HERÓI
Homem que salvou menino de tragédia na BR 101 sonha em encontrá-lo novamente
Garoto de 10 anos sobreviveu ao acidente que matou pais e avó em Itajaí
Camila Diel [editores@diarinho.com.br]
Um trabalhador que saiu atrasado de casa virou a diferença entre a vida e a morte no acidente que matou três pessoas na BR 101, em Itajaí. Fábio Pereira, funcionário da Trinitá Grupo de Saneamento, parou o caminhão de hidrojateamento no km 115 da rodovia, na quarta-feira de cinzas, 18 de fevereiro, e apagou o incêndio que cercava o menino Daniel Lima Soares, de 10 anos, dentro do carro destruído no engavetamento.
Quase um mês depois do acidente, Fábio contou ao DIARINHO que aquela manhã começou cheia de imprevistos. Ele teve problemas no trajeto até a empresa, chegou cerca de uma hora atrasado e ainda recebeu mudança de rota quando já estava na rua. Foi nesse desvio que viu fumaça subir na rodovia e decidiu voltar pra BR 101.
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“Já veio a intuição de ‘meu Deus, eu vou lá ver o que é, eu preciso ir lá ver’”, lembrou.
Quando chegou ao local, encontrou desespero, gritos e fogo alto. No meio da correria, ouviu um menino pedir socorro. Era Daniel. “Eu vi que era uma criança em desespero. Aquilo foi o que me motivou a apagar o fogo”, contou.
Fábio e o ajudante ligaram a tomada de força do caminhão e começaram o combate. Como o jato tinha pressão muito forte e poderia ferir o menino, ele jogou água no chão para criar vapor e abafar as chamas ao redor do carro. Havia ainda outro risco: uma Kombi atingida no acidente ficou sobre o veículo e gasolina escorria sobre o automóvel onde Daniel estava preso.
Ao perceber que o fogo poderia voltar a crescer, Fábio pediu ajuda a um motorista que estava no local. Com uma cinta, eles puxaram a Kombi para longe e abriram espaço para apagar as chamas. Só depois disso veio o impacto do momento.
“Daí eu vi que ele estava calmo. Sentei ali no meio da BR e desabei em choro”, contou.
Daniel foi o único sobrevivente do Fiat Cronos onde estavam o pai, Kayo Alves Soares dos Santos, de 32 anos, a mãe, Camila Rios, de 31, e a avó paterna, Cleonice Alves Bernal Pedra, de 55 anos.
Para Fábio, os atrasos daquela manhã tiveram um motivo maior. “Com certeza foi Deus querendo preservar a vida do Daniel. Eu acho que ele tem um futuro brilhante”, afirmou.
Desejo de reencontro
Quase um mês depois do acidente, Fábio ainda se emociona ao lembrar do menino. Ele contou que já conversou com Daniel por chamada de vídeo e também tem falado com o avô do garoto, Roberto, e com o tio.
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Segundo ele, o menino ainda estava no hospital, mas a expectativa era de alta em breve. Ouvir a voz de Daniel depois de tudo mexeu profundamente com ele. Um dos momentos que mais marcaram foi um áudio de agradecimento enviado pelo garoto.
“Eu ouvia o áudio umas três, quatro vezes por dia. Eu chorava todos os dias. É inexplicável”, disse.
Agora, o maior desejo é reencontrar o menino longe do hospital e da cena do acidente. “Eu espero reencontrar ele. Se Deus quiser vai dar tudo certo pra esse reencontro”, comentou.
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Camila Diel
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.
