Março é sempre um mês marcante para o MDB. Há seis décadas, em um cenário oposto à liberdade, o Movimento Democrático Brasileiro foi criado como o único partido de oposição legalmente constituído durante o regime militar.
Desde o início, o MDB se posicionou contrário ao modelo autoritário da ditadura, ficou conhecido como o “Partido do não”, exigindo o restabelecimento da democracia – com direitos garantidos a todos os brasileiros.
A batalha foi árdua. Nas eleições de 1970, o MDB sofreu uma derrota esmagadora. O que poderia ser motivo para desânimo, se transformou na ascensão de Ulysses Guimarães à presidência do partido, em 1971. O MDB não desistiu, passou a incomodar quem detinha o poder. Enquanto a ditadura reprimia, o MDB seguia firme e, com a liderança de Ulysses, o partido se renovou, adotou uma postura mais firme e defendeu a ideia de uma Assembleia Nacional Constituinte.
Em 1973, liderado por Ulysses, o MDB promoveu uma campanha que percorreu o Brasil com ideais democráticos, denunciando a farsa do Colégio Eleitoral. A anticandidatura foi o ponto de virada para a vitória histórica nas eleições legislativas de 1974, elegendo 165 deputados. O MDB se tornava, cada vez mais, a voz daqueles que a ditadura perseguia para calar.
O fortalecimento do partido incomodou mais uma vez, foi então que o presidente Figueiredo acabou com o bipartidarismo para dividir a oposição em partidos menores. Resiliente, o “MDB velho de guerra” se manteve firme e reagiu, acrescentando o P a sua sigla, mantendo a base e os compromissos históricos.
Mais forte, liderou as “Diretas Já” em 1984. O PMDB foi incansável na construção dos pilares da redemocratização do nosso país. E essa luta não passou despercebida. Em 1986, elegeu 22 dos 23 governadores, conquistou a maioria absoluta e teve atuação fundamental na Assembleia Nacional Constituinte, quando Ulysses Guimarães – presidente da Constituinte – entregou aos brasileiros a “Constituição Cidadã”, em 1988, um marco final da luta peemedebista pela institucionalização do Estado Democrático de Direito.
O mais longevo partido do Brasil chega aos 60 anos como uma das legendas mais capilares do país. O MDB tem três governadores, oito vice-governadores, 13 senadores – sendo a senadora Ivete Appel da Silveira a representante catarinense e 42 deputados federais, sendo três catarinenses. Em Santa Catarina, o partido elegeu seis deputados estaduais na última eleição.
Nas eleições municipais de 2024, o MDB consolidou sua posição como o maior partido do Brasil, ocupando o primeiro lugar no ranking, com 9684 eleitos pelo voto direto. É o segundo partido com o maior número de prefeituras no Brasil: são 855 prefeitos, e desses, cinco prefeitos são de capitais brasileiras. É também a legenda que mais elegeu vice-prefeitos no último pleito, com 808 vices.
Os motivos para comemorar não param por aí. O MDB é o partido que mais elegeu vereadores, alcançando a marca de 8100 cadeiras no legislativo. As mulheres têm espaço e o partido lidera com 1814 eleitas, entre prefeitas, vice-prefeitas e vereadoras.
Em Santa Catarina, o MDB conquistou, na última eleição, 70 prefeitos, 59 vice-prefeitos e quase 750 vereadores em diferentes regiões do estado. Os números demonstram a força do MDB que possui uma base de mais de dois milhões de filiados.
É essa atuação que dá sustentação para celebrar 60 anos de história. Uma história sempre marcada pela responsabilidade na política brasileira. O MDB segue com protagonismo político e caráter plural, comprometido com a Democracia e atento para garantir oportunidades para todos os brasileiros.
* O autor é deputado federal e presidente do MDB em Santa Catarina