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Flavio Perez é profissional de marketing e jornalista há mais de 25 anos. Especialista em esportes olímpico. Lidera a agência On Board Sports. Foi manager da The Ocean Race


Saiba como foi o primeiro dia da regata Transat Jacques Vabre 2019


Publicado 28/10/2019 16:50

As primeiras 24 horas da regata Transat Jacques Vabre Normandie Le Havre mostraram que a travessia promete ser novamente complicada para os velejadores.

As condições de navegação no Canal da Mancha após a largada deste domingo (27) ocasionaram algumas avarias em vários dos 59 barcos que disputam a prova entre a França e o Brasil. A regata conta com atletas de 11 países e tem um percurso de 4.350 milhas náuticas ou 8 mil quilômetros entre Le Havre, na França, e Salvador, na Bahia. Pelo menos cinco veleiros relataram problemas técnicos graves nas embarcações e o pior deles foi o Class40 Lamotte – Module Création, que liderava a disputa na sua categoria. A dupla comunicou, na madrugada desta segunda-feira (28), que a embarcação teve o mastro quebrado na passagem pelo Canal da Mancha. “Foi por volta das 7h da manhã, antes do nascer do sol, que aconteceu. Algo incompreensível mesmo, pois as condições não eram dantescas. Recuperamos tudo, não deixamos nada no mar, o topo do mastro se foi e depois se partiu pela metade. Estamos a caminho de Roscoff. Estamos realmente decepcionados com todos, especialmente porque estávamos na liderança naquele momento” Apesar do grave problema, o inglês Luke Berry e o francês Tanguy Le Turquais estão seguros a bordo. Os japoneses do barco Kiho também sofreram com o vento contra nas primeiras horas de regata! Os asiáticos informaram que a vela balão foi totalmente danificada enquanto navegavam com 30 nós de vento. ”Tentamos empurrar o barco ao máximo, mas a vela balão explodiu após uma grande onda… Impossível corrigir”, disse Hiroshi Kitada, que faz dupla com Takeshi Hara. ”Receio que sem a vela não possamos realmente competir de igual para igual. Primeiro descansaremos um pouco e depois refletiremos sobre o resto”, explicou Luke Berry. Outros veleiros como os IMOCAs VandB Mayenne e Advens for Cybersecurity chegaram a fazer uma parada ainda na França, com avarias no outrigger e piloto automático, respectivamente. Os barcos mais rápidos já estão no Golfo de Biscaya, parte do mar entre a França e a Espanha. Na Multi50, o líder, segundo os dados oficiais da prova, é o Solidaires en Peloton ARSEP. Entre os IMOCAs, disputa mais esperada da Transat Jacques Vabre 2019, o Charal é o primeiro colocado. Ao todo são 29 veleiros na regata desta categoria. Já entre os Class40, o Leyton é o primeiro de acordo com a atualização da tarde desta segunda-feira. Dificuldades previstas Tradicionalmente, a Transat Jacques Vabre Normandie Le Havre sempre apresenta os principais problemas nos primeiros cinco dias de regata, justamente na passagem pelo trecho. Especialistas explicam que as zonas de alta pressão ocasionadas pela aproximação do inverno no hemisfério norte causam esse fator de preocupação para as equipes. Na prática, o vento nessa época sopra contra os barcos no meio do percurso, obrigando os velejadores a andar mais para danificar menor o equipamento. “Está tudo bem, estamos no Golfo de Biscaia em condições muito fortes, com o mar de 20 a 25 nós de vento! Essas são condições que já experimentamos em treinamento”, contou Christopher Pratt – Charal (IMOCA). ''Nessa noite, tivemos muitas manobras e passamos um tempo no convés. Normalmente, iremos sair da área de frente fria para uma área com menos vento''. Os barcos devem começar a chegar em Salvador (BA) a partir da segunda semana de novembro. A Vila da Regata soteropolitana abre as portas no dia 6 de novembro, no Terminal Turístico da Bahia.

 


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