Tombamento

Marambaia Cabeçudas pode virar patrimônio histórico de Itajaí

Processo está em andamento e deve ser concluído neste semestre

Fotos: João Batista
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O hotel Marambaia, na praia de Cabeçudas, em Itajaí, pode ser o próximo imóvel da lista a ser protegido como patrimônio histórico do município. A Fundação Cultural de Itajaí não deu prazo pra finalização do processo, mas o DIARINHO apurou que o tombamento deve sair ainda neste semestre. Nos últimos dois anos, o município avançou com três novos tombamentos, somando agora 21 imóveis protegidos.

No último decreto, na semana passada, a homologação saiu para o casarão da Sociedade Guarani no centro de Itajaí. Em novembro do ano passado, foi decretado o tombamento parcial do prédio do antigo banco Inco, onde funciona a agência central do Bradesco. A proteção vale apenas para a fachada original da rua Hercílio Luz.

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Em março de 2024, o tombamento foi decretado para o edifício Olympio, na esquina da Hercílio Luz com a Lauro Müller, que abriga estabelecimentos comerciais. Antes das mais recentes homologações, o último imóvel tombado em Itajaí tinha sido o prédio do Herbário Barbosa Rodrigues, em 2020, em processo que se arrastou por anos e só se resolveu na Justiça.

Para o prédio do antigo Banco Inco, construído em 1953 e vendido para o Bradesco em 1968, a proteção da fachada saiu num momento em que o imóvel é negociado pelo Bradesco com uma construtora da cidade, que pretende erguer um empreendimento na área. O tombamento preserva a fachada voltada para o calçadão da Hercílio Luz, incluindo os pórticos e o vão até a porta de acesso.

Já para a fachada da rua Felipe Schmidt, o decreto permite aberturas no pavimento térreo, para implantação de fachada ativa, conceito que prevê a ligação da edificação com a calçada, criando espaço de convivência e a volumetria como embasamento do prédio. Outras partes da construção, que se estende até a travessa Edmundo Heusi, poderão ser demolidas.

 

Avanços nos processos de tombamento

Titular do Conselho Municipal de Patrimônio Cultural de Itajaí, a arquiteta Silvana Pitz representa a Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí entre as entidades não governamentais do grupo. Ela destacou os avanços nos processos de tombamento, necessários pra proteção dos imóveis. “Esse é um trabalho coletivo e voluntário dos participantes do conselho e é uma vitória pra todos nós, da nossa sociedade”, comentou. 

Silvana informa que há discussões dos próximos bens a serem tombados, com a definição dos casos em que o conselho deve atuar primeiro. Ela confirma que o processo sobre o Marambaia está a caminho pra conclusão e tem expectativa de finalizar até meados do ano. “Eu acredito que neste semestre nós já tenhamos o tombamento dele feito. Tenho quase certeza de que não haverá nenhuma restrição para, até no máximo meados do ano, nós estarmos com esse processo concluído”, disse. A conselheira observa que o caso conta com apoio do proprietário, Guilherme Schmitt, reconhecido defensor do patrimônio histórico de Itajaí. “Nós temos um proprietário que sempre preservou esse bem e que está de acordo, o que é muito bom, porque ele tem todo o entendimento do patrimônio que tem. São raros os proprietários assim e é muito bom pra nossa sociedade contar com pessoas com esse nível de comprometimento”, destacou.

Em paralelo ao processo do Marambaia, o conselho deve iniciar ainda este ano outros processos e definir novos bens e imóveis na lista de interesse pra preservação, incluindo casos considerados emergenciais. Os temas serão discutidos na primeira reunião dos conselheiros em 2026, prevista pra este mês.

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Ícone da arquitetura modernista no primeiro balneário de SC

 

Inaugurado como hotel Balneário Cabeçudas em 1962, homenageava a praia como o primeiro balneário de Santa Catarina. O Marambaia preserva a arquitetura modernista que, na época, inspirou construções na região. O projeto foi do arquiteto gaúcho Roberto Felix Veronese, que influenciou o estilo no sul do Brasil com obras seguindo os padrões de Oscar Niemeyer e Lúcio Costa.

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O prédio, aos pés da morraria, é icônico pelos pilares, fachada livre, as janelas envidraçadas e sacadas que ampliam o espaço e permitem aproveitar melhor a paisagem da orla. O hotel tem todos os apartamentos com vista pro mar, e já foi considerado o mais bonito de SC na década de 1960. Recebeu hóspedes ilustres, entre famosos das artes, política e do futebol.

 

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Apesar de simpatia pela preservação, o dono do hotel, Guilherme Schmitt, tem críticas ao processo. Um dos pontos defendidos é que deveria haver mais contrapartidas para os proprietários. Atualmente, o benefício se restringe à isenção ou desconto no IPTU. “A devolução que se tem por um patrimônio tombado é muito pequena”, avalia. “Às vezes, o município simplesmente tomba. E nós temos aqui uma característica: uma atividade econômica pulsante dentro do nosso negócio” falando que o tombamento não pode engessar a atividade.

 

Além de outros benefícios fiscais e tributários, Guilherme sugere que imóveis tombados sejam priorizados quando o município precisar alugar espaços para serviços públicos. “O particular já corre com o ônus de ter um patrimônio tombado. Então, o município deveria, de alguma forma, dar incentivo”, diz.

 

Sobre o Marambaia, apesar de o processo estar encaminhado, Guilherme quer discutir as contrapartidas. Há proposta de liberar a venda do potencial construtivo do terreno. O projeto prevê o tombamento da fachada e do painel do pintor Rodrigo de Haro, que é o primeiro mural do artista, mantido no salão térreo do hotel. “Uma vez bem feito, [o tombamento] é bom para a comunidade e é bom para o negócio”, finaliza.



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