A conversa começa despretensiosa e vai ganhando espaço de forma sutil. Entre mensagens carinhosas e promessas, a proximidade se constrói rápido. É assim que funciona o chamado golpe do amor. De repente, entra um pedido de ajuda, um Pix urgente, uma história triste. Nesta quinta-feira, a Polícia Civil de Santa Catarina prendeu um homem investigado por usar esse roteiro pra enganar vítimas.
O suspeito foi detido em São José, na Grande Florianópolis, ao sair de um shopping. Segundo a Polícia Civil, ele dirigia um carro locado em nome de uma suposta vítima e ainda pedia R$ 16 mil à mulher ...
O suspeito foi detido em São José, na Grande Florianópolis, ao sair de um shopping. Segundo a Polícia Civil, ele dirigia um carro locado em nome de uma suposta vítima e ainda pedia R$ 16 mil à mulher. A prisão foi feita pela Delegacia de Defraudações da Diretoria Estadual de Investigações Criminais, com apoio da Delegacia de Repressão ao Crime Organizado. O mandado de prisão preventiva partiu da Justiça de São José do Rio Preto, em São Paulo.
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A polícia informou que o homem já tinha registros em Santa Catarina, respondeu a inquérito em Balneário Camboriú e também é investigado pelo mesmo crime em mais de oito estados. Depois dos procedimentos, ele segue para o Presídio da Capital.
Afeto vira armadilha
O caso acende o alerta pra quem está com o coração aberto — especialmente mulheres entre 40 e 70 anos, muitas vezes divorciadas, viúvas ou em busca de recomeço. Pode ser na internet, no trabalho, em aplicativos ou fora das telas. O roteiro costuma ser parecido. Primeiro vem a atenção sem medida, o cuidado constante, a intimidade. Depois surgem desculpas pra não encontrar, histórias urgentes e o tal pedido de ajuda. Quando a vítima percebe, já se envolveu.
Texto publicado no Portal do Investidor, do governo federal, explica que o chamado romance scam mistura manipulação emocional e fraude financeira. Golpistas se aproveitam da carência, da solidão e da vontade de pertencer. O prejuízo não fica só no bolso. Muitas vítimas carregam vergonha, culpa e acabam em silêncio.
O material também lista sinais comuns: declarações intensas em pouco tempo, histórias urgentes demais e pedidos insistentes de dinheiro. Nessa hora, desconfiar não é frieza. É cuidado.
Projeto tenta endurecer punição
Na Câmara dos Deputados, o Projeto de Lei 5197/23 tenta apertar o cerco contra esse tipo de crime. O texto é do deputado Ricardo Ayres (Republicanos-TO) e prevê aumento de um terço a dois terços na pena de estelionato quando o golpista se aproveita da relação afetiva com a vítima — o chamado estelionato sentimental. Hoje, a punição para estelionato varia de um a cinco anos de prisão e multa. A proposta já passou pela Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania e aguarda inclusão na pauta do plenário.