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Coluna Fato&Comentário

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Edison d´Ávila é itajaiense, Mestre em História e Museólogo, mestre em Cultura Popular e Memória de Santa Catarina. Membro emérito do Instituto Histórico e Geográfico de SC, da Academia Itajaiense de Letras e da Associação de Amigos do Museu Histórico e Arquivo Público de Itajaí. É autor de livros sobre história regional de Santa Catarina

Associativismo comunitário em Itajaí: o começo


Associativismo comunitário em Itajaí: o começo

A primeira forma de se associarem membros da sociedade civil de Itajaí pertenceu aos leigos da Igreja Católica, com fins religiosos e sociais. O catolicismo se estabeleceu institucionalmente na foz do rio Itajaí-açu em 1824, portanto, há dois séculos.

No início do século XIX, habitavam às margens do rio cerca de 40 pessoas, sitiantes e exploradores de madeiras. Esse grupo de moradores e seus escravizados negros constituiu o núcleo inicial a partir do qual se formou econômica e socialmente a primeira comunidade de Itajaí. Somente anos depois,  juntar-se-iam a esse núcleo os influentes negociantes que se estabeleceram na região.

Todos professavam a religião católica e viviam aquela religiosidade popular luso-brasileira; assim como, seus escravos, aculturados ao catolicismo, religião oficial do Império do Brasil. Já no ano de 1815, vivenciou-se a primeira inciativa de associar a comunidade, quando moradores em comissão procuraram o bispo do Rio de Janeiro, de passagem pela foz do Itajaí, buscando sua autorização para construírem uma capela.

Veja-se que a construção de um pequeno templo religioso não manifestava apenas a intensa religiosidade daqueles homens e mulheres, significava também o intento de se reunir,  de ter identidade ...

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No início do século XIX, habitavam às margens do rio cerca de 40 pessoas, sitiantes e exploradores de madeiras. Esse grupo de moradores e seus escravizados negros constituiu o núcleo inicial a partir do qual se formou econômica e socialmente a primeira comunidade de Itajaí. Somente anos depois,  juntar-se-iam a esse núcleo os influentes negociantes que se estabeleceram na região.

Todos professavam a religião católica e viviam aquela religiosidade popular luso-brasileira; assim como, seus escravos, aculturados ao catolicismo, religião oficial do Império do Brasil. Já no ano de 1815, vivenciou-se a primeira inciativa de associar a comunidade, quando moradores em comissão procuraram o bispo do Rio de Janeiro, de passagem pela foz do Itajaí, buscando sua autorização para construírem uma capela.

Veja-se que a construção de um pequeno templo religioso não manifestava apenas a intensa religiosidade daqueles homens e mulheres, significava também o intento de se reunir,  de ter identidade. Nove anos depois, a capela de pau a pique foi construída e criado o Curato do Santíssimo Sacramento de Itajaí. Curato era o nome que na época imperial se dava a uma pequena paróquia.  Havia, agora, um local de reunião dos moradores e uma identificação oficial do lugar. Nascia, assim, a cidade de Itajaí.

A vida comunitária, então, intensificou-se. Juntaram-se moradores em torno da capelinha.  Tinha início o aglomerado urbano. Comerciantes passaram a se estabelecer ali e surgiram os primeiros líderes sociais. Como à época Igreja e Estado mantinham união, uma maneira mais comum de organizar a comunidade era através de associações religiosas. Foi o que fizeram os principais moradores do lugar, ao fundarem em 1830 a Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição, os padroeiros.

As irmandades eram um modelo antiquíssimo de associação de pessoas leigas, homens e mulheres, para promover o culto religioso católico, zelar pelo patrimônio da igreja e prestar assistência social a desvalidos. A história dessa quase bissecular  e primeira associação comunitária de Itajaí está sendo contada no livro “Irmandade do Santíssimo Sacramento e Nossa Senhora da Conceição – História, Religião e Sociedade em Itajaí”, do autor deste artigo e que será lançado no próximo domingo, dia 26/5, depois das missas das 9h30 e 18 horas, na Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento.

No seguir do relato histórico dessa corporação, fica-se conhecendo como se desenvolveu a cidade, como se estruturou a sociedade local,  de que modo as injunções econômicas, sociais e políticas tinham reflexo nessa associação comunitária. São dois séculos de história da cidade,  que mais se conhecem pelas atividades ininterruptas da mais antiga associação de moradores de Itajaí.


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