Fé
Mães de Itajaí narram emoção ao receber mensagens dos filhos falecidos
Elas integram projeto que traz o médium Nilton Stuqui a Cabeçudas
Juvan Neto [editores@diarinho.com.br]
Mães enlutadas, diante daquele que é considerada a maior dor que pode existir – a morte de um filho – provam que, quando há fé e espiritualidade, a força pode surgir da esperança. Em Itajaí, um grupo de mulheres que passou por essa difícil experiência integra o “Projeto Ressignificando Vidas” e tem publicado na internet mensagens de luz, paz e esperança, após receber cartas de médiuns espíritas como Nilton César Stuqui, que está em Itajaí neste fim de semana para mais uma chamada “sessão de cartas consoladoras”.
Uma dessas mães itajaienses é Vera Doring, que viu partir seu filho, Luiz Henrique. Ela recebeu uma carta mediúnica em que ele trouxe detalhes da vida em família. Vera afirma ter acreditado no conteúdo. “Faz dois anos e meio que perdi o Luiz Henrique. Não perdi, eu o devolvi a Deus”, destacou em vídeo. Segundo ela, a carta representou um alívio para sua dor e a motivou a participar do projeto para consolar outras mães. “E ter forças para continuar vivendo”, disse.
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Há também Flávia Silva, mãe de Evelyn, que faleceu aos 10 anos de idade, em 2021. Após receber a primeira carta de sua filha, a menina teria pedido que a mãe ajudasse o próximo “mesmo no momento da dor”, segundo Flávia, que também se tornou voluntária do projeto.
A organizadora do trabalho de acolhimento e apoio ao luto em Itajaí é Sibele Cavanha, conhecida como Bel. A ideia de buscar nas cartas mediúnicas um ponto de esperança surgiu após a morte de sua filha, Desiree, em um acidente de moto, em 2022. “A emoção que senti quatro meses após o desencarne da minha filha, por meio do Nilton Stuqui, traz a gente um pouquinho de volta à vida”, relata. Segundo ela, as cartas costumam trazer muitos detalhes familiares — no caso de Bel, expressões que eram usadas apenas entre mãe e filha.
O médium Nilton César Stuqui está em Itajaí hoje e amanhã, em sessões das chamadas “cartas consoladoras”, nas quais afirma receber relatos de outro plano da vida por parte de espíritos. Stuqui ganhou notoriedade por psicografar cartas atribuídas a jovens que morreram na tragédia da Boate Kiss, no Santa Maria, em 2013.
A atividade ocorrerá na sede da Associação dos Servidores Públicos do Porto de Itajaí, na rua Deputado Francisco Evaristo Canziani, nº 887, no bairro Cabeçudas. A entrada é gratuita. Doações de alimentos não perecíveis são sugeridas, e haverá distribuição de senhas a partir das 9h.
Natural de Monte Aprazível, Stuqui começou a estudar a doutrina espírita aos 14 anos, em 1990, após experiências mediúnicas marcantes, e iniciou sua prática de psicografia no ano 2000.
Ele administra a Casa Espírita Gabriel Martins (CEGM), criada em homenagem ao jovem desencarnado Gabriel Martins, que teria passado a se comunicar com o médium e inspirado diversas obras de mensagens espíritas. A casa mantém atividades doutrinárias, assistenciais e também uma editora.
Atualmente, o médium percorre diversas cidades do Brasil realizando encontros e sessões mediúnicas. Entre as obras psicografadas por Stuqui, uma chama atenção: o livro “Nossa Nova Caminhada”, da editora CEGM, que reúne mensagens recebidas por ele e outros três médiuns, atribuídas a sete jovens que morreram na tragédia da Boate Kiss, ocorrida em 27 de janeiro de 2013.
Juvan Neto
Juvan Neto; formado em Jornalismo pela Univali e graduando em Direito. Escreve sobre as cidades de Barra Velha, Penha e Balneário Piçarras.
