Por Alfa Bile - alfabile@gmail.com
Fotógrafo, poeta e escritor. Autor do livro Lume, suas obras Fine Art já decoram hotéis como Hilton e Mercure. Publicado pela National Geographic e DJI Global @alfabile | @alfabilegaleria
Publicado 08/01/2026 07:45
Algumas ausências não fazem barulho.
Elas reorganizam o espaço.
Esse poema nasceu da observação do que fica quando alguém não está mais. Não do drama explícito, mas da adaptação lenta — quase imperceptível — que os ambientes são obrigados a fazer. A cama continua quente, mas só de um lado. E isso muda tudo.
O relógio aparece como um personagem impaciente. Ele não consola, não espera. Ele grita. Apressa. Obriga o tempo a seguir mesmo quando o corpo ainda não sabe como acompanhá-lo.
O quarto, esse lugar íntimo, entra em crise de identidade.
Não se reconhece.
Não se acostumou.
A casa passa a se mover com cuidado. Da sala à cozinha, o olhar evita o quarto como quem evita tocar numa ferida recente. Não é covardia — é instinto de preservação.
Os dias passam.
E não passam ao mesmo tempo.
Até que, aos poucos, o espaço aprende.
Não a esquecer — mas a existir de outra forma.
Abaixo, o poema como ele nasceu:
Por Alfa Bile
📍 Itajaí, 4 de dezembro de 2025
A cama permanece quente,
mas só de um lado.
Desde então.
O relógio grita,
apressa tudo.
O quarto não se reconhece.
Ainda não se acostumou.
Da sala à cozinha,
avista o quarto
como quem evita olhar.
O relógio segue gritando
com a mesma impaciência.
Os dias passam.
E o quarto
aprende
a existir assim.
Esse poema não fala de alguém diretamente.
Fala do espaço depois.
Do tempo que não espera.
E da lenta aprendizagem de continuar.
📸 ✍️ Alfa Bile
VersoLuz | Jornal Diarinho
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