Por Dr. André Vicente D'Aquino - andredaquino@hotmail.com
Dr. André D'Aquino - médico CRM 9970 - RQE 16764 - Prevenção e promoção da saúde e bem-estar Instagram: @dr.andredaquino | Contato: (47) 3508-1000
Publicado 13/02/2026 08:50
O evento recente ocorrido em Itumbiara escancara o limite extremo da desregulação psíquica humana e reacende uma discussão necessária: até que ponto fatores emocionais e neurobiológicos explicam comportamentos extremos?
É fundamental separar dois planos.
A ciência pode explicar mecanismos.
A ética define limites.
Em outras palavras, compreender fatores neurobiológicos, traços de personalidade e vulnerabilidades emocionais é papel da ciência. Justificar conduta violenta é distorção ética.
Indivíduos com baixa tolerância à frustração, rigidez cognitiva, traços narcísicos estruturais, necessidade constante de validação e dificuldade de regulação emocional podem, diante de ruptura afetiva ou humilhação percebida, entrar em estado de hiperativação do sistema de estresse — com aumento de impulsividade e reatividade autonômica.
Do ponto de vista fisiológico, há envolvimento do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal (HPA), elevação sustentada de cortisol e amplificação da resposta ao estresse.
Mas é preciso afirmar com clareza técnica e moral:
Sofrimento não é salvo-conduto para violência
Frustração não autoriza destruição.
Dor não legitima agressão.
Dor emocional faz parte da experiência humana. Relações terminam. Expectativas se frustram. Isso pertence ao campo da vida adulta. Transformar frustração em agressão é escolha comportamental e violência continua sendo escolha comportamental.
Deslocar responsabilidade para terceiros, especialmente para a mulher envolvida na relação, constitui erro conceitual grave.
Relações podem terminar. Vínculos podem fracassar. Isso pertence ao campo da vida adulta. Transformar frustração em punição é ato do agressor. Sempre.
E outro ponto inegociavel, não há narrativa emocional, conjugal ou moral que coloque a vida de crianças dentro de qualquer campo de relativização.
Ainda, outro ponto relevante: a tendência social de romantizar intensidade emocional como “amor profundo” ou “personalidade forte” é perigosa.
Precisamos parar de confundir posse com vínculo. Precisamos parar de normalizar explosões como traço de personalidade “forte”.
Controle excessivo, discurso de honra ferida, pensamento “tudo ou nada” e narrativa constante de injustiça pessoal são sinais de alerta, não provas de afeto.
Esses marcadores não surgem subitamente. Eles se manifestam ao longo da trajetória psíquica.
Como profissionais da saúde, reforçamos:
Saúde mental não é luxo e vivemos tempos estranhos, com excesso de informação e exposição.
Regulação emocional é competência a ser desenvolvida.
Buscar ajuda precocemente é maturidade, não fraqueza.
Nosso compromisso é com prevenção, educação emocional e responsabilização adequada. A ciência explica mecanismos. A ética define limites. A sociedade precisa sustentar ambos.
Lembre-se: cuide da sua saúde física e mental. Fique atento e busque equilíbrio!
Não desanime — tenha força, garra e determinação.
Não hesite em procurar um médico de sua confiança, e se ainda assim você seguir com dúvidas ou dificuldades, me chame que te auxilio nessa jornada de saúde!
Dr. André Vicente D’Aquino – Médico CRM/SC 9970, RQE 16764 – Membro da American Society of Regenerative Medicine e da Associação Brasileira de Medicina Integrativa e Biorregulação – Vice-Presidente da SOBOM – Sociedade Brasileira de Ozônio Medicinal.
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Publicado 12/02/2026 19:54