O ato foi na última sexta-feira, no Rio de Janeiro, quando foi assinado o Termo de Aceitação e Recebimento Provisório (Terp), que formaliza a transferência da embarcação para a Empresa Gerencial de Projetos Navais (Emgepron), estatal da Marinha responsável pela gestão do projeto.
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Com a assinatura do termo, a construção da fragata é considerada concluída. A partir de agora também passa a valer o prazo de garantia dos principais sistemas e equipamentos da embarcação. O último marco contratual será o Termo de Aceitação e Recebimento Definitivo (Terd), previsto para cerca de um ano, quando a Marinha fará a aceitação final do navio.
Até lá, a embarcação passará por testes operacionais, avaliações técnicas e validações de sistemas. Durante essa fase, podem ser feitos ajustes ou correções antes da incorporação definitiva à frota da Marinha, prevista para 2027. A fragata segue atracada no estaleiro TKMS, em Itajaí, mas parte nesta sexta-feira para o Rio de Janeiro, onde inicia uma nova etapa de operação e testes.
Ainda em fevereiro, o navio recebeu os certificados estatutários da Det Norske Veritas (DNV), confirmando a atualização do status para “em operação”. A certificação atesta o cumprimento de requisitos internacionais de segurança, integridade estrutural e conformidade ambiental, incluindo o certificado de classe.
Antes da entrega provisória, a fragata também fez a última saída para testes no mar sob responsabilidade do consórcio Águas Azuis, em Itajaí. A etapa incluiu atividades do Plano de Adestramento no Mar (Pad-Mar), quando a tripulação da Marinha operou o navio em condições reais, consolidando treinamentos, procedimentos e a familiarização com os sistemas embarcados.
Modernização da frota de defesa
Com a fragata F200, o Brasil avança na renovação da frota de superfície da Marinha, incorporando embarcações mais modernas e com maior capacidade de defesa. Os navios são preparados para proteger as águas jurisdicionais brasileiras, conhecidas como Amazônia Azul, e atuar em diferentes tipos de operação. As novas fragatas vão substituir os navios da classe Niterói, construídos na década de 1970 e com tecnologias consideradas ultrapassadas.
“O programa fragatas Classe Tamandaré demonstra a capacidade da indústria brasileira de absorver, desenvolver e integrar tecnologias de alta complexidade, fortalecendo nossa soberania e a Base Industrial de Defesa”, destacou o diretor-executivo do consórcio Águas Azuis, Fernando Queiroz.
As embarcações do programa utilizam a tecnologia Meko, da Alemanha, adaptada para a Marinha do Brasil. Cada navio tem 107 metros de comprimento, deslocamento de 3500 toneladas e capacidade para cerca de 130 tripulantes. A estrutura inclui convés de voo, hangar para helicóptero, sistemas de mísseis, sensores e radares de última geração.
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O sistema de combate integrado é considerado o mais avançado da Marinha e segue padrões da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o que permite interoperabilidade com forças de outros países. As fragatas têm caráter multipropósito, podendo atuar em cenários de guerra de superfície, defesa antiaérea e antissubmarino, além de missões de monitoramento e controle do espaço marítimo.
O consórcio responsável pela construção reúne as empresas TKMS, Embraer e Atech. O contrato, assinado em março de 2020, prevê ainda outras três fragatas em produção no estaleiro de Itajaí. A próxima a ser entregue será a “Jerônimo de Albuquerque” (F201). A embarcação foi lançada em 2025 e deve iniciar as provas de mar em meados de 2026.