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Situação atual, perspectivas e encaminhamentos sobre o Porto de Itajaí


1. Contexto geral

Após um longo período de dificuldades, entraves administrativos e indefinições operacionais, o Porto Público de Itajaí encontra-se atualmente nos berços arrendandos sob operação da empresa JBS, mediante contrato transitório que abrange os berços 1 e 2.

Recentemente, a JBS obteve autorização da Antaq para o adensamento dos berços 3 e 4, ainda em fase de conclusão, bem como para investimentos emergenciais que visam melhorias na eficiência operacional durante esta fase de transição.

Entre os investimentos previstos destacam-se:

1. Adensamento da área do “Rac”, para melhoria do fluxo operacional, especialmente com o apoio do município para finalização da Rua Nova do Porto

2. Aquisição de novo scanner portuário

3. Implantação de novas balanças e equipamentos internos

2. Situação operacional e preocupações trabalhistas

Os trabalhadores portuários, representados por suas entidades sindicais, vêm expressando preocupação quanto ao modelo de gestão e operação. Embora o Porto continue sendo público, dentro da poligonal do Porto Organizado, o atual formato torna-o dependente de um único operador privado, o que reduz a pluralidade operacional e coloca em risco a manutenção das atividades de carga geral.

A Antaq já emitiu orientação para que o movimento de carga geral seja garantido, coexistindo com a movimentação de contêineres. No entanto, a cada avanço do segmento de contêineres, observa-se a redução gradual da carga geral, o que compromete a diversidade econômica e a geração de empregos em Itajaí.

3. Questões institucionais e de governança portuária - As trocas de delegação do Porto de Itajaí, de Santos à Bahia e o preço das promessas

Desde o fim da delegação do Porto de Itajaí ao município, a cidade vive uma verdadeira montanha-russa de promessas, discursos e frustrações. Quando o Porto foi delegado à Autoridade Portuária de Santos, a narrativa era de que Itajaí ganharia 'expertise', investimentos vultosos e um novo ciclo de prosperidade. O que veio, na prática, foi o abandono e o enfraquecimento da confiança dos trabalhadores e da comunidade portuária. Agora, em mais uma virada de roteiro, anunciam a transferência da delegação para a Codeba (Companhia das Docas da Bahia) — e novamente a população é convidada a acreditar em novas promessas.

Mas, afinal, qual o objetivo real dessas trocas sucessivas? Por que submeter uma cidade inteira a tamanha instabilidade institucional e emocional?

4. O que realmente manteve o Porto de pé

Apesar de todos os discursos e incertezas, o Porto de Itajaí voltou a operar em dois segmentos fundamentais — e isso não aconteceu por obra da política, mas por duas forças reais e comprometidas com a cidade.

A JBS assumiu as operações de contêineres mesmo sem contar com a infraestrutura prometida pela autoridade portuária — basta lembrar que as balanças do gate público estão quebradas desde janeiro.

Os trabalhadores portuários, que aceitaram reduzir suas taxas e ganhos para viabilizar a retomada das operações de carga geral, mostraram espírito de sacrifício e compromisso com o futuro do porto e da cidade.

Esses são os verdadeiros responsáveis por impedir o colapso total das operações, enquanto o poder público segue preocupado em produzir manchetes, fotos e vídeos de autopromoção.

5. Fake news e o teatro dos 'salvadores'

Todos os dias, a população é bombardeada por postagens, entrevistas e notas oficiais que tentam criar heróis instantâneos. 'Salvadores do Porto', dizem. Mas salvadores do quê?

Foram esses mesmos discursos que tiraram o Porto do município, entregaram a gestão a Santos com promessas encantadoras — e agora trocam novamente de comando, como se mudar o rótulo fosse resolver o conteúdo. Se a Codeba é agora o 'novo caminho', a pergunta que fica é: e mês que vem, qual será a novela? Até quando a cidade vai suportar esse ciclo de ilusões e frustrações?

6. Um caminho que já poderia estar pronto

Tudo poderia ter sido diferente. Bastava que o governo federal e o município tivessem planejado uma transição organizada, dialogada e responsável, como foi proposto desde o início pelas lideranças portuárias. Em vez disso, optou-se pela política do improviso, do marketing e da vaidade — e quem paga o preço é Itajaí.

7. A voz que alertou antes de todos

Muitos preferem silenciar ou aplaudir o espetáculo. Outros, quando tentam falar a verdade, acabam tratados como 'menino maluquinho'. Mas os fatos estão aí: tudo o que foi alertado se cumpriu. O fim da APMT, da CTIL, da Mada Araújo e a crise na dragagem são provas concretas de que as decisões tomadas sem diálogo e sem planejamento trazem consequências reais e dolorosas para a cidade e para os trabalhadores.

8. Edital de concessão - riscos e oportunidades

O edital definitivo de concessão do Porto de Itajaí foi desmembrado em dois processos: Um leilão para o canal de acesso; outro leilão para o terminal portuário.

A proposta mantém a previsão de um único terminal para um único operador, o que preocupa os trabalhadores e lideranças locais. Enquanto outros portos do estado anunciam investimentos imediatos, Itajaí segue em compasso de espera, com previsões de avanço apenas após o leilão, possivelmente no segundo semestre de 2026.

9. Píer turístico e impactos sobre a carga geral

Paralelamente, cresce o interesse político e empresarial na implantação de um píer turístico, voltado para a temporada de cruzeiros marítimos. Os trabalhadores portuários reconhecem a importância do turismo, mas alertam que a operação de cruzeiros não pode reduzir a oferta de trabalho nem comprometer a segurança operacional da carga comercial.

Defendemos que o terminal de passageiros seja objeto de concessão específica e independente, desvinculado do terminal de contêineres — como ocorre em outros portos do país — garantindo equilíbrio entre as atividades turísticas e industriais.

10. Conclusão

Itajaí não precisa de novos donos, precisa de respeito. O Porto é parte da identidade e da alma da cidade. Chegou a hora de parar o jogo político e pensar Itajaí com seriedade — com planejamento, com transparência e com a participação de quem faz o Porto acontecer todos os dias: o trabalhador.

O movimento sindical e as entidades laborais reiteram: apoio ao desenvolvimento turístico, desde que não prejudique o trabalho portuário; defesa intransigente da expansão do Porto de Itajaí com novos berços e áreas operacionais; comprometimento com um modelo equilibrado, que garanta espaço para a carga geral, estabilidade ao operador de contêineres e segurança jurídica para o turismo de cruzeiros.

 

Ass: Ernando João Alves Júnior (Correio Jr.)

* Trabalhador portuário avulso da atividade de capatazia, presidente da Intersindical Laboral Portuária, do Sindicato dos Arrumadores de Itajaí, vereador suplente, atuante na defesa dos direitos e no desenvolvimento da cidade de Itajaí e do Porto de Itajaí.


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