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Cooperação e guerra


A Revolução Agrícola promoveu muitas mudanças na história da humanidade, especialmente na formação inicial da civilização humana. Há 12 mil anos os grupos humanos começaram a se fixar em determinados territórios e deixar a vida nômade por procura de alimentos [coletadores e caçadores]. As primeiras habitações foram construídas, e o crescimento da população fez nascer novos povoados [povo se caracteriza também pela fixação no ambiente].

As primeiras experiências decorrentes da domesticação de plantas e animais em pequenas tribos exigiram o aumento da cooperação social, dos vínculos de parentesco e sistemas de resolução de problemas e conflitos. Com o crescimento da população nos povoados e com a ampliação das diferenças entre as pessoas, torna-se necessário a criação de estruturas sociais mais amplas para responder aos novos desafios dos grupos sociais. A estrutura de parentesco tornou-se insuficiente e instituições políticas [sistemas de poder], sociais [interações], religiosas [espiritualidade e explicações metafísicas], grupos especializados em ataque e defesa [exércitos] surgem na formação civilizacional. Novos estratos sociais aparecem [nobres, reis, padres, trabalhos especializados] e sistemas de impostos [imposição de pagamentos] foram constituídos.

Diferentes de outros seres que exigem a adaptação genética como forma de sobrevivência, os humanos se destacaram pela combinação de tecnologias e transformação genética. Além das transformações biológicas, o desenvolvimento de tecnologias foram parte da adaptabilidade humana para se tornar “independente” da natureza: domesticação e cultivo controlado de grãos; instrumentos de aração [manuais ou por tração animal]; sistemas de irrigação e terraceamento em inclinações; domínio do uso do fogo para preparação de alimentos, instrumentos de trabalho e armas; sistemas de armazenamento de alimentos; uso do vento para navegação e da força da água para moer grãos; selas de animais para deslocamentos longínquos; criação do alfabeto para contabilidade, inscrições funerárias, reorganização da ideia, uso do tempo e da história e perpetuidade e acúmulo de conhecimentos úteis... Tudo isso provocou mutações biológicas [como a manutenção da lactase e consumo de leite mesmo na idade adulta naqueles grupos que domesticaram cabras, ovelhas e vacas tornando-os fonte móvel e permanente de alimento renovável; a digestão de amido e a inclusão de pão na dieta; ainda a formação de resistência e imunidade a doenças infecciosas devido ao contato contínuo entre membros de um povoado com aumento populacional.

Os povos se firmaram em territórios e passaram a intensificar a coesão social [intensidade de integração de seus membros] e a defender-se ou atacar os recém-criados inimigos humanos [outros ...

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As primeiras experiências decorrentes da domesticação de plantas e animais em pequenas tribos exigiram o aumento da cooperação social, dos vínculos de parentesco e sistemas de resolução de problemas e conflitos. Com o crescimento da população nos povoados e com a ampliação das diferenças entre as pessoas, torna-se necessário a criação de estruturas sociais mais amplas para responder aos novos desafios dos grupos sociais. A estrutura de parentesco tornou-se insuficiente e instituições políticas [sistemas de poder], sociais [interações], religiosas [espiritualidade e explicações metafísicas], grupos especializados em ataque e defesa [exércitos] surgem na formação civilizacional. Novos estratos sociais aparecem [nobres, reis, padres, trabalhos especializados] e sistemas de impostos [imposição de pagamentos] foram constituídos.

Diferentes de outros seres que exigem a adaptação genética como forma de sobrevivência, os humanos se destacaram pela combinação de tecnologias e transformação genética. Além das transformações biológicas, o desenvolvimento de tecnologias foram parte da adaptabilidade humana para se tornar “independente” da natureza: domesticação e cultivo controlado de grãos; instrumentos de aração [manuais ou por tração animal]; sistemas de irrigação e terraceamento em inclinações; domínio do uso do fogo para preparação de alimentos, instrumentos de trabalho e armas; sistemas de armazenamento de alimentos; uso do vento para navegação e da força da água para moer grãos; selas de animais para deslocamentos longínquos; criação do alfabeto para contabilidade, inscrições funerárias, reorganização da ideia, uso do tempo e da história e perpetuidade e acúmulo de conhecimentos úteis... Tudo isso provocou mutações biológicas [como a manutenção da lactase e consumo de leite mesmo na idade adulta naqueles grupos que domesticaram cabras, ovelhas e vacas tornando-os fonte móvel e permanente de alimento renovável; a digestão de amido e a inclusão de pão na dieta; ainda a formação de resistência e imunidade a doenças infecciosas devido ao contato contínuo entre membros de um povoado com aumento populacional.

Os povos se firmaram em territórios e passaram a intensificar a coesão social [intensidade de integração de seus membros] e a defender-se ou atacar os recém-criados inimigos humanos [outros povos que potencializavam riscos e perigos]. As soluções de problemas internos aos grupos se estabeleceram por meio do desenvolvimento do sistema político [leis, sistemas de punição e proteção institucional], por regras de convivência moral e ética [religião, regulamentos], sociais [determinações sobre leis de trabalho e consumo].

Na medida em que os princípios urbanos foram definindo as regras de convivência com suas determinações à vida individual e coletiva, as estruturas de parentesco e de proteção nos pequenos grupos [como a consideração da família como célula-tronco da sociedade moderna] se transformaram. O distanciamento social entre as pessoas é diretamente proporcional ao crescimento dos princípios urbanos à convivência social. As pessoas não estão mais tão interessadas no que acontecem aos outros porque não aprenderam a sentir os outros desde sua infância. Os pais com suas responsabilidades de trabalho [manutenção e ampliação de fontes materiais e financeiras] e de validação social [postagens e consumo de postagens nas redes sociais] não oferecem a inicialização à cooperação social e sentimento de empatia [capacidade de se colocar no lugar do outro, sentir o que ele estaria sentindo].

O odor metálico no ar proveniente dos mísseis caídos nas ruas, representados pela violência doméstica [física ou moral, de mulheres e de homens], no trânsito [cada motorista é um “homem-de-ferro”], pela ausência de gritos dos biomas pelos males sofridos pelos rios, mares, matas e florestas, e animais do mato e das águas, pelos animais domesticados [atendidos como membros consanguíneos em “terapia familiar” nas dissonâncias da empatia familiar ou na oferta de proteção que nos falta aos ecossistemas ou ainda na demonstração de “amor infinito” que não encontra fluxo entre os humanos de convívio imediato], nos dá o caldeirão de “guerra social” [concorrências sociais por vaidade e prepotência que caminham na dissimulação da realidade nas redes sociais e na vida institucional diária].

Diante de tantos “encontros desenganados”, Boitatá ressurge com “fome encantada” e apetite de proteção. O “espólio de violências” cartoriado na personalidade individual e manifestado no comportamento cotidiano é reflexo da estagnação do desenvolvimento humano, do afastamento entre as pessoas e do escrutínio concorrencial de se ver o outro como obstáculo, ou ainda pelo desejo de ser “influencer” [nova ocupação social de submissão do comportamento social e psicossocial].

As guerras entre nações já não nos espantam, embora nos atrapalhe no custo do litro do combustível – é todo o sentimento. A guerra concorrencial diária nos afunda tal qual os mísseis se afundam no chão das ruas de humanos em guerra.

 

*Parte deste artigo tem inspiração na obra “A Jornada da Humanidade: as origens da riqueza e da desigualdade, de Oded Galor, Rio de Janeiro; Intrínseca, 2023.

 

Mestre em Sociologia Política


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