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Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria


 Sonhos Fractais — quando a poesia precisa gritar contra o feminicídio


Publicado 02/01/2026 09:47
Alterado 02/01/2026 10:30

Conheço a Heloísa Abrahão há muitos anos.

Nossa caminhada se cruza pela literatura, pela cultura e também pelo rádio — tive, inclusive, a honra de ser entrevistado por ela na Rádio Conceição de Itajaí, num desses encontros que a arte provoca e que permanecem.

 

Heloísa tem uma trajetória sólida e comprometida com a palavra. É pedagoga, psicopedagoga, radialista, integrante da Academia de Letras do Brasil SC Itajaí e presença ativa na literatura regional e nacional. Mas, acima de qualquer currículo, ela escreve com consciência social — e isso aparece com força neste poema.

 

“Sonhos fractais!” é um poema sobre feminicídio.

Sobre a violência extrema que silencia mulheres.

Sobre vidas interrompidas por covardia, controle e brutalidade.

 

Não é um texto simbólico apenas. É direto.

Nomeia o crime, denuncia a ruptura irreparável e expõe a ferida que fica nas famílias, nos afetos e na sociedade.

A mulher do poema não é um número, não é um caso abstrato — ela é neta, filha, irmã, sobrinha, tia, amiga.

Antes de ser vítima, era vida.

 

Heloísa não romantiza a dor.

Ela escreve a partir da indignação e da memória, deixando claro que nenhuma sentença é suficiente para reparar o que foi roubado.

Os sonhos não voltam.

A ausência não se resolve.

A saudade não se sacia.

 

A poesia aqui cumpre um papel essencial: recusar o esquecimento.

Falar quando o silêncio seria mais confortável.

Registrar para que não se normalize.

 

Trazer esse poema ao VersoLuz é um gesto de respeito — à autora, às vítimas e à urgência de mantermos esse tema visível, discutido e enfrentado.

 

Deixo abaixo o poema completo, para leitura atenta e consciente:

 


 

Sonhos fractais!

Heloísa Abrahão – SC

 

Amanheceu nublado, grey.

Promessas de amor foram anuladas.

Promessas insanas realizadas.

Uma sombra pairava no olhar.

Gestos nervosos, realidade distorcida.

Sorriso confuso, a mente procurava saídas!

Nos lábios palavras de recomeço.

No coração uma esperança vã.

 

Era neta, filha, irmã, sobrinha, tia, amiga…

Tão pura, todos a amavam…

Tão linda, tão doce e subjugada.

Sufocada, asfixiada, brutalmente silenciada.

Um covarde a calou!

Seus lábios foram selados.

Seus sonhos roubados.

Sua vida ceifada.

 

Só restam as lembranças!

Ato muitas vezes maldito.

Seja qual for a sentença, será pouco por tanta dor causada.

Os sonhos roubados, nunca serão devolvidos.

A mácula deixada nos corações, nunca será removida.

Mesmo as boas lembranças, nunca darão conta

De saciar essa profunda saudade.

 


 

Que a poesia siga sendo espaço de denúncia, memória e humanidade.

E que o silêncio nunca seja opção diante do feminicídio.

 

📸 ✍️ Alfa Bile

VersoLuz | Jornal Diarinho

 


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