Na área logística, o Sindicato das Empresas de Veículos de Carga de Itajaí e Região (Seveículos), que representa empresas da categoria em 11 municípios da região, informa que a falta de motoristas vem se acentuando ao longo dos anos, mas o setor também enfrenta escassez de trabalhadores operacionais, conferentes e analistas de sistemas, entre outras funções.
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Em ações práticas pra facilitar as contratações, a entidade participa de eventos como o Feirão Emprega Já, promovido pela Fiesc em parceria com a Prefeitura de Itajaí. No ano passado, a iniciativa ofertou mais de mil vagas em diversos setores, divulgadas inclusive com moto de som em todos os bairros da cidade antes do evento.
“Foi incansável a divulgação, mas infelizmente a adesão foi baixa, os currículos que recebemos de motoristas profissionais e demais profissões citadas foram muito abaixo do esperado”, lamentou o presidente do Seveículos, Djonas Cidclei Fernandes. O investimento em qualificação é outra frente das empresas pra enfrentar as dificuldades de contratação.
O sindicato firmou convênio com a escola da Fundação Adolpho Bósio de Educação no Transporte (Fabet), referência no Brasil pra formação de motoristas profissionais, com o curso “Excelência na Condução”.
“O projeto já formou duas turmas. Apesar das dificuldades encontradas na adesão, a formação continua”, destaca Djonas. São mais duas turmas no momento, no curso “Desenvolvimento de Gestores do Transporte”.
Outra iniciativa do setor é o projeto “Motorista do Futuro SC”, tocado pela Federação das Empresas de Transporte de Cargas e Logística de Santa Catarina (Fetrancesc), com apoio do Sest/Senat. A ideia é aproximar jovens do ensino médio da profissão de caminhoneiro, diante do envelhecimento da categoria e da necessidade de formar novos profissionais.
O projeto prevê ações nas escolas e parcerias com empresas, entidades e poder público. O presidente do Seveículos ressalta a importância de estimular o interesse dos jovens pra renovar a mão de obra no setor. “No passado, o sonho do menino era ser motorista profissional igual ao seu pai, mas isso mudou drasticamente com o passar dos anos. Muitos pais não desejam mais essa profissão para seus filhos e isso deixa a categoria com idade média avançada e o desinteresse para renovar”, comenta.
Parceria forma profissionais pra indústria naval
No setor naval, o Sindicato das Indústrias da Construção Naval de Itajaí e Navegantes (Sinconavin) tem articulado iniciativas com empresas do setor, poder público e instituições de ensino técnico pra ampliar a formação e a qualificação de trabalhadores. Os estaleiros empregam mais de 3,5 mil pessoas e projetam 1,4 mil vagas com novos contratos, especialmente de projetos pra Petrobras.
Entre as principais ações, o sindicato destaca parcerias com instituições de formação, principalmente com o Senai. Pela iniciativa, jovens a partir de 18 anos são contratados pelas empresas e participam de um modelo de formação que combina teoria e prática. Metade do período eles ficam no estaleiro, vivenciando a rotina de trabalho, e na outra metade frequentam cursos no Senai.
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Atualmente, o programa oferece formação nas áreas de eletromecânica naval e marcenaria naval, preparando os jovens profissionais para atender às demandas específicas da indústria.
O sindicato também promove programas de requalificação profissional pra trabalhadores que já atuaram ou atuam no setor, e precisam se atualizar diante das novas tecnologias e exigências da indústria. “Essas iniciativas buscam fortalecer a formação técnica e contribuir para suprir a demanda crescente por mão de obra qualificada no setor”, destaca o sindicato.
Construção civil disputa mão de obra com outros setores
As dificuldades de contratação levam em conta a situação de pleno emprego em Santa Catarina, e especialmente Itajaí, com taxa de desocupação próxima de 2%. De acordo com o Sindicato da Indústria da Construção Civil (Sinduscon) da Foz do Rio Itajaí, o cenário faz com que diversos setores disputem mão de obra.
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“Indústria naval, indústria em geral, comércio, supermercados, pesca, transporte e a própria construção civil acabam sentindo esse impacto. Com a economia aquecida, as empresas precisam buscar estratégias para atrair e formar novos profissionais”, avalia a entidade.
O Sinduscon também participa de iniciativas em conjunto com o poder público e entidades empresariais para enfrentar o problema. Foi criado um grupo de trabalho, coordenado pela secretaria de Desenvolvimento Econômico, do qual o Sinduscon faz parte, pra discutir alternativas que aproximem os trabalhadores das vagas abertas.
“A construção civil, por sua vez, tem buscado se tornar cada vez mais atrativa para quem procura uma oportunidade de trabalho. É um setor que oferece boas possibilidades de renda e crescimento profissional, além de investir em capacitação e formação de mão de obra”, destacou o sindicato.
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Para o setor, o próprio dinamismo econômico da região gera uma concorrência maior por trabalhadores, o que exige das empresas mais iniciativas de valorização e desenvolvimento da mão de obra. Um dos desafios é diminuir o custo de moradia e melhorar o transporte público. Esses fatores afetam a permanência dos trabalhadores nas empresas e estão sendo tratados entre o Sinduscon e o município.