Soluções inovadoras orientam o setor, exigem eficiência, reduzem custos operacionais e ampliam desempenho em projetos cada vez mais complexos e integrados (Paulo Giovany)
A construção civil passa por uma transformação impulsionada pelo avanço das tecnologias digitais e por novos modelos de gestão. Ferramentas como modelagem de dados, simulações computacionais e inteligência artificial começam a mudar a forma como edifícios são planejados, projetados e executados. O movimento, chamado de inteligência construtiva, quer tornar as obras mais eficientes, sustentáveis e economicamente viáveis.
Grandes construtoras e escritórios de arquitetura já utilizam recursos como Building Information Modeling (BIM), análise de dados e simulações digitais no desenvolvimento de projetos. ...
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Grandes construtoras e escritórios de arquitetura já utilizam recursos como Building Information Modeling (BIM), análise de dados e simulações digitais no desenvolvimento de projetos. Mesmo assim, muitas empresas de menor porte ainda trabalham com métodos tradicionais, o que mostra que o setor vive uma fase de transição.
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Em Santa Catarina, o cenário é considerado favorável à inovação. A presença de polos tecnológicos, universidades e um mercado imobiliário em expansão ajudam a acelerar a adoção de novas tecnologias na construção civil.
Nas universidades, o tema começa a ganhar espaço na formação profissional. Disciplinas ligadas à transformação digital da construção são incorporadas aos cursos e integram ferramentas tecnológicas aos processos de projeto. Nesse contexto, arquitetos e engenheiros precisam desenvolver novas competências, como o domínio de plataformas digitais de projeto e gestão, análise de dados e trabalho integrado entre arquitetura, engenharia e tecnologia.
A professora da Escola Politécnica da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), Anita Maria da Rocha Fernandes, doutora em Engenharia de Produção e mestre em Ciência da Computação, explica que a inteligência construtiva representa uma mudança importante para o setor.
“Refere-se ao uso de dados, modelos digitais e inteligência artificial para melhorar o planejamento, o projeto, a execução e a gestão de obras, tornando as edificações mais eficientes, sustentáveis, seguras e economicamente viáveis”, afirma.
Segundo a especialista, enquanto no passado o projeto arquitetônico dependia quase exclusivamente da experiência do profissional, hoje ferramentas digitais permitem simular diferentes cenários antes mesmo do início da obra. Softwares conseguem avaliar, por exemplo, a incidência solar ao longo do ano e orientar o posicionamento de janelas e brises para reduzir o uso de ar-condicionado.
Além de melhorar a eficiência dos projetos, a inteligência construtiva também ajuda a reduzir o impacto ambiental da construção civil. Modelos digitais permitem calcular com mais precisão a quantidade de materiais necessária, diminuindo sobras e desperdícios.
Para o arquiteto Yan Schons, a inovação tecnológica também influencia diretamente as soluções arquitetônicas. Ele cita o uso do concreto ripado aparente nas fachadas, que cria identidade estética e tem alta resistência às intempéries, reduzindo a necessidade de manutenção.
Outro conceito cada vez mais presente nos projetos é a biofilia, que integra elementos naturais e vegetação aos ambientes construídos. Segundo o arquiteto, a presença de áreas verdes melhora a qualidade do ar, contribui para a regulação térmica e promove bem-estar aos moradores. Para ele, a combinação entre tecnologia, sustentabilidade e design arquitetônico tende a redefinir o padrão dos empreendimentos urbanos nos próximos anos.
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Sistema BIM (Building Information Modeling)
O BIM é um modelo digital da edificação que integra informações de arquitetura, estrutura e instalações elétricas e hidráulicas em um único ambiente. A tecnologia permite detectar conflitos antes da execução da obra — como um tubo passando por uma viga —, calcular automaticamente quantidades de materiais e simular o cronograma da construção. No Brasil, o uso do BIM é incentivado pelo governo federal por meio da Estratégia BIM BR.
IA e análise de dados
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Ferramentas de Inteligência Artificial (IA) analisam grandes bases de projetos para prever custos de construção, estimar prazos e identificar riscos no planejamento. Empresas do setor já utilizam IA para antecipar atrasos em obras com base em dados históricos e condições climáticas.
Automação e robótica na construção
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Tecnologias como impressão 3D de estruturas em concreto, robôs para assentamento de tijolos e drones para inspeção e monitoramento já começam a ser utilizadas em obras. Essas soluções aumentam a produtividade e reduzem riscos para os trabalhadores.
Internet das Coisas (IoT)
Sensores instalados nos edifícios permitem monitorar consumo de energia, temperatura e uso dos espaços. Esses dados ajudam a otimizar a operação do prédio ao longo de sua vida útil.
Estruturas para carregamento de carros elétricos
São sistemas físicos e tecnológicos que permitem recarregar baterias de veículos elétricos ou híbridos plug-in. Funcionam como estações de energia específicas para automóveis, responsáveis por fornecer e controlar o fornecimento de eletricidade com segurança.
Fachadas ventiladas e isolamento térmico
São soluções construtivas que melhoram o desempenho energético, o conforto térmico e a durabilidade das edificações. Esses sistemas são cada vez mais utilizados em projetos contemporâneos, especialmente em edifícios de médio e alto padrão.
Eficiência energética
Simulações computacionais permitem prever consumo energético, ventilação natural e conforto térmico das edificações. Com isso, é possível projetar edifícios que dependam menos de ar-condicionado e iluminação artificial, reduzindo o consumo de energia ao longo do tempo.
Fachadas ventiladas
São sistemas arquitetônicos capazes de regular automaticamente a relação entre o ambiente externo e o interior do edifício, controlando fatores como luz natural, calor, ventilação e consumo de energia por meio de sensores, automação e materiais de alto desempenho.
Redução de resíduos de obra
A construção civil gera grande volume de resíduos urbanos. Com planejamento digital e industrialização da construção, é possível reduzir significativamente o desperdício. Métodos construtivos modulares e pré-fabricados contribuem para minimizar perdas de materiais.
Gestão inteligente do edifício
Após a construção, sensores e sistemas digitais monitoram consumo de energia e água, permitindo ajustes contínuos no funcionamento do edifício e maior eficiência operacional.
Elevadores inteligentes
São sistemas de transporte vertical que utilizam tecnologia digital, automação e softwares de gestão de tráfego para tornar o deslocamento nos edifícios mais rápido e eficiente. O sistema organiza automaticamente o fluxo de passageiros, reduzindo tempo de espera e consumo de energia.
Reuso de água e gestão energética
O reuso de água consiste na captação, tratamento e reutilização da água dentro da edificação, reduzindo o consumo de água potável da rede pública. Já a gestão energética envolve o monitoramento e a otimização do consumo de energia por meio de sistemas inteligentes que acompanham o uso em tempo real, diminuindo desperdícios.
Piso com manta acústica
Sistema construtivo utilizado para reduzir a transmissão de ruídos entre pavimentos, especialmente ruídos de impacto, como passos ou arrastar de móveis. Consiste na instalação de uma manta isolante entre a laje estrutural e o revestimento do piso.
Proteção contra corrosão
Conjunto de técnicas e materiais utilizados para evitar ou reduzir a deterioração de metais, principalmente o aço, quando expostos à umidade, ao ar ou a agentes químicos. Em regiões litorâneas, como no litoral de Santa Catarina, essa proteção é fundamental devido à ação da maresia.
Concreto de alta resistência
O concreto de alta resistência (CAR) é desenvolvido para suportar cargas superiores às do concreto convencional, oferecendo maior resistência mecânica, durabilidade e desempenho estrutural. Sua principal característica é a elevada resistência à compressão.
O uso de impressoras 3D vem conquistando a indústria da construção civil (Hubic/USP)
Reportagens produzidas de forma colaborativa pela equipe de jornalistas do DIARINHO, com apuração interna e acompanhamento editorial da redação do jornal.
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