CICLONE
Diretor de imobiliária, esposa e filha morrem em acidente em Palhoça
Carro da família foi arrastado pela enxurrada e caiu no rio
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
O casal Mackendy Bernard e Michelaine Francique Bernard, e a filha deles, Kettely, morreram no acidente registrado durante a enxurrada no bairro São Sebastião, em Palhoça, na manhã de terça.
Mackendy era diretor da MB Negócios Imobiliários, onde a esposa também trabalhava. O casal era estrangeiro, e a empresa atuava no atendimento de estrangeiros interessados em comprar ou alugar imóveis em SC.
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A família estava em uma Land Rover quando foi surpreendida pela força da água. O veículo foi arrastado e acabou submerso no rio, na região conhecida como Morro do Gato. A Polícia Militar encontrou os corpos por volta das 12h30. A filha foi achada às margens do rio, fora do carro. O casal estava dentro do veículo, que foi retirado do rio pela equipe do GBS.
Nas redes sociais, a MB Negócios Imobiliários divulgou uma nota de pesar pela morte da família: “Estamos vivenciando um momento de profunda dor devido ao falecimento do nosso diretor, de sua esposa e de sua filha. Neste período de luto e recolhimento, pedimos a compreensão de todos. Os compromissos e atendimentos serão temporariamente suspensos”, informou a empresa.
Palhoça em situação de emergência
Palhoça foi uma das cidades mais castigadas do estado, com o registro de 137,2 mm de chuva em 12 horas, segundo a Defesa Civil estadual. Por conta dos estragos causados pela chuva intensa que atingiu a Grande Florianópolis durante a madrugada, a prefeitura de Palhoça decretou situação de emergência.
O temporal provocou alagamentos, enxurradas, deslizamentos e danos em vias públicas, imóveis e áreas próximas a rios que transbordaram. Com a situação de emergência, o município pôde mobilizar todos os órgãos públicos para atuar na resposta ao desastre, reforçar equipes nas ruas e até utilizar propriedades particulares em caso de risco iminente.
BC e Bombinhas tiveram alagamentos
Na região da Amfri, Balneário Camboriú registrou alagamentos em vários pontos, com a Defesa Civil anotando 54,53 mm de chuva nas últimas 12 horas e mantendo o município em estado de atenção nível laranja. Os alagamentos ocorreram na avenida Atlântica, perto da rua 4700, na rua 4900 esquina com a 4800 e em trechos da Vila Fortaleza, no bairro da Barra. A via Panorâmica também acumulou água e precisou de controle no sistema pare e siga.
Durante a madrugada de terça-feira, a Defesa Civil retirou um idoso de casa por ele morar em área de risco. Ele foi levado com segurança para a casa da filha. A orientação era que moradores evitassem locais alagados e solicitassem ajuda ao menor sinal de perigo.
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Bombinhas também sofreu com os efeitos da chuva forte. O volume de água coincidiu com a maré cheia e causou alagamentos no bairro José Amândio, especialmente nas ruas Cão do Mato, Esquilo e Capivara. Houve registros também no Mariscal, Morrinhos e Sertãozinho.
Segundo a Defesa Civil, a maior parte da água já havia baixado. Algumas casas foram atingidas, mas nenhuma família precisou sair. Pequenas quedas de barreiras foram registradas no Morro Alto e no Morro de Zimbros, sem danos graves. Os pluviômetros marcaram cerca de 40 mm, dentro do previsto.
Itajaí, Itapema, Navegantes e Balneário Piçarras permaneceram em situação de atenção, segundo a Defesa Civil, mas sem registro de estragos.
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Defesa Civil segue em alerta para chuvas
A chuva que atingiu Santa Catarina desde a manhã de terça-feira parou no final da tarde, mas pode retornar e continuar no início desta quarta-feira em Itajaí e região. Os temporais acontecem em forma de pancadas isoladas, com trovoadas e possibilidade de chuva intensa em curto período. Há risco elevado de alagamentos e deslizamentos pontuais.
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De acordo com o Laboratório de Climatologia da Univali, o ciclone extratropical que provocou as instabilidades já se desloca gradualmente para alto-mar. Ainda assim, áreas remanescentes de instabilidade podem provocar novos episódios de chuva, especialmente no período da manhã de quarta. “O ciclone está se deslocando, e neste movimento ainda gera instabilidades residuais. Os modelos indicavam maior volume de chuva até o meio-dia de terça. A partir da tarde, a tendência era de chuva mais fraca e ocasional. O vento se intensifica a partir de agora à tarde”, explicou o meteorologista Sergey Araújo.
Os ventos ganham força, com rajadas entre 60 km/h e 80 km/h e possibilidade de picos ainda mais intensos, principalmente entre a noite de terça-feira e a madrugada de quarta-feira, nas áreas litorâneas. “O vento mais forte será no Rio Grande do Sul. Na nossa região, os ventos mais intensos estarão sobre o oceano”, complementou Sergey.
Segundo Sergey, a quarta será com bons períodos de sol e calor, com máxima entre 29 e 32°C. “Assim temos a possibilidade de trovoada com chuva rápida bem isolada entre tarde e noite. Uma parte dos modelos aponta para sol e sem chuva. Vento suave a moderado com rajadas fortes superiores a 45 km/h”, finalizou.
O mar também segue agitado com ondas de direção nordeste e, posteriormente, de sul/sudoeste. A previsão indica altura de até dois metros no litoral e entre três e quatro metros em alto-mar, com picos ainda maiores.
Recomendações
Evite atividades de navegação, pesca, esportes náuticos e banho de mar. Também é indicado evitar a orla caso as ondas atinjam a ciclovia.
Em caso de ventos fortes, procure abrigo longe de árvores, placas, postes e objetos que possam ser arremessados.
A Defesa Civil de Itajaí orienta a população a acompanhar os boletins e alertas no site e redes sociais da Defesa Civil.
Canal de acesso aos portos é fechado
A Capitania dos Portos de Santa Catarina fechou o canal de acesso ao Complexo Portuário de Itajaí para a navegação às 16h desta terça. O breque na movimentação foi motivado pela previsão de ventos fortes provocados pela atuação do ciclone extratropical que atinge o Brasil.
A medida foi adotada pra garantir a segurança na navegação, já que às 16h05 a estação meteorológica instalada no Porto de Itajaí, monitorada pela Univali, registrou rajadas de ventos de 56 km/h. O Porto de Itajaí segue monitorando as condições da barra até que haja mudança no status da navegabilidade. No início da noite desta terça-feira, dois navios permaneciam atracados no complexo: um na JBS Terminais e outro na Portonave. Até o fechamento desta edição não havia previsão de reabertura.
Segundo a Superintendência do Porto de Itajaí, a decisão segue as normas e os procedimentos da Marinha do Brasil e busca preservar a segurança da navegação, das embarcações, das tripulações e das operações portuárias.
Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
