ITAJAÍ
"Cemitério de carros" começa a ser desmanchado na Barra do Rio
Acordo entre prefeitura e governo do estado leva mais de 50 veículos para terreno provisório
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
Dezenas de carros apreendidos que estavam espalhados pelas ruas da Nova Brasília, no bairro Barra do Rio, em Itajaí, começaram a ser retirados na manhã desta quinta-feira após acordo entre prefeitura, forças de segurança e governo do estado.
Os veículos estavam estacionados nas ruas desde 2022, após o fim do convênio com a empresa responsável pelo recolhimento e armazenamento. Sem contrato e sem pátio disponível, os carros ligados a processos criminais passaram a ficar sob custódia do estado, mas permaneceram estacionados e abandonados em ruas.
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Com o acordo, os veículos começaram a ser levados para um terreno atrás da rodoviária de Itajaí, no bairro Cidade Nova. O diretor da Vigilância Sanitária de Itajaí, Silvio Schaadt, explicou que o município cedeu o espaço enquanto o processo judicial continua.
“A gente está tirando do meio dessa comunidade, que já estava há quatro anos sofrendo com esses carros e havia várias denúncias na Vigilância Sanitária. A vigilância notificou e deu prazo de 90 dias. Depois reunimos forças de segurança, Codetran, Vigilância Sanitária, equipe de combate à dengue, Polícia Civil e Ministério Público e resolvemos o problema com o município cedendo esse terreno”, disse Silvio.
Segundo ele, os veículos devem permanecer no local por até seis meses, prazo previsto para a conclusão do processo. A retirada começou na manhã de quinta-feira nas ruas Davi Adão Schmitt, Paraguai e na travessa Júlio Wippel.
Após a remoção dos carros, a secretaria de Obras fará a limpeza geral das áreas. “Essa sujeira que está ficando na retirada dos carros será limpa pela secretaria de Obras, que também vai organizar os canteiros”, completou Silvio.
O advogado Leandro Hahn, que acompanha o caso há anos, afirmou que procurou o prefeito Robison Coelho (PL) e a procuradoria do município para buscar uma solução junto ao governo do estado.
Segundo ele, a mobilização de moradores, empresários e da imprensa ajudou a pressionar por uma solução. “Ao que parece, as tratativas entre município e estado avançaram e os carros começaram a ser removidos. Foi um caminho longo de negociações, mas com um desfecho positivo para a comunidade que convive com o problema”, afirmou.
Sujeira, furtos e dengue
O DIARINHO noticia o caso há quatro anos. No começo de fevereiro, a reportagem esteve novamente na Nova Brasília e contou mais de 50 carros, a maioria sucata já depenada, estacionados no entorno da Central de Plantão Policial (CPP).
Os carros viraram alvo fácil para ladrões, que deixaram muitos veículos sem rodas, com vidros quebrados ou abertos, portas e porta-malas escancarados, peças retiradas e sinais de depredação.
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Além de deixar o bairro com aspecto de abandono e sujo, os veículos acumulavam água da chuva e sujeira, favorecendo criadouros do mosquito transmissor da dengue, zika e chikungunya. Com isso, a atuação da vigilância sanitária foi determinante para a solução do problema enfrentado há quatro anos.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
