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Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

Quando o Natal pede mais do que celebração


Quando o Natal pede mais do que celebração
(foto: Divulgação PMBC)

O Natal é uma data mágica para muitas pessoas. Começa pelo prazer de enfeitar a casa com uma árvore repleta de bolas, enfeites e luzes coloridas. Espalham-se pela decoração figuras que remetem ao Papai Noel, carinhosamente chamado de “bom velhinho”.

A origem desse personagem está ligada a São Nicolau de Mira, um bispo cristão do século 4, na atual Turquia, conhecido por sua generosidade. Segundo a tradição, ele costumava lançar moedas pelas chaminés para ajudar famílias pobres, gesto que deu origem ao costume da troca de presentes. Ao chegar à América, a figura de São Nicolau foi sendo transformada e popularizada, especialmente a partir do século 20, consolidando-se com a imagem do Papai Noel de roupa vermelha, fortemente difundida pela publicidade. Hoje, no Brasil, ele aparece até em outras cores, sobretudo em peças decorativas.

Seguindo essa tradição, muitas cidades brasileiras enfeitam ruas e praças com iluminação especial, bolas gigantes, renas e bonecos natalinos. Em alguns municípios, há até desfiles e espetáculos temáticos, atraindo moradores e turistas.

O Natal também é marcado pelo encontro entre familiares e amigos, pela troca de presentes e pela tradicional ceia da noite do dia 24. À meia-noite, celebra-se a chegada do dia 25 com pratos típicos, como o peru, ave que simboliza fartura e abundância, razão pela qual se tornou presença constante nas mesas natalinas.

Entretanto, em meio a Papai Noel, presentes e mesas fartas, não se pode esquecer que o Natal é celebrado em razão do nascimento de Jesus Cristo. No Império Romano, o dia 25 de dezembro marcava o solstício de inverno no Hemisfério Norte, associado ao renascimento do Sol. Entre os séculos 3 e 4, a Igreja escolheu essa data para cristianizar a celebração, associando Jesus à “Luz do Mundo”.

Embora tenha origem cristã, o Natal não é comemorado apenas pelo catolicismo. Diversas denominações cristãs e até pessoas que não seguem uma religião específica celebram a data, muitas vezes como uma festividade cultural, marcada por valores universais como fraternidade e solidariedade.

Foi no catolicismo, contudo, que surgiu um dos símbolos mais tradicionais do Natal: o presépio. Ele teve origem em 1223, quando São Francisco de Assis montou o primeiro presépio em uma gruta, na Itália, com o objetivo de facilitar a compreensão do nascimento de Jesus, especialmente entre os mais simples.

Mais do que um evento religioso, o Natal no Brasil é visto como um momento de união, esperança e solidariedade. No entanto, para milhões de pessoas, essa realidade está muito distante. Enquanto alguns celebram, há famílias que atravessam o dia 25 de dezembro como qualquer outro, lutando apenas para garantir o básico: um prato de comida, um teto, um pouco de dignidade.

Essa contradição precisa nos levar à reflexão. O próprio nascimento de Jesus ocorreu em condições de extrema pobreza, em uma manjedoura, longe do conforto e da abundância. A mensagem central do Natal não está no consumo, mas na partilha, na empatia e no cuidado com o próximo.

Celebrar o Natal, portanto, não pode se resumir a enfeitar casas ou trocar presentes. É, sobretudo, reconhecer a dor de quem sofre e agir para reduzir desigualdades. Um gesto simples — compartilhar alimento, oferecer ajuda, estender a mão — pode significar muito mais do que qualquer presente.

Que o Natal nos convide a olhar além de nós mesmos e a lembrar que a verdadeira celebração acontece quando ninguém é esquecido, quando a esperança chega também à mesa de quem quase nunca tem o que comer.

Um feliz Natal.


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