Itajaí
Moradora diz que teve sonho da casa própria frustrado no programa de lotes sociais
Inscrita reclama de entrada alta e dificuldade para arcar com parcelas
Camila Diel [editores@diarinho.com.br]
Uma moradora de Itajaí saiu frustrada após participar do atendimento do Programa de Lotes Populares da prefeitura. Inscrita no programa, ela diz que o sonho de conquistar um terreno próprio acabou “enterrado” depois de conhecer as condições de pagamento.
A mulher foi chamada para apresentar documentos no Departamento de Habitação, no centro da cidade, e compareceu ao atendimento na semana passada. Segundo ela, a abordagem já começou desanimadora. “Ela nem explicou direito como funcionariam as parcelas. Veio direto falando da entrada e de como seria difícil manter tudo”, relatou.
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De acordo com a moradora, o valor inicial informado foi de cerca de R$ 47 mil, com possibilidade de parcelamento em até três vezes. A exigência chamou atenção. “Perguntei como alguém que ganha até três salários mínimos vai ter esse dinheiro. Não faz sentido”, disse.
Ela afirma que chegou a cogitar fazer um empréstimo para pagar a entrada, mas diz que foi desencorajada durante o atendimento. “Ela falou: será que você vai dar conta de pagar o empréstimo, a parcela do lote e ainda o aluguel?”, contou.
Além da entrada, as parcelas do financiamento também foram consideradas altas. Segundo a moradora, os valores mensais poderiam chegar a cerca de R$ 1,5 mil, o que, para ela, torna o programa inviável. “Saí de lá muito frustrada”, desabafou.
A mulher também afirma que não foi a única a sair insatisfeita. Segundo ela, uma conhecida que trabalha no local comentou que outras pessoas teriam relatado experiências semelhantes durante os atendimentos.
Os lotes ofertados pelo programa ficam no bairro São Vicente, na região do Nilo Bittencourt. A iniciativa é voltada para famílias com renda de até três salários mínimos.
O que diz a prefeitura
Em nota, a prefeitura de Itajaí informou que o programa segue critérios legais e que não há irregularidades no processo. Segundo o município, o chamamento dos inscritos respeita a ordem de cadastro e já soma mais de 1,8 mil inscritos, com mais de mil pessoas convocadas para atendimento.
A administração explica que o programa não se trata da entrega de casas prontas, mas da comercialização de lotes urbanizados com desconto de cerca de 30% em relação ao valor de mercado.
Os valores variam conforme a localização, e a entrada pode ficar entre 6% e 20% do valor total do lote, com parcelamento em até três vezes. A prefeitura ressalta que as condições finais de pagamento são definidas diretamente com as loteadoras.
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Sobre o atendimento, o município afirma que os servidores têm papel orientativo e que, em casos em que os interessados mencionam a possibilidade de empréstimos ou outras formas de pagamento, a equipe alerta sobre os riscos financeiros.
A prefeitura também destaca que não há obrigatoriedade na adesão ao programa e que os interessados podem refletir antes de decidir pela compra.
Camila Diel
Camila Diel; jornalista no DIARINHO; formada pela Univali, com foco em jornalismo digital e produção de reportagens multimídia.
