Por JC - redacao@diarinho.com.br
O zum-zum-zum da política e o ti-ti-ti dos políticos
Publicado 03/03/2025 19:59
O Oscar de melhor filme internacional para “Ainda Estou Aqui” fez o Brasil vibrar como numa final de Copa do Mundo. Foi emocionante. Como todo mundo tá careca de saber, o filme conta a trajetória de Eunice Paiva, esposa do ex-deputado federal Rubens Paiva, torturado e morto em 1971 pela ditadura militar.
Alvo preferido do mito
Atacar a memória do ex-deputado assassinado pelos militares sempre foi um dos esportes preferidos do então também deputado Jair Bolsonaro. Que dizia, e ainda diz, provavelmente, que Paiva era um comunista sem vergonha e tinha até uma narrativa que explicava a sua morte. Para Bolsonaro, não foram os militares que assassinaram Rubens Paiva.
Lamarca
Na teoria de Bolsonaro, contada em discursos nos anos 1990 na Câmara dos Deputados, quem assassinou Paiva foram companheiros do guerrilheiro Carlos Lamarca, desconfiados de que o ex-deputado teria entregado o paradeiro de Lamarca para a repressão do regime. O que ficou provado que não aconteceu. Assim como ficou igualmente provado que quem torturou e matou Paiva foram militares. Enfim…
Mas, por que a obsessão
Bolsonaro viveu sua adolescência, dos 11 aos 18 anos, na cidade de Eldorado paulista, que fica no Vale do Ribeira, cidade muito pobre onde quem mandava na época era o pai de Rubens Paiva, Jaime Paiva, que era o maior fazendeiro da região e empregava quase a cidade toda, tendo sido, inclusive prefeito de Eldorado.
Caçada a Lamarca
Homem mais procurado pela ditadura no começo dos anos 1970, Lamarca trocou tiros com a polícia e baleou três pessoas em Eldorado paulista em maio de 1970, a cem metros da escola em que o então adolescente Bolsonaro estudava. O episódio o levou a se alistar no Exército quando completou 18 anos.
E o que os Paivas tem com isso?
Enquanto caçavam Lamarca em Eldorado, uma das suspeitas que foram criadas era de que o guerrilheiro estava abrigado na fazenda dos Paiva, o que nunca ficou provado, apesar das forças armadas terem vasculhado tudo de cabo a rabo. De qualquer forma, Lamarca conseguiu fugir e foi morto uma ano depois na Bahia. Mas aí já é outra história…
Ainda está lá
O fato é que o filme “Ainda Estou Aqui”, e o sucesso mundial que ele fez e faz, traz a verdade sobre uma história que Bolsonaro subverteu a vida toda para provar que os militares eram inocentes de morte e tortura (não que ele se importa-se com isso).
Psicologia de para-choque de caminhão
Não sou psicólogo, mas pode se concluir dessa sucessão de fatos, também, que o ódio à família Paiva seja decorrência do ressentimento de um menino pobre em relação a família mais rica do lugar onde passou a adolescência.
Pra terminar
Falei isso tudo pra explicar com fatos o porquê do ódio da direita bolsonarista ao primeiro filme brasileiro premiado pelo Oscar. Claro que tem aí acrescido o ódio a tudo o que signifique conhecimento e cultura, coisas de esquerdopatas, segundo o bolsonarismo. Mas você pode checar essa história completa e com detalhes na excelente reportagem feita pela BBC News Brasil em https://www.bbc.com/portuguese/articles/clyv425n296o.amp. Bizolho lá.
Foto (Divulgação)
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