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Esquilos de Charlottesville


Charlottesville é uma pequena cidade do estado da Virgínia, Estados Unidos. Lá, o inverno – verão aqui – não é tão rigoroso como o canadense, mas a presença de neve é frequente nesse período. A cidade é organizada – como é a praxe americana – e abriga uma famosa universidade que leva o nome daquele Estado: Universidade da Virgínia.

Durante alguns meses de um inverno eu me presenteei com uma estada naquela encantadora cidade. Eu residia em um condomínio de maioria universitária, ao lado de um parque, cujos apartamentos abrigavam até quatro pessoas. Foi uma oportunidade ímpar para trocas de fascinantes experiências.

Dividi o apartamento com um sírio e um chinês, ambos médicos. O sírio empenhava-se em seu mestrado na universidade, enquanto o chinês era pesquisador.

Mas naquela cidade fria, embora novidades e trocas fossem uma constante dos meus dias, nada me fascinava mais do que os esquilos, esses pequenos roedores rabilongos que tanto me chamavam a atenção e eu não conseguia entender por quê.

Em meio aos grandes parques, eles eram uma atração à parte. Da janela do meu quarto, eu estava sempre pronto a reservar minutos observando-os correr, brincar, captar comida e subir em árvores. E, quando a neve dava espaço ao sol e a temperaturas menos rigorosas, com frequência um aparecia no quintal à procura do que comer.

Eles costumam “trabalhar” catando alimento para guardar para os dias de grande nevasca, quando se recolhem e não são vistos em lugar algum. Como ocorre no conto da formiga e da cigarra.

Enquanto sua procura não se findava no jardim, minha felicidade em vê-los estava garantida. Tudo naqueles roedores me despertava a alegria e encantamento, desde seus movimentos e rapidez para subir em árvores, até suas concentradas buscas pela comida no solo, o que lhes garantiria dias providos quando a neve e o frio voltassem.

Os esquilos eram a minha diversão mais frequente naquele inverno americano. Sempre havia a certeza do meu sorriso de admiração por algo que, no fundo, reflete a mais pura essência dos humanos: a busca de segurança num futuro incerto, que sempre pode ter invernos cada vez mais rigorosos.


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