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Verão em Jurerê


Conto-lhes o que foi o verão que passei em Santa Catarina, no balneário de Jurerê Internacional, Floripa. Sei que parece meio pretensioso. Metade do Rio Grande, ou mais, gostaria de veranear no litoral do simpático estado vizinho. Infelizmente, não é para todo mundo.

Do começo do ano até o Carnaval, Floripa teve duas temporadas distintas. Na primeira, um calor de fazer inveja a Porto Alegre nos seus piores dias: 37, 40 graus, suor às bicas, garganta seca, ressaca sem ter bebido, certeza de que o aquecimento global veio para ficar e nos deixar de miolo mole. A segunda, de sol escondido, chuvas e trovoadas, todas essas coisas que o veranista – atrás de curtir uma praia e pegar um bronzeado - detesta e quer distância.

Nem tudo se perdeu: fora os dias de calor insuportável e os chuvosos, deu uns três ou quatro dias bons, de verdade. As praias ficaram apinhadas. O trânsito enlouqueceu. Teve gente que nem chegou ao destino, desistiu no meio do caminho e voltou para casa sem botar o pé na areia. Quem chegou, deu graças a Deus de encontrar um cantinho onde estender a toalha e abrir o guarda-sol.

O trânsito de Floripa é barra pesada. Em qualquer direção, Norte (Jurerê), Leste (Lagoa) ou Sul (Campeche), nessa época você e o seu carro batem pino, trancados em filas quilométricas. O trajeto de Jurerê até o centro, que dá para fazer em 20 minutos, se torna uma escaldante aventura de mais de uma hora.

A volta do litoral das hordas de banhistas, turistas e farofeiros em geral, de qualquer uma das celebradas 42 praias da ilha, só tem comparação com os engavetamentos históricos de Laguna, no entorno das obras da ponte mirabolante do PAC da Dilma. As praias de Santa Catarina são imperdíveis. Na volta de feriados, porém, o trânsito fica mais para a retirada de refugiados em zona de guerra.

Jurerê, como Nova Iorque, não dorme. De noite, por causa das muvucas e baladas que infestam o bairro com música “bate-estacas”, que fere os tímpanos e o gosto musical. Tudo embalado ao ronco feroz dos motores de Ferraris, Lamborghinis e Maseratis, de ricaços que adoram ostentar seus carrões. Além, é claro, dos imitadores baratos, com seus carros menos exclusivos, mas não menos ruidosos, e dos playboys de periferia que também dão o ar da graça, em caminhonetes possantes e mesmo em modestos carros 1.0, armados de berrantes acústicos que afligem sem dó nossos pobres ouvidos.

Pode-se imaginar que, de dia, o feliz veranista de Jurerê vai até mais tarde no sono matinal ou tira uma soneca depois do almoço. Ledo engano. Além do som dos “beach clubes”, que começam a bater o martelo “tecno” lá pelas 10 da manhã, há o ruído ensurdecedor de helicópteros, que transportam – de onde não sei para onde - artistas globais, jogadores de futebol, celebridades, quase-famosos e novos ricos e outros coadjuvantes de menor categoria. Os helicópteros voam o dia inteiro, desde manhãzinha até 11 horas da noite. No verão e no Carnaval de Jurerê não ronca a cuíca, mas os motores de ensandecidas máquinas voadoras.

Então veranear em Jurerê é uma roubada? Não me entendam mal. Fora esses pequenos probleminhas, é um grande barato.


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