Um caso de maus-tratos a um cachorro no bairro Nova Esperança, em Balneário Camboriú, revoltou moradores, virou caso de polícia e terminou com denúncia de ameaças contra quem chamou o socorro. Segundo a diretora da pasta, Patrícia Ferreira, o cão foi encontrado na rua, debaixo de sol forte, bastante debilitado e com sinais de intoxicação por cal de obra. O animal estava encolhido em um canto de sombra, com dificuldade para respirar e com os olhos, o nariz, a boca e as orelhas atingidos pelo produto, com aparência de necrose em alguns pontos. A ocorrência foi atendida na sexta-feira da semana passada pela Polícia Militar e pela Diretoria de Proteção Animal e Combate aos Maus-Tratos (Depa).
Patrícia contou que foi acionada por volta das 13h30 e, quando chegou, a PM já estava no local. Segundo ela, o homem apontado como dono do cachorro teria dito primeiro que queria entregar o animal ...
Patrícia contou que foi acionada por volta das 13h30 e, quando chegou, a PM já estava no local. Segundo ela, o homem apontado como dono do cachorro teria dito primeiro que queria entregar o animal para uma ONG porque ele “dá trabalho” e porque a família não tinha tempo de cuidar.
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Depois, ainda de acordo com a diretora, ele teria admitido que passou cal no cão porque o bicho estava com pulgas e carrapatos. Em seguida, mudou a versão e disse que tinha colocado cal no terreno e que o cachorro se rolou no produto.
“O animal estava bastante debilitado, tinha cal em todo o corpo, nos ouvidos, nos olhos, no nariz, na boca”, relatou Patrícia. Segundo ela, o cachorro foi levado para uma consulta, enquanto os policiais seguiram atendendo à ocorrência.
Hoje, o cão está na ONG Viva Bicho, ainda em observação, mas com melhora no quadro. “Ele já tá comendo, já mudaram as feições dele. Eu acho que ele vai ficar bem”, disse a diretora. Ela também afirmou que o animal já tinha cicatrizes antigas e sinais de que vinha sendo maltratado fazia tempo.
Vizinhos estão sendo ameaçados
O caso mexeu com a comunidade. Segundo o denunciante que procurou o DIARINHO, o agressor segue solto e a revolta aumentou depois que pessoas que ajudaram a denunciar a situação passaram a receber mensagens ameaçadoras.
Prints enviados à reportagem mostram frases como “Não é ameaça não, gatinha, você só vai ver a realidade nos seus olhos!”, “Já, já, eu chego! Mas não vai vir de mim não, relaxa! Não sujo minha mão de merda!” e “Vocês estão brincando com quem está quieto. É melhor vocês se colocarem nos seus lugares. Abaixar a guarda, porque as coisas não estão boas pro lado de vocês”.
PM foi chamada de novo
Segundo Patrícia Ferreira, depois do resgate a situação seguiu tensa no bairro. Ela afirmou que soube que a esposa do suspeito fez ameaças por telefone a vizinhos e denunciantes. Também relatou que a PM precisou voltar ao local depois, porque a comunidade ficou revoltada e o homem teria pedido ajuda para ser retirado de casa com segurança.
O DIARINHO procurou a Polícia Militar para entender a natureza do atendimento, se o suspeito chegou a ser conduzido, se foi feito apenas BO e se a corporação voltou ao local por causa das ameaças e da reação dos moradores.
Oito contatos diferentes ligados ao 12º Batalhão da PM foram procurados pela reportagem em várias tentativas, mas não houve resposta nem posicionamento oficial até o fechamento dessa matéria.
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Estado de saúde
Quase uma semana depois do resgate, o cachorro segue em recuperação e já ganhou até nome: Thor. Segundo Patrícia Ferreira, o animal apresentou melhora, mas ainda sofre com os efeitos da intoxicação. “Ele está bem. Mas as partes mais sensíveis, como os olhos e as mucosas, ainda estão bem queimadas”, explicou.
De acordo com ela, esse tipo de lesão pode continuar aparecendo com o passar dos dias. “O produto continua agindo no corpo. O estrago que fez na hora vai se apresentando ao longo do tempo”, disse. Mesmo assim, o quadro é considerado positivo.