NENHUMA A MENOS
Ato contra feminicídio leva movimento 8M às ruas de Itajaí
Mobilização nacional marca o Dia Internacional da Mulher e cobra políticas públicas pra enfrentar a violência
Franciele Marcon [fran@diarinho.com.br]
O centro de Itajaí será palco de uma manifestação contra o feminicídio, a violência doméstica e outras formas de agressão contra mulheres no sábado. A mobilização faz parte da agenda nacional do Movimento 8M, em referência ao Dia Internacional da Mulher, celebrado em 8 de março.
A organização é do Movimento Elas. Segundo Tamayra Pauline Henkel, integrante da comissão organizadora, o ato também quer defender direitos básicos das mulheres, como acesso ao trabalho, políticas públicas e liberdade para viver sem violência. “Precisamos ocupar cada vez mais os espaços que historicamente nos foram negados, especialmente diante do aumento da violência contra as mulheres. Não há democracia onde mulheres não são livres”, afirmou.
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A professora Cléo Comunello, outra integrante da organização local, explica que a mobilização também busca discutir o enfrentamento ao patriarcado, sistema que, segundo ela, mantém desigualdades entre homens e mulheres. “São gerações e gerações conduzindo a vida das mulheres: mulheres que sonharam, sofreram, lutaram, venceram e também morreram. E que seguem buscando, no dia a dia, a equidade”, comentou.
Agenda
A programação começa às 10h em frente ao chafariz da Igreja Matriz do Santíssimo Sacramento, com intervenção artística da artista plástica e arte-educadora Silvana Rocha. Às 10h30, um ato simbólico em frente ao Museu Histórico de Itajaí reunirá o grupo de maracatu Baque Mulher, além de leituras de trechos de leis e letras de músicas sobre o enfrentamento da violência de gênero.
Depois, o cortejo segue pelo calçadão da rua Hercílio Luz até a praça Vidal Ramos, também conhecida como Marco Zero. No local, estão previstas novas intervenções artísticas, distribuição de zines (publicações independentes) e falas de representantes do “Movimento Elas”, do bloco “A vida presta”, do coletivo “Mulheres do litoral”, de lideranças políticas e de integrantes de sindicatos da região.
A mobilização continua às 20h30 no Mercado Público, durante o Samba de Bárbara. No domingo, a manifestação será em Balneário Camboriú, a partir das 9h30, na praça Almirante Tamandaré, na avenida Atlântica.
Mais do que homenagem
A mobilização acontece em um cenário de aumento da violência contra mulheres. Santa Catarina registrou 52 feminicídios e 225 tentativas, segundo dados do Ministério da Justiça. Somente em janeiro de 2026, cinco casos já tinham sido registrados no estado. “A cada dia, mulheres são silenciadas dentro de suas próprias casas, em relações que deveriam ser de cuidado, não de medo. O feminicídio não é um número; é uma história, um nome, uma família destruída”, afirmou a artista plástica Silvana.
Silvana também defende que o espaço da manifestação seja um local de reflexão. Segundo a artista, a cor vermelha usada na instalação artística quer provocar incômodo e estimular consciência sobre a violência.
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Franciele Marcon
Fran Marcon; formada em Jornalismo pela Univali com MBA em Gestão Editorial. Escreve sobre assuntos de Geral, Polícia, Política e é responsável pelas entrevistas do "Diz aí!"
