FRAUDE
Golpistas usam nome da Havan e faturam meio milhão de reais em 24h
Operação da Polícia Civil cumpriu ordens judiciais em três estados nesta quinta
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
A Operação Dublê, da Polícia Civil de Santa Catarina, desmantelou um bando criminoso especializado em fraudes e lavagem de dinheiro pela internet. O grupo abriu de forma fraudulenta uma conta bancária em nome da empresa Havan S.A. numa plataforma de pagamentos, usando dados empresariais sem autorização dos representantes legais. Em um único dia, eles faturaram mais de meio milhão de reais.
Nesta quinta-feira, a polícia cumpriu 10 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Valinhos e Caraguatatuba, em São Paulo, além de Ponta Grossa, no Paraná, e Viçosa, em Minas Gerais. Com apoio das polícias civis de São Paulo, Paraná e Minas Gerais, a operação apurou que, em 14 de agosto de 2025, a conta fake recebeu cerca de R$ 576 mil em apenas 24 horas, valor enviado por vítimas de golpes em vários estados do país.
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Em seguida, o dinheiro foi transferido rapidamente para contas ligadas ao bando e distribuído em diversas transações para dificultar o rastreamento. A análise financeira identificou práticas típicas de lavagem de dinheiro, como divisão de valores, transferências sucessivas entre contas de terceiros, repasses imediatos de valores idênticos, uso de empresas para ocultar a origem dos recursos e dispersão sistemática do dinheiro entre os envolvidos.
Sete suspeitos foram identificados como responsáveis pela movimentação e ocultação dos valores, mas por enquanto não foram presos.
As ordens judiciais buscam provas, como celulares, computadores e documentos, para esclarecer o caso e identificar outros possíveis envolvidos.
Empresa e consumidores sofrem com o golpe, diz Hang
Em nota, o empresário Luciano Hang afirmou que o caso evidencia a dimensão do problema enfrentado pela empresa e pelos consumidores. “Em apenas 24 horas, esses criminosos já haviam movimentado mais de meio milhão de reais. Isso é inaceitável. Todos os dias surgem novos golpes para enganar nossos clientes, usando a credibilidade da Havan e também a minha imagem”, lamentou.
Segundo Hang, a empresa tem denunciado conteúdos falsos e cobrado providências das plataformas digitais. Ele informou que a Havan já obteve decisão judicial para a retirada de anúncios fraudulentos, mas as irregularidades continuam. “Já vencemos uma ação contra a Meta, dona do Facebook e do Instagram, por impulsionar conteúdos falsos. Mesmo assim, a ordem judicial segue sendo desrespeitada, com centenas de descumprimentos. Continuamos cobrando providências para barrar esses anúncios”, afirmou.
O empresário também alertou consumidores para que verifiquem sempre os canais oficiais antes de qualquer pagamento. “A Havan não realiza investimentos, não pede depósitos, não solicita transferências nem faz o cartão Havan de forma virtual, apenas presencial nas lojas físicas. Quando alguém vê esse tipo de anúncio, precisa desconfiar”, disse.
Hang destacou ainda que as comunicações oficiais estão apenas nos perfis verificados da empresa e de Luciano. Ele também elogiou o trabalho da polícia e afirmou que a empresa seguirá colaborando com as investigações.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
