Um projeto criado por mulheres da comunidade vem mudando histórias em Itajaí. Há dois anos, o Bela Trancinhas abre espaço para que moradoras aprendam uma profissão, ganhem confiança e encontrem uma nova chance de renda. Tudo de forma gratuita, no centro comunitário do bairro Nossa Senhora das Graças.
A iniciativa é coordenada por Naghyla Miranda e Marisse Dionísio e funciona com trabalho voluntário de instrutoras que doam tempo e conhecimento para ensinar outras mulheres. Mais de 100 alunas já ...
A iniciativa é coordenada por Naghyla Miranda e Marisse Dionísio e funciona com trabalho voluntário de instrutoras que doam tempo e conhecimento para ensinar outras mulheres. Mais de 100 alunas já passaram pelos cursos, oficinas e encontros promovidos pelo projeto.
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As aulas são aos sábados à tarde e voltadas a moradoras de Itajaí com mais de 16 anos. Cada turma tem entre 10 e 15 vagas, o que permite acompanhamento mais próximo das alunas. Mesmo assim, a procura costuma ser maior que a oferta, e muitas mulheres aguardam a abertura de novas turmas.
O Bela Trancinhas oferece cursos na área da beleza, como tranças Nagô, manicure, esmaltação em gel, molde F1, extensão de cílios e design de sobrancelhas. Como o projeto é social e sem fins lucrativos, cada participante precisa levar os materiais básicos do curso escolhido. Para ajudar nessa etapa, o projeto tem parcerias com lojas que oferecem desconto às alunas.
Nas aulas, muitas mulheres aprendem um novo ofício e também recuperam a confiança para recomeçar. Ao longo desses dois anos, várias alunas passaram a atender em casa, criar renda própria ou reforçar o orçamento da família. Algumas seguiram ligadas ao projeto e hoje ajudam nas atividades ou atuam como instrutoras voluntárias.
É o caso de Katia Moreira, que entrou como aluna e hoje atua como auxiliar do projeto, e de Emely Pereira, que se tornou instrutora voluntária nos cursos de esmaltação em gel e molde F1.
As inscrições são divulgadas nos stories do Instagram @projetobelatrancinhas e ficam disponíveis por 24 horas. Depois disso, a equipe entra em contato com as interessadas para organizar as turmas. Também é possível se inscrever pessoalmente na recepção do centro comunitário à tarde.
Sem apoio financeiro fixo da prefeitura ou de instituições, o projeto segue com trabalho voluntário e apoio da comunidade. Quem quiser ajudar pode se tornar madrinha ou padrinho do Bela Trancinhas, contribuindo com um valor simbólico ou com itens para os encontros, como café, bolo e pães.
Totalmente independente, sem CNPJ ou estrutura jurídica, o Bela Trancinhas cresce no boca a boca e no esforço coletivo, abrindo portas para mulheres que muitas vezes só precisavam de uma chance para começar.