TRAGÉDIA EM SC

Comunidade faz vaquinha pra ajudar família de turista desaparecido em Cabeçudas

Comunidade denuncia retirada de um posto salva-vida do local

Wendel trabalhou como estagiário na Globo até dezembro (Foto: Acervo pessoal)
Wendel trabalhou como estagiário na Globo até dezembro (Foto: Acervo pessoal)

A família do turista Wendel de Souza Oliveira, de 21 anos, que sumiu no mar da praia de Cabeçudas ao meio-dia de quarta-feira, está pedindo ajuda com despesas repentinas desde a tragédia. De origem simples, os familiares estão fazendo uma vaquinha para trazer a mãe do jovem a Itajaí.

Doações podem ser feitas via pix para o número (47) 99734-6491, em nome de Patrick Wilian de Sousa Silva, primo da vítima e que estava recebendo Wendel na casa de sua mãe. 

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Wendel era ex-estagiário da Rede Globo, onde até dezembro atuou na digitalização de arquivos no projeto “Memória” da Fundação Roberto Marinho, pelos 25 anos do Canal Futura. A família mora em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

Moradores de Cabeçudas relataram ao DIARINHO que a tragédia deixou a família e a comunidade devastadas. Wendel estava passando alguns dias de férias na cidade, hospedado na casa de uma tia, e retornaria ao Rio de Janeiro nesta quinta.

 “Ele veio do Rio visitar a gente aqui em Santa Catarina, nunca tinha vindo. O meu tio, que é do Ceará e está aqui há pouco tempo, estava na praia com ele. Ele ia embora hoje [quinta]. Meu tio resolveu chamar ele pra ir à praia e ele se afogou”, contou Patrick.

A vaquinha busca ajudar com os custos da família em Itajaí. “A gente já conseguiu a passagem para a mãe e os irmãos dele. São dois irmãos, um menino e uma menina. Eles já estão vindo. Uma moradora que é dona de hotel se sensibilizou com a situação e ofereceu hospedagem. Agora, os custos são para a transferência do corpo para o Rio, quando a gente o encontrar, e também para ajudar com despesas de viagem e funeral”, completa Patrick. O primo lembra com orgulho que Wendel era estagiário da Rede Globo, e que o contrato tinha encerrado há pouco tempo.

Buscas pelo corpo

As buscas ao corpo do turista foram retomadas na manhã desta quinta-feira com o uso de embarcações, moto aquática e apoio de guarda-vidas. Wendel se afogou entre o posto 3 e o cadeirão de apoio de praia. Segundo os familiares, ele tentou furar uma onda, mas não conseguiu apoio no fundo e acabou se afogando.

O tio, que estava na areia, percebeu a situação e tentou pedir ajuda. Ele pegou uma prancha infantil de bodyboard e entrou no mar para tentar resgatá-lo, mas não conseguiu alcançá-lo a tempo. Segundo ele, viu o sobrinho afundar e desaparecer diante dos seus olhos.

Um guarda-vidas civil, que estava no posto de observação, correu para prestar socorro, mas Wendel já havia submergido. As buscas iniciais foram feitas por apneia no local do desaparecimento, além de buscas de superfície com moto aquática e apoio de outros guarda-vidas. O helicóptero Arcanjo 3 também atuou nas buscas por cerca de uma hora logo após o afogamento.

No fim da tarde de quarta-feira, o mar apresentou fortes correnteza, impossibilitando a continuidade das buscas com mergulhadores. Os trabalhos foram retomados nesta quinta, mas até o início da tarde o corpo ainda não havia sido localizado.

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Moradores questionam retirada de posto de guarda-vidas

A morte de Wendel gerou indignação entre os moradores de Cabeçudas, que denunciaram a retirada do segundo posto de guarda-vidas da praia, justamente em frente ao local do afogamento.

Segundo os moradores, o posto teria sido removido no fim de 2024, a pedido de moradores de casas à beira-mar que alegavam prejuízo à vista. “Está todo mundo criticando os guarda-vidas, mas não oferecem estrutura. Tem um posto e uma cadeira, mas não tem como ficar na cadeira. Quando tiraram o posto, houve reclamações no grupo de moradores, mas poucos se manifestaram. Agora que a tragédia aconteceu, todos reclamam. Mas é preciso cobrar estrutura decente para eles trabalharem, porque agora não tem ninguém”, desabafou uma moradora.

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A corporação não confirma que a retirada tenha ocorrido em função de pedido de moradores. “A remoção se deu em razão de que a estrutura do posto não oferecia mais condições de trabalho aos nosso guarda-vidas, como ferrugem, problema elétrico e estrutural. O objetivo é a substituição por estrutura com melhores condições”, informou o CBMSC.

Segundo os bombeiros, no momento a corporação está em tratativas para construção de um no posto de alvenaria no local. “É importante frisar que, apesar da remoção física, seguimos com a cobertura dos nossos serviços no local. Como medida paliativa, estamos com um posto alternativo (cadeirão) que se encontra diariamente ativo. Inclusive ontem, no momento da ocorrência, estávamos com guarda-vidas nesse cadeirão em rondas preventivas”, completou.



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