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Casos e ocasos

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Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

O futuro turístico de Balneário Camboriú exige escolhas


Balneário Camboriú consolidou-se, ao longo das últimas décadas, como um dos destinos turísticos mais conhecidos do sul do Brasil. A praia urbana, o skyline imponente, a vida noturna intensa e a forte presença nas redes sociais ajudaram a projetar a cidade nacionalmente. No entanto, por trás da imagem vendida, há um turismo cada vez mais concentrado na quantidade — e não na qualidade — dos visitantes, o que vem gerando impactos urbanos, sociais e ambientais preocupantes.

O principal gargalo do turismo local hoje é a ausência de planejamento estratégico de longo prazo. A cidade recebe multidões na alta temporada, mas oferece pouca diversidade de experiências capazes de estimular permanência prolongada, consumo qualificado e retorno do visitante fora dos meses de verão. O turismo permanece excessivamente dependente do sol e praia, tornando a economia sazonal e sobrecarregando a infraestrutura urbana.

Outro problema evidente é a falta de identidade turística clara. Balneário Camboriú tenta ser, simultaneamente, destino popular, noites de festas, cidade de luxo e polo familiar — sem organizar esses perfis de forma harmônica. O resultado é um conflito constante entre moradores, visitantes e empresários, além da perda de atratividade para públicos que buscam experiências mais sofisticadas, tranquilas e sustentáveis.

Persistem ainda desafios ambientais e de saúde pública que não podem ser ignorados. Em diferentes medições, pontos da Praia Central registram contaminação das águas justamente nos períodos ...

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O principal gargalo do turismo local hoje é a ausência de planejamento estratégico de longo prazo. A cidade recebe multidões na alta temporada, mas oferece pouca diversidade de experiências capazes de estimular permanência prolongada, consumo qualificado e retorno do visitante fora dos meses de verão. O turismo permanece excessivamente dependente do sol e praia, tornando a economia sazonal e sobrecarregando a infraestrutura urbana.

Outro problema evidente é a falta de identidade turística clara. Balneário Camboriú tenta ser, simultaneamente, destino popular, noites de festas, cidade de luxo e polo familiar — sem organizar esses perfis de forma harmônica. O resultado é um conflito constante entre moradores, visitantes e empresários, além da perda de atratividade para públicos que buscam experiências mais sofisticadas, tranquilas e sustentáveis.

Persistem ainda desafios ambientais e de saúde pública que não podem ser ignorados. Em diferentes medições, pontos da Praia Central registram contaminação das águas justamente nos períodos de maior fluxo de turistas. O Canal do Marambaia, que deságua no canto norte da praia, carrega poluição visível e odor desagradável ao lado de cartões-postais amplamente divulgados, o que afeta a percepção do visitante e desestimula o banho de mar. Soma-se a isso o recorrente aumento de casos de gastroenterite nos meses de verão, fenômeno que, ano após ano, volta ao debate público.

Os alertas recentes sobre possível escassez de água, somados a episódios de falhas em bombas de esgoto e problemas de saturação do sistema, revelam fragilidades que já não deveriam existir em uma cidade que se vende como destino de alto padrão. Apesar da ampla cobertura de rede, ligações irregulares, vazamentos em emissários e eficiência limitada no tratamento ainda geram insegurança em moradores e turistas.

A experiência urbana também deixa a desejar. Calçadas mal planejadas, mobilidade deficiente, poluição sonora e eventos improvisados comprometem a percepção de qualidade do destino. Turismo não se resume a paisagem; depende de conforto cotidiano, organização e respeito ao espaço coletivo.

Além disso, Balneário Camboriú explora pouco seu potencial cultural, ambiental e náutico. Há escassez de roteiros históricos estruturados, de incentivo contínuo a esportes náuticos, de integração turística com municípios vizinhos e de uma agenda cultural permanente que vá além do calendário de verão. Sem diversificação, o visitante consome menos, permanece menos tempo e leva consigo uma imagem superficial da cidade.

Turismo de alto padrão não se sustenta apenas com prédios altos. Exige paisagem preservada, serviços eficientes, infraestrutura confiável e planejamento urbano consistente. Exige, sobretudo, clareza de propósito.

Até hoje não se sabe, com precisão, qual perfil de turismo a cidade deseja priorizar. E essa indefinição cobra seu preço.

Balneário Camboriú não precisa necessariamente atrair mais turistas — precisa atrair melhores turistas: aqueles que respeitam a cidade, valorizam a qualidade, permanecem mais tempo e contribuem para uma economia saudável e duradoura. Sem essa mudança de visão, o risco é continuar crescendo em números, mas encolhendo em qualidade de vida e valor turístico.


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