Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 23/03/2026 09:43
O post de hoje nasce de uma tentativa de escrever não apenas sobre algo, mas como ele acontece.
Esse é um poema objeto — um tipo de poesia em que a forma visual do texto também comunica. Aqui, as palavras não estão organizadas de maneira tradicional. Elas se distribuem na página para criar movimento, direção, impacto.
Escolhi o furacão.
Uma força da natureza que não negocia, não explica, não escolhe. Ele simplesmente atravessa. Carrega tudo. Desorganiza tudo. E depois… silêncio.
Quis que o poema tivesse essa mesma dinâmica. Que o leitor não apenas lesse, mas sentisse o deslocamento, o giro, a perda de controle.
🌪️ Furacão
por Alfa Bile
📍 17 de março de 2026
Furacão
aparência: medo
varre — não explica
onde passa, vidas somem
pega o despreparado
vira a vida do avesso
o alto cede
roda — bailarina
mas não dança:
arranca
flores
ferro
casas
choro
sem dono
rico ou
pobre
não escolhe
chega
rasga
vai
silêncio
raízes expostas
vazio
O furacão não é apenas vento.
É desorganização absoluta.
Ele transforma o que era estrutura em fragmento. O que era casa em ausência. O que era vida em silêncio. E talvez o que mais assusta não seja a força — mas a indiferença.
Rico ou pobre, preparado ou não… não há critério.
Esse poema tenta capturar isso: o movimento, o impacto e, principalmente, o que fica depois.
O vazio.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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