quase universal. Contudo, a mesma associação à Santa Luzia parece ser uma tradição muito regional, da cultura popular de base luso-açoriana.

Afora esses entretenimentos infantis, havia, sobretudo,  entretenimentos populares, que começavam em dezembro e iam até o Dia dos Santos Reis, comemorado a 6 de janeiro,  os grupos com “bois-de-mamão” ou “paus-de-fitas” e as cantorias de “ternos-de-reis” e de Santo Amaro. Esses grupos,  acompanhados de elevado número de homens, mulheres e crianças, visitavam casas de famílias, exibiam-se em números de danças  e cantos, recebendo sempre boa acolhida e gratificada homenagem.

Os “ternos-de-reis” e os “bois-de-mamão”, em especial, eram os folguedos preferidos da época natalina. Existe “boi-de-mamão” em todo o Brasil com diferentes designações, mas sempre a mesma ...

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Antes, o ciclo de festas populares natalinas tinha início em 6 de dezembro,  Dia de São Nicolau.  O santo amigo das crianças e provedor de presentes, de quem, dizem, originou-se a figura do Papai Noel, tinha seu dia festejado com a criançada a fazer  “ninhos”  ornados com ervas e flores, nos quais  contava ganhar balas e outras guloseimas. Esse mesmo costume era repetido no Dia de Santa Luzia, 13 de dezembro, quando também se faziam iguais “ninhos” e se ganhavam os mesmos  bombons e doces. Antes de surgirem  balas, doces e chocolates, ganhavam os pequenos ovos de galinha cozidos e coloridos; daí porque se faziam “ninhos”.  Associar São Nicolau a presentes é costume quase universal. Contudo, a mesma associação à Santa Luzia parece ser uma tradição muito regional, da cultura popular de base luso-açoriana.

Afora esses entretenimentos infantis, havia, sobretudo,  entretenimentos populares, que começavam em dezembro e iam até o Dia dos Santos Reis, comemorado a 6 de janeiro,  os grupos com “bois-de-mamão” ou “paus-de-fitas” e as cantorias de “ternos-de-reis” e de Santo Amaro. Esses grupos,  acompanhados de elevado número de homens, mulheres e crianças, visitavam casas de famílias, exibiam-se em números de danças  e cantos, recebendo sempre boa acolhida e gratificada homenagem.

Os “ternos-de-reis” e os “bois-de-mamão”, em especial, eram os folguedos preferidos da época natalina. Existe “boi-de-mamão” em todo o Brasil com diferentes designações, mas sempre a mesma brincadeira. No entanto, a bernúncia, com sua bocarra, assustando mulheres e engolindo crianças desprevenidas, só existe no “boi-de-mamão” catarinense. Segundo o folclorista Nóbrega Fontes, foi em Itajaí que surgiu a primeira bernúncia e ficou definitivamente incorporada ao folguedo de todo o litoral de Santa Catarina.

Essas apresentações se constituíam em verdadeiras performances ao ar livre, em que artistas e plateia vivenciavam um clima lúdico, divertido e prazeroso.

Em verdade, esses eventos culturais, de bases folclóricas e  também religiosas, constituíam-se em rituais de passagem, que o Natal significa, no solstício do verão. O boa-nova do  nascimento do  Menino Jesus,  anunciado pelas cantorias dos “ternos-de-reis”, refazia as esperanças da comunidade num futuro melhor, numa sociedade mais justa, apregoados pelos valores do Cristianismo.

“Lá do céu desceu um anjo,

Veio na terra avisar.

E respondeu uma ovelha:

Cristo nasceu em Belém!”


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