Colunas


Casos e ocasos

Casos e ocasos

Rosan da Rocha é catarinense, manezinho, deísta, advogado, professor e promotor de Justiça aposentado. Sem preconceitos, é amante da natureza e segue aprendendo e conhecendo melhor o ser humano

A festa virou dor de cabeça


A festa virou dor de cabeça
(foto: imagem gerada por IA)

A discussão existente em Balneário Camboriú sobre a mudança no trânsito, após a abertura do prolongamento da avenida Martin Luther, uma das principais da cidade, escancara os sérios problemas que aparecem quando se abrem ou inauguram novas ruas sem um projeto técnico de engenharia de tráfego e um planejamento bem realizado.

Após a badalada inauguração da citada via, a prefeita da cidade resolveu mudar o trânsito da região para, segundo ela, melhorar o fluxo de veículos no sentido BC-Itajaí e vice-versa. Contudo, o que se viu foi um desastre.

O principal acesso ao trecho inaugurado, para quem segue de Itajaí para o centro de BC, tem que fazer uma curva de 90 graus adentrando em uma rua que possui um acentuado aclive. Tal situação faz com que veículos pesados não tenham o embalo suficiente para subir a via e, assim, tornando o trajeto dificultoso e bem vagaroso. Pior ainda é que, pelo movimento intenso, por vezes os veículos param e alguns caminhões carregados de vários materiais não conseguem mais arrancar, vindo de ré e causando um enorme transtorno.

A prefeita, em um primeiro momento, acatando os reclamos de moradores e motoristas, resolveu mudar. Colocou manilhas de cimento e cones para fazer uma via “reversa” na avenida do Estado de intenso tráfego de veículos, inclusive ônibus e caminhões, de quem vai de BC no sentido Itajaí, a fim de que os veículos que vinham no sentido contrário também pudessem acessar a avenida Martin Luther por outra via já utilizada anteriormente, dispensando o trecho novo.

A emenda ficou pior que o soneto: virou uma bagunça. Era uma confusão de veículos que não respeitavam os cones, deixando a via além de feia, perigosa e sem sentido algum, pois pouco adiantou para a melhoria do tráfego a recém-inauguração do trecho novo mencionado.

Pois bem, a prefeita então resolveu voltar atrás, retirando o trecho reverso da avenida do Estado, deixando o fluxo de veículos como fez quando da inauguração, por aquela rua íngreme e, assim, novos transtornos ocorreram, com caminhões não subindo, inclusive acidentes até com quedas do carregamento.

Bastou para que muitas vozes se levantassem contra a volta do uso daquele acesso, com colocação de cartazes contrários à decisão, demonstrando que moradores e motoristas de veículos pesados que por ali passam tenham um só apelo: do jeito que tá, não dá. E houve até quem sugerisse, pasmem, que volte tudo como antes e que faça do trecho inaugurado um local para passeio de pedestres e diversão.

E agora? Qual a melhor solução? Deixar como está pra ver como fica? O que era festa, inclusive desdenhando do antigo prefeito pela demora da inauguração, virou uma baita dor de cabeça.

Isto reflete o narcisismo e amadorismo da maioria dos políticos que ocupam o cargo mais alto do executivo das cidades. Não raras as vezes, são eles que escolhem, junto com alguns secretários sem nenhum conhecimento técnico, abertura de ruas, mudanças no tráfego e, do dia pra noite, tomam a decisão e pronto.

É sabido que a abertura de novas ruas sem um projeto técnico de engenharia de tráfego gera impactos graves e duradouros no funcionamento da cidade. A ausência de estudos e planejamento compromete a segurança viária, a fluidez do trânsito e o desenvolvimento urbano, resultando em problemas que se tornam caros e difíceis de corrigir.

Sem um planejamento técnico adequado, o trânsito fica bagunçado. Se a nova rua não é pensada para interagir com as outras, ela pode jogar mais carros em vias já cheias, criar cruzamentos e vias perigosas ou virar um atalho que logo vira engarrafamento. Ou seja, sem planejar com pessoas capacitadas, consultando engenheiros de tráfego, vira um caos.

Ainda pior é quando, sem planejamento, a rua geralmente pensa só nos carros e esquece o resto: pedestres, ciclistas, pessoas com deficiência e usuários do transporte público. Assim, a cidade cresce de forma desigual e a mobilidade piora.

Abrir novas ruas sem um projeto técnico ou inaugurá-las sem estarem totalmente concluídas, passa a ser um problema permanente de mobilidade, segurança e gasto público excessivo. O planejamento é indispensável para garantir que a nova via integre a cidade de forma funcional e segura.


Conteúdo Patrocinado


Comentários:

Deixe um comentário:

Somente usuários cadastrados podem postar comentários.

Para fazer seu cadastro, clique aqui.

Se você já é cadastrado, faça login para comentar.

ENQUETE

Você é do time cardápio impresso ou digital?



Hoje nas bancas

Confira a capa de hoje
Folheie o jornal aqui ❯


Especiais

“Justiça não foi feita”, diz mãe que perdeu os filhos no desastre da Vale em Brumadinho

SETE ANOS

“Justiça não foi feita”, diz mãe que perdeu os filhos no desastre da Vale em Brumadinho

Ibama nega licença prévia e barra projeto de maior termelétrica do país, no interior de SP

PROJETO BARRADO

Ibama nega licença prévia e barra projeto de maior termelétrica do país, no interior de SP

Militares apontam grupos armados e pressão migratória como riscos para o Brasil

Venezuela

Militares apontam grupos armados e pressão migratória como riscos para o Brasil

Trump usa imagens de ação na Venezuela para recados políticos e controle narrativo

Venezuela

Trump usa imagens de ação na Venezuela para recados políticos e controle narrativo

Como crise ambiental fez governos e empresas sentarem no banco dos réus

Justiça climática

Como crise ambiental fez governos e empresas sentarem no banco dos réus



Colunistas

Futuro de Xepa decidido nesta quinta

JotaCê

Futuro de Xepa decidido nesta quinta

João Rodrigues acena à União Progressista e quer Amin ao Senado

Coluna Acontece SC

João Rodrigues acena à União Progressista e quer Amin ao Senado

Entre Itajaí e Navegantes

Clique diário

Entre Itajaí e Navegantes

Aumento na taxa de lixo em Itajaí

Charge do Dia

Aumento na taxa de lixo em Itajaí

Como o setor de serviços pode economizar impostos

De Olho no Fisco

Como o setor de serviços pode economizar impostos




Blogs

Regata Verão 2026 neste fim de semana do Pindá em Ilhabela (SP)

A bordo do esporte

Regata Verão 2026 neste fim de semana do Pindá em Ilhabela (SP)

Imunidade em foco: por que o verdadeiro problema não é o vírus, mas o organismo enfraquecido

Espaço Saúde

Imunidade em foco: por que o verdadeiro problema não é o vírus, mas o organismo enfraquecido

Subiu a régua

Blog do JC

Subiu a régua

Pinga — quando a palavra também escorre

VersoLuz

Pinga — quando a palavra também escorre






Jornal Diarinho ©2025 - Todos os direitos reservados.