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Flavio Perez é profissional de marketing e jornalista há mais de 25 anos. Especialista em esportes olímpico. Lidera a agência On Board Sports. Foi manager da The Ocean Race


Semana Internacional de Vela de Ilhabela homenageia o veleiro Madrugada


Publicado 03/07/2019 20:42

Barco tido como ícone da vela de oceano no Brasil será o modelo do troféu dado aos campeões da competição, entre 13 e 20 de julho no litoral paulista. O Madrugada viverá uma situação rara na 46ª Semana Internacional de Vela de Ilhabela, entre 13 e 20 de julho. Campeão da edição de 2018 entre os Clássicos, o barco foi escolhido como modelo do troféu entregue aos vencedores. É apenas a segunda vez na história da competição que um veleiro em disputa é homenageado. A primeira foi com o Áries III, em 2017. Com essa iniciativa, o evento prestigia embarcações que contam a história da vela brasileira. Ícone da vela de oceano no Brasil, o barco do clube gaúcho Veleiros do Sul foi construído em 1978 pelo renomado arquiteto naval argentino German Frers. Este o considerou seu melhor projeto naquela década. Já em janeiro de 1979, foi o campeão geral da regata Buenos Aires-Rio. Depois viriam muitos outros títulos, como o vice-campeonato do Mundial de Two-Ton e o bicampeonato brasileiro. “Quem lê sobre a história dessa regata, não tem noção do desafio que foi, do início ao fim. Fizemos toda a prova sem motor, energia elétrica ou qualquer equipamento, porque queimou tudo na hora da largada. Foi uma disputa nada nutella, foi totalmente raiz”, lembra Nelson Ilha, velejador integrante da tripulação, na época. Hoje, Nelson é juiz internacional de regata pela Federação Internacional de Vela, a ISAF, no comando da arbitragem da Semana de Vela em Ilhabela. “O Madrugada mudou a minha vida e a de muitos velejadores importantes no Brasil. Até hoje, todos querem velejar nele.” Madrugada: Azar e sorte no Mundial O barco corria na antiga classe Two Ton. Na época, o cálculo de medição do barco era feito por toneladas para as embarcações que disputavam os mundiais de oceano. O próprio Madrugada juntou-se à equipe brasileira na Admiral’s Cup na Inglaterra, ainda em 1979. A competição foi conhecida por muitos anos como o campeonato mundial não oficial de regatas oceânicas. Pois a disputa era entre países, cada um com seus três melhores barcos. Mas, após sofrer uma colisão no campeonato, o Madrugada saiu da disputa antes da Fastnet Race, tida como a regata mais emblemática. O que parecia ser um azar provou-se na verdade sorte para os tripulantes. A corrida daquele ano terminou em tragédia, com várias mortes e barcos afundados. Resgate do Madrugada A trajetória de conquistas em águas brasileiras e internacionais quase teve um final triste para o Madrugada. O barco passou muitos anos parado no estaleiro do clube Jangadeiros, e sofreu os danos causados pela ação do tempo. “Chegou a abrir um buraco enorme no casco. As pessoas passavam e diziam que era uma pena o barco terminar daquele jeito” conta Martin Rump, filho do comandante Niels Rump. Niels decidiu comprar o veleiro por volta de 2005, e, após um meticuloso trabalho de restauração, colocou-o mais uma vez na rota das principais regatas nacionais. “Foi uma surpresa para todos ver o Madugada de volta às regatas, e ainda bastante competitivo”. Madrugada campeão em Ilhabela Hoje inscrito na classe Clássicos, destinada às embarcações que foram para a água até 1979, o Madrugada segue em regatas oceânicas internacionais, como o O Circuito Rolex Atlântico Sul. No ano passado, mostrou que ainda tem história para escrever, com a vitória na Semana de Vela de Ilhabela. Na última edição, aliás, O barco teve a companhia de outros três Two Tonners: o Áries II, o Kamaiurá e o Vendetta, transformando a disputa num campeonato à parte entre eles. E a situação deve se repetir este ano, já que o Kamaiurá e o Vendetta já confirmaram presença no litoral paulista. Homenagens As homenagens aos barcos antigos na Semana de Vela de Ilhabela começaram em 2006. Os veleiros participantes da America’s Cup, competição esportiva mais antiga do mundo, foram os primeiros transformados em troféu. Quem abriu a fila foi o Rainbow, vencedor da prova em 1934. Depois vieram Intrepid, Courageous, Stars and Stripes, Black Magic e Alinghi. Mais recentemente, a organização da SIVI decidiu homenagear veleiros brasileiros e embarcações como o Saga e os mais antigos Cairu II e Vendaval. Os últimos “transformados em troféu” foram o Áries III, em 2017, e o Wa Wa Too III, em 2018.

 


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